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Líderes partidários em confronto

18 Apr

A calendarização dos debates televisivos para as Eleições Legislativas de dia 5 de junho já foi disponibilizada. Os confrontos políticos ocorrerão nos três canais generalistas portugueses e serão, à partida, respetivamente dirigidos por Vítor Gonçalves (RTP), Clara de Sousa (SIC) e Judite de Sousa (TVI). O candidato a quem será feita a primeira pergunta será sorteado em cada um dos encontros.

Ao todo, são dez debates que ocorrerão durante três semanas. Em confronto estarão dois candidatos a Primeiro-Ministro, de cada um dos partidos com assento parlamentar, tal como ocorreu nas Eleições Legislativas de 2009.

A RTP foi a estação de televisão eleita para abrir e encerrar este ciclo de debates. Cada um terá inicio entre as 20 horas e 45 minutos e as 21 horas. O primeiro debate, no próximo dia 6 de maio, colocará em confronto Paulo Portas e Jerónimo de Sousa.

A duração dos debates é de 45 minutos, à exceção do debate entre o líder do PS, José Sócrates e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que usufruirá mais 15 minutos de perguntas e respostas.

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+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Herman 57

19 Mar

Comemora hoje, dia 19 de março de 2011, 57 anos. Herman José, o humorista mais badalado do últimos 30 anos em Portugal, diz que o balanço é positivo, mas com muitos erros que adoraria poder retificar”. Não percebe «aquelas pessoas que dizem que “fariam tudo igual” e que “não se arrependem de nada”». Referindo ainda que “ninguém tem de se orgulhar dos seus erros, muito menos defendê-los”.

Este “rapaz da Escola Alemã de Lisboa” que não ficou entregue à música apesar de ter estado ligado a ela no início da sua carreira, apresenta-se ainda assim, como um melómano. Toca hoje, destemidamente, três instrumentos (viola, piano e viola-baixo) e nos seus mais recentes espectáculos a destreza no palco é irrepreensível.

De humor acutilante, sempre foi uma figura de amores e ódios. Personagem central do primeiro caso de censura televisiva pós-abril, Herman José, questionado relativamente à linha ténue, e por vezes difícil de compreender, entre censura e bom senso, diz: Cada um coloca a fronteira onde mais lhe convém. É um daqueles dramas que nunca será resolvido. As democracias mais livres, têm as leis mais duras, e são implacáveis a castigar quem as desrespeita. Liberdade sem fiscalização é um pesadelo.”. Defendendo ainda que “o melhor ensinamento, vem da mãe natureza: a meio é que está a virtude. Até para fazer cócegas temos de avaliar a intensidade, senão viram dores.”.

Quando falamos em estreias, no caso deste artista temos de especificar as áreas.

No que respeita ao teatro, esta dá-se em finais de 1974 na revista Uma No cravo outra na ditadura, de César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos, na qual a figura central era o então “rei do Parque Mayer” – Raul Solnado.

A sua estreia na televisão, ainda como músico, acontece no programa “No tempo em que você nasceu” (RTP 1973), apresentado por Artur Agostinho. Em 1975, é convidado por Nicolau Breyner para integrar o elenco do programa Nicolau no país das maravilhas, onde vêm a surgir os incontornáveis Feliz & Contente – dupla fisicamente próxima dos personagens de banda desenhada francesa Dupont &Dupont.

O sucesso já sorria a Herman quando em 1980 inicia a sua auspiciosa participação no programa O passeio dos alegres, apresentado por Júlio Isidro. Personagens como Tony Silva, ou menino Nelito têm a sua primeira apresentação ao público e põe o país a repetir expressões como “ Roubaaaaado!” ou a cantarolar “Tony, meu nome é Tony Silva!”.

Em 1983 Herman apresenta a proposta à RTP de desenvolver um projeto seu. Inicialmente com o nome de Terceiro canal, vem a mudar para O tal canal, sendo hoje considerado (por votação dos telespetadores em 2008) o melhor programa de sempre do canal público.

Depois deste sucesso incrível, Herman continua com programas próprios – escritos e dirigidos por si. Primeiro Hermanias (RTP, 1984), Humor de perdição (emitido em 1987 e que ficou marcado por ser, como anteriormente referenciado, o primeiro caso de censura pós-abril na televisão portuguesa) e Casino royal (RTP, 1989).

Na década de 90, “o pobre menino rico” como lhe chamou Clara Ferreira Alves em 1997, começa a sua irrupção pelos concursos. Primeiro, A roda da sorte, que para muitos era a “missa das 7” e que ficou marcada pelo último episódio em que Herman destrói o cenário com uma arma. Segue-se o concurso Com a verdade m’enganas, mais dinâmico ao nível do conteúdo que o seu antecessor, e com uma igual fidelização de público. Enquanto isto, “o verdadeiro artista” apresentava todos os sábados o programa Parabéns, que, entre 1992 e 1996 era a grande emissão semanal do Canal 1.

1997 é o ano de regresso do “mestre” aos programas de sketches com Herman enciclpédia (RTP, 1997). Desgraça de audiências, fenómeno em impacto social – fica o paradoxo para caso de estudo no que respeita às análises de audiências em Portugal.

Herman 98 e Herman 99 são os projetos que se seguem. Formato talk-show, em direto e a partir de um teatro (primeiro em Lisboa, depois no Porto), e também com regularidade semanal.

A SIC é indissociável do nome do humorista a partir do ano 2000, na medida em que se inicia o seu processo de transferência para este canal. O intuito era o de apresentar um programa no mesmo formato, mais atractivo que os predecessores, com um cenário mais alegre, mais humor, mas uma plateia que continuava a parecer um teatro (com aproximadamente 300 pessoas). Durou 6 anos e teve o nome de HermanSic, sendo que em 2007 Herman é convidado a desenvolver um projecto unicamente de humor com duração de 46 programas chamado Hora H. Este acabaria por vir a concorrer no Festival de Monte Carlo, dedicado à área, com outros gigantes como The office.

Chamar a música é dos últimos projectos que Herman conduz na estação de Carnaxide, juntamente com A roda da sorte.

De regresso à RTP em 2010, com o talk-show Herman2010, o humorista consegue fidelizar audiência àquele horário no canal público, mantendo tal façanha ao momento, com o Herman2011.

Galardoado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada, em 1992, pelas mãos do então presidente da Republica Mário Soares, Herman José conta ainda com 12 Globos de ouro (sendo um deles o de Mérito e Excelência), incontáveis prémios do jornal de artes Sete, e de outras entidades que investiram no reconhecimento artístico nacional.

A um dos maiores humoristas portugueses, os nossos parabéns!

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Sofia Carvalho

8 Mar

Sofia Carvalho nasceu, curiosamente, no dia da mulher, a oito de março de 1970. Sempre sonhou fazer Marketing, mas a sua mãe achava que com esse curso ela só iria «vender tecidos de porta em porta». Para agradar aos pais fez três anos de Relações Internacionais, abandonando o curso para entrar em Marketing, onde fez outros três anos. Apesar de não ter finalizado nenhum dos cursos, considera a experiência gratificante, pois ambos tratavam matérias interessantes «e se o saber não ocupa lugar, why not?», disse a directora, em entrevista ao 5 para a meia-noite, no dia dois de fevereiro deste ano.

Aos 17 anos de idade, um amigo inscreve-a numa agência publicitária, onde acabou por ser contratada para alguns trabalhos. Mais tarde, outro amigo falou-lhe dum casting para locução de continuidade na TVI. Sem saber muito bem ao que ia, arriscou e acabou por ser selecionada, ficando a trabalhar na estação televisiva privada.

Um dia, Artur Albarran falou-lhe de uma reunião sobre um projeto da TVI na área do jornalismo. Daqui surge o Novo Jornal, onde Artur Albarran, Sofia Carvalho e Bárbara Guimarães se juntavam para apresentar as notícias. A determinada altura, recebe uma proposta para fazer um anúncio televisivo, aproveitando esta oportunidade para sair da TVI.

Anos mais tarde, quando já julgava estar esquecida, surge o convite para ser diretora do canal temático SIC Mulher, lançado a oito de março de 2003, «dedicado à mulher determinada, conhecedora, sensível, atraente (…) a construção de algo apelativo para estas mulheres, que existem e merecem um espaço.» Querido Mudei a Casa, o programa que é agora co-apresentado por Gustavo Santos, foi apresentado assim que surgiu o canal. Na altura, a escassez de recursos produtivos não permitiram encontrar uma apresentadora para o programa poder ser realizado, o que levou Sofia a adoptar este novo desafio e concretizar mais um projeto, tornando-se ela própria a imagem do programa.

Afirmando-se dona de um sexto sentido tipicamente feminino, acredita que a sua regra de vida é viver um dia de cada vez, tirando sempre o lado positivo das coisas «não acreditar é não viver». Sofia Carvalho acreditou e hoje, no dia em que completa 41 anos, é uma das fortes marcas do empreendorismo português.

Oito de março, oito mulheres

+++Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

As tendências da estação

27 Feb
Por Inês Garcia |

Públicos ou privados, os canais generalistas pretendem não só manter o espectador informado e criar um laço de confiança, como também conseguir um determinado número de audiências que sejam o espelho da qualidade da informação dada. É aí que entra o Diretor de Informação. Um cargo envolto, por vezes, em alguma controvérsia, na medida em que é ele o responsável pelos conteúdos apresentados e pela gestão dos mesmos.

Nos últimos anos, as mudanças ao nível das direções de informação foram várias. Estas alterações, que influenciam indubitavelmente os lugares cimeiros do top de audiências, são diferentes de estação para estação e o seu impacto é igualmente diverso. A instabilidade diretiva pode ser grave para o canal, mas o mediatismo que decorre das mesmas, nomeadamente através da imprensa, que por vezes alimenta as polémicas, nem sempre é negativo.

José Rodrigues dos Santos, um dos principais nomes do panorama jornalístico, foi Diretor de Informação da RTP em dois momentos distintos e consolidou a sua posição como um dos profissionais portugueses mais mediáticos. Em novembro de 2004, pediu a demissão da Direção de Informação juntamente com a restante equipa na sequência de uma alegada interferência da administração do canal público em critérios editoriais, designadamente na nomeação de Rosa Veloso como correspondente especial em Madrid. Foi já sob a direção de Luís Marinho, o seu substituto, que este caso voltou às luzes da ribalta, tendo a RTP aberto um inquérito ao antigo Diretor com vista a esclarecer a situação que levou o jornalista a abandonar a direção.

Depois de Luís Marinho, surgiu José Alberto Carvalho, ascendendo de Subdiretor a Diretor de Informação da RTP. Juntamente com Judite de Sousa, criaram uma equipa que conseguiu manter o Telejornal como o preferido dos portugueses, sendo muitas vezes eleito como o mais credível e rigoroso no seio da população.

Atualmente a estação pública encontra-se sem um Diretor de Informação fixo, tendo os subdiretores José Manuel Portugal, Luís Costa, Miguel Barroso e Paulo Sérgio assumido a direção de forma interina. A saída, aparentemente repentina, de José Alberto Carvalho e Judite de Sousa para a TVI deixou os colaboradores da estação surpresos e a RTP numa situação delicada. Fala-se agora de uma reestruturação nos cargos diretivos e o regresso de Rodrigues dos Santos ou de Nuno Santos, antigo Diretor de Programas da RTP atualmente na SIC, são algumas das hipóteses apontadas nos últimos dias.

José Alberto Carvalho chega então à TVI colmatando o vazio deixado por Júlio Magalhães na Direção. Ocupando o cargo desde setembro de 2009, Júlio Magalhães devolveu à TVI a estabilidade depois da saída de João Maia Abreu. O então Diretor de Informação, juntamente com o restante elenco diretivo, demitiram-se na sequência da decisão dos quadros diretivos da estação em retirar do ar o Jornal Nacional de 6.ºFeira, fruto da polémica que o envolveu, chegando o Primeiro-ministro, José Sócrates, a apelidar o jornal de “travestido” e acusar a informação da TVI de o perseguir.

Aquando da sua saída da Direção, não obstante a continuação no topo das audiências, a estação sofreu momentos de grande agitação que culminaram com o afastamento de Manuela Moura Guedes do ecrã, e mais tarde com a rescisão do contrato que ligava ambas as partes. A jornalista foi para a SIC.

A indefinição resolveu-se com Júlio Magalhães que agora, passados 18 meses, apresenta a sua demissão evocando motivos pessoais, continuando, no entanto, nos quadros da empresa como Diretor da redação do Porto.

Aparentemente longe das polémicas e confusões causadas por estas trocas, encontra-se a SIC. Emídio Rangel foi o primeiro Diretor de Informação, em 1992, a convite de Francisco Pinto Balsemão. Manteve esse cargo, juntamente com o de Diretor de Programas, acompanhando o lançamento dos canais temáticos SIC Notícias, SIC Gold e SIC Radical, até 2001, ano em que foi convidado para ser Diretor de Informação da RTP. O canal público voltou então a ser alvo de uma mudança de direção, mas por pouco tempo. Apenas um ano depois, José Rodrigues dos Santos voltou para o cargo que havia ocupado anteriormente.

Para substituir Rangel surgiu Alcides Vieira, jornalista pertencente aos quadros do canal desde a sua formação. Apesar de se falar da eventual promoção de Rodrigo Guedes de Carvalho a diretor, Vieira encontra-se seguro na Direção de Informação da SIC há 10 anos, constituindo um exemplo da estabilidade.

Resta agora ao espectador esperar para analisar o impacto que as mais recentes trocas vão ter na informação e nos canais portugueses, confiando que a qualidade, a coerência e o rigor noticioso estarão sempre presentes.

+++Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortografico.+++

Quando o jornalismo se torna notícia

26 Feb
por Ricardo Soares, Editor de Atualidades |

O sistema de Media está em mudança, é um facto. E por muito transtorno que isso cause a alguns senhores, aqueles que gerem as empresas dos meios de informação, que não sabem como responder ao novo paradigma que envolve o jornalismo, não há volta a dar. A evolução não pára, e o pior, é que não vem com instruções.

É verdade que as mudanças trazem novos desafios aos jornais, e que muitos anteveem a morte do papel, passando os dedos escurecidos de tinta do jornal devido ao folhear das páginas a memórias. Memórias do que era tomar conhecimento do estado do mundo e do país na textura das páginas, das linhas e das letras com que as notícias vinham a público. Mas também existe outra verdade incontornável: o que tem qualidade perdura no tempo. E falo do Expresso em Portugal e da Folha de São Paulo no Brasil.

Estes dois jornais são a prova de que independentemente das mudanças que a História um dia narrará, o que tem qualidade perpétua na linha do tempo. Aqueles que são os principais jornais de referência nos seus respetivos países estão por estes dias de parabéns. A Folha comemorou 90 anos no passado dia 19, tendo durante a semana que passou realizado uma série de ações em honra da data. O Expresso publica hoje a sua edição 2000, um número redondo e bem expressivo da longevidade do semanário mais lido em Portugal.

Independentemente das mudanças estruturais com que o jornalismo se está a deparar, fica bem patente que a qualidade vence os obstáculos. Também é verdade que a qualidade não é cega e que deve colaborar com a inteligência, e assim contornar os obstáculos. É neste sentido, que surgem novos formatos para fazer face a novas realidades, como é o caso da edição do Expresso produzida para o iPad, e que teve hoje a sua primeira edição.

Mas nem só de mudanças estruturais vive o jornalismo por estes dias, pois aqueles que dão normalmente as notícias são, por agora, eles próprios notícia.

O cargo de Diretor de Informação foi o centro das atenções. Primeiro a demissão de Júlio Magalhães da TVI, onde desempenhava o cargo, depois a demissão de José Alberto Carvalho da RTP, sendo logo de seguida anunciada a sua contratação pela TVI para desempenhar o cargo na estação de Queluz de Baixo. A TVI resolveu o seu problema, a estação pública ficou com um, agravado pelo facto de Judite de Sousa ter seguido o mesmo rumo.

O Jornalismo está portanto em mutação, a todos os níveis, umas mudanças para melhor, outras para pior, uns respondem afirmativamente, outros negativamente, uns conseguem vencer, outros perdem, outros desistem, e nós (sociedade)? Só pedimos que a qualidade perdure!

 

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++