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Open sem Estádio

24 Apr

A edição 2011 do Estoril Open vai mais uma vez iniciar-se num espaço provisório. O projecto para a construção de um novo estádio entre a Torre de Belém e a ribeira do Jamor, proposto pela João Lagos Sport em 2007, nunca passou do papel.

Laurentino Dias, secretário de Estado para o Desporto, garantiu em 2008 que o projecto ia avançar. “O Estoril Open deve ter uma instalação definitiva, nomeadamente no seu ‘court’ central. Devemos ter as melhores instalações possíveis para o ténis no Jamor“, afirmou Laurentino Dias. A ideia seria integrar os seis campos cobertos do Centro de Alto Rendimento (CAR) deTénis do Jamor, com um estádio que seria o ‘court’ central para eventos como o Estoril Open.

Contudo, a ideia não se materializou. O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, opôs-se ao projecto apresentado, referindo como mais viável a ideia, na altura em estudo, de um complexo de 17 courts com capacidade para oito a nove mil pessoas, a situar-se em Barcarena. João Lagos, ao tomar conhecimento das declarações de Isaltino Morais em 2007, rejeitou liminarmente a ideia: “Não associo o meu nome a disparates”.

Atualmente, a infraestrutura que vai albergar o Estoril Open continua provisória. Todos os anos são gastos cerca de 30% do orçamento total do torneio. Na edição deste ano, irão ser gastos 1.2 milhões de euros num conjunto de estruturas que serão retiradas no final do evento: o court Central, o “Players Lounge”, as áreas comercial e de restauração para o público, o gabinete de imprensa, e o “Sponsors Village”. Só este último espaço ocupará 6300 metros quadrados (2700 dos quais para um restaurante VIP), e é exclusiva para parceiros do evento, patrocinadores e seus convidados e espectadores com reserva de camarote no court Central.

O Euro 2004 viu 10 estádios serem construídos para o evento. Cinco desses estádios foram apenas palco de duas partidas cada, em relação às 31 que se realizaram durante todo o evento. No custo total de 665 milhões de euros, o Estado português entrou com 104 milhões. Com o Estoril Open, o orçamento previsto é de 4 milhões de euros, dos quais uma parte é relativa ao patrocínio do Turismo de Portugal, verificando-se uma disparidade no investimento entre as duas modalidades.

Apesar das limitações logísticas do Estoril Open, o evento foi considerado como um dos 10 melhores torneios de ténis a nível mundial, com excepção dos 4 que constituem o “Grand Slam”: US Open, Wimbledon, Roland Garros e Australian Open. A distinção veio da revista norte-americana “Tennis Magazine”, a publicação da modalidade com maior tiragem em todo o mundo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++



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Eternos rivais

2 Apr

Rafael Nadal venceu Roger Federer na meia-final do ATP Masters 1000 de Miami, na passada sexta-feira. O espanhol e nº 1 do ranking do ténis mundial cimentou a sua vantagem em encontros contra Federer, aumentando a sua margem para 15-8.

A sua história vem sendo escrita desde 2004. Nadal, que tinha então 17 anos e apenas o 34º lugar no ranking, surpreendeu tudo e todos ao vencer Roger Federer, também em Miami. Federer era o nº 1 mundial há 237 semanas consecutivas. As partidas entre o helvético e o espanhol têm sido, na sua maioria, disputadas em finais: 17 das 23 até hoje foram jogadas em finais de torneios, e 7 dessas finais corresponderam a  Grand Slams.

Contudo, esta disputa não tem sido a mais equilibrada, pelo menos dado o facto de se tratar, durante muito tempo, de Federer no 1º lugar do ranking da ATP e Nadal no 2º, bem como atualmente ser Nadal o 1º e Federer o 3º. Apenas depois da segunda partida entre os dois, no mesmo Torneio de Miami em 2005, o confronto esteve empatado. Desde então Rafael Nadal tem estado sempre em vantagem.

Sem dúvida, o universo desportivo já viu e continua a ver muitas rivalidades semelhantes. No Surf, o decacampeão mundial Kelly Slater e o tricampeão Andy Irons foram bastante documentados nos media pela sua animosidade competitiva com títulos mundiais em jogo. Ou Alberto Contador e Andy Schleck no ciclismo, vindo a ser favoritos nas grandes competições para 1º e 2º lugar, com alguma vantagem para o espanhol, que venceu as duas últimas edições do Tour de France.

Também o jamaicano Usain Bolt e o norte-americano Tyson Gay têm uma rivalidade muito acesa como grandes velocistas no atletismo. O americano foi o único a vencer Bolt numa final desde que este bateu o record mundial dos 100 metros, vitória que se deu na Diamond League em Estocolmo no ano passado.

Já outras rivalidades são mais antigas. O basquetebol da NBA viu durante muitos anos os Boston Celtics e os Los Angeles Lakers baterem-se por campeonatos, mas foi durante os anos 80 que esta se popularizou pelo mundo inteiro. A razão prendeu-se com a existência de um confronto entre os dois melhores atletas – Larry Bird dos Celtics e Magic Johnson dos Lakers – que naturalmente personalizou cada confronto entre as duas formações. Quando ao futuro de Nadal e Federer, tendo o primeiro 24 e o segundo 29 anos, a diferença no confronto se mantenha do lado do espanhol. Porém, tratando-se de dois atletas de topo, há sempre a possibilidade de as coisas inverterem o seu rumo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

Frederico Gil de novo líder

5 Mar

Frederico Gil, tenista profissional desde 2003, ganhou destaque no panorama português sobretudo a partir de 2008, altura em que atingiu o topo do pódio do ranking português e, desde então, por lá se tem mantido.

A partir dessa altura Frederico Gil tem vindo a bater recordes que, apesar de não serem comparáveis aos feitos dos nossos vizinhos espanhóis, por exemplo, podem ser considerados grandes proezas. A primeira dessas proezas, e talvez uma das maiores, foi alcançada em 2009 ao tornar-se o tenista português com melhor ranking de sempre (66º), ultrapassando Nuno Marques e o seu treinador João Cunha e Silva.

No entanto, o feito que certamente será mais facilmente recordado foi a final do Estoril Open. Na última edição, Frederico Gil surpreendeu ao ser o primeiro tenista português a garantir a presença na final de um torneio ATP, claudicando perante o espanhol Montañés. Essa final perdura na memória dos portugueses que acompanham ténis por Frederico Gil se ter apresentado a um nível muito bom perante um dos melhores tenistas espanhóis, fazendo elevar o nome de Portugal no ténis.

Nos últimos tempos, Rui Machado também tem vindo a apresentar um ténis de bom nível e passou a liderar o ranking português. Só que, no passado dia 28, Frederico Gil reassumiu essa liderança, mesmo face à derrota na ronda inaugural no torneio de ATP de Acapulco, no México. Terão os portugueses amantes de ténis razões para sonhar com altos voos? Gil já provou que tem talento para isso.

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Australia Open: a história

29 Jan
por Steve Grácio |

O Australia Open é o primeiro dos quatro Grand Slam do ano. Nas suas primeiras edições, porém, era realizada em dezembro, o que fazia com que não fosse a primeira do ano mas sim a última. No entanto, a partir de 1987 passou a realizar-se em janeiro, para evitar as alturas de elevada temperada que acontecem em dezembro, na Austrália.

Este torneio realiza-se em Melbourne desde 1972. Porém, até 1972 realizou-se em seis cidades diferentes. Possui uma superfície dura, rápida e um teto móvel essencialmente para evitar o calor.

O primeiro vencedor do Australia Open foi o australiano Rodney Heath, ao passo que o primeiro estrangeiro a vencer a competição foi Fred Alexander em 1908, na quarta edição. Nas primeiras edições havia poucas nacionalidades presentes. Talvez por isso seja um australiano (Roy Emerson) quem arrecadou um maior número de títulos, 6. Com quatro Australia Open conquistados encontram-se também dois australianos, Jack Crawford e Ken Rosewall, bem como dois dos melhores tenistas da história, o americano André Agassi e o suíço Roger Federer.

Em 1922, a competição é aberta às mulheres. A detentora de mais títulos neste torneio é também de nacionalidade australiana e o seu nome é Margaret Smith Court, com onze edições conquistadas, um recorde. Segue-se também uma australiana, com seis torneios ganhos (Wynne-Bolton) e a americana Serena Williams, que este ano não disputou o torneio, com cinco Grand Slam australianos.

A edição deste ano foi das mais competitivas dos últimos anos, desde logo porque os dois favoritos à vitória final claudicaram. O campeão em título, Roger Federer, segundo cabeça-de-série, jogador com mais Grand Slam da história do ténis e terceiro com mais Australia Open, perdeu a meia-final com o sérvio Djokovic, num dos melhores encontros do torneio, sempre bastante equilibrado. Quanto ao número 1 mundial, Rafael Nadal, foi eliminado nos quartos-de-final perante o compatriota David Ferrer. Deste modo, o vencedor será inesperado, o que revela a magia deste grande torneio.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++