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O ano passado foi assim…

25 Apr

No dia 7 de maio de 2010 o ténis português fazia história com a vitória de Frederico Gil nos quartos de final. Pela primeira vez, um atleta nacional estava presente na meia-final do Estoril Open, a prova mais importante do panorama da modalidade em Portugal. Curiosamente, para estar presente numa fase tão adiantada da competição teve de eliminar o compatriota e amigo Rui Machado.

As palavras no final do embate com Rui Machado eram o espelho da felicidade do atleta e da importância do momento: “Estou bastante contente por ter ganho, é um sonho para mim poder chegar às meias-finais do Estoril Open. Sinto-me cansado, foi uma batalha dura, mas já estava à espera que fosse assim. Cada um de nós jogou ao seu melhor. Taticamente estive bem, o Rui jogou de forma muito sólida e o encontro acabou por se tornar muito físico“. Igualmente, assumia o desejo de continuar a fazer história e qualificar-se para a final.

E assim foi, após bater o espanhol Guillermo Garcia-Lopez, Frederico Gil alcançou o sonho de estar presente no jogo decisivo. Na final, num duro e emotivo encontro de duas horas e trinta e três minutos com o também espanhol Alberto Montanes, Gil claudicou no terceiro set, depois de vencido o primeiro. Ao contrário do que se previa, Frederico Gil foi um adversário duro de roer para Montanes, que viria a sagrar-se bicampeão do torneio português.

Este ano, haverá “dose dupla” e teremos novamente uma grande prestação portuguesa?

A avaliar pelos nomes presentes na prova, antevê-se dificuldades para Rui Machado e para Frederico Gil repetir a proeza do ano passado. Federer e o bicampeão Montanes não estarão presentes, mas em contrapartida estarão seis atletas de relevo no Jamor. São eles Robin Soderling, Del Potro, Fernando Verdasco, Jo-Wilfried Tsonga, Thomas Bellucci e Gilles Simon. No entanto, Frederico Gil tem tido um ano bem sucedido, que culminou com a presença na terceira ronda no Masters de Monte Carlo, melhor resultado de sempre por parte de um português, que deixa esperanças numa boa prestação no Estoril Open, bem como de Rui Machado que é sempre um atleta bastante competitivo.

Porém, nem só de esperança se faz esta participação portuguesa na prova deste ano. Na competição feminina, a má notícia chegou ainda antes da prova se iniciar. Michelle Brito, número um portuguesa, não vai participar na edição deste ano, já que vai participar no torneio de Charlottesville, nos EUA, segundo a própria porque “jogar em Charlottesville é mais económico”.

Mesmo com a “menina de ouro” do ténis feminino de fora, após a brilhante prestação portuguesa na edição passada, existe motivos para sonhar. Com os nomes presentes na competição, provavelmente o torneio não terá vencedor português. No entanto, o ano passado ninguém previa a caminhada de Frederico Gil. Porque não ter esperanças em conquistar o torneio pela primeira vez?

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

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22.º Edição do Estoril Open

23 Apr

Dia 2 de abril de 1990: data da primeira vez que o amarelo da bola e o castanho do pó de tijolo se fundiram no Estoril Open. Estava dado o “serviço” de saída para um dos maiores eventos desportivos em Portugal com periocidade anual.

Durante uma semana, de 2 a 9 de abril, jogou-se ténis ao mais alto nível no Estoril Court Central, em Oeiras. Emilio Sánchez foi o grande vencedor. A honra portuguesa era defendida por Nuno Marques que, no entanto, ficou pela primeira ronda.

O espanhol partia como terceiro cadeça-de-série, mas rapidamente viu o primeiro e segundo pré-designados sucumbirem na terra batida portuguesa. Martin Jaite, segundo cabeça-de-série, perdeu logo na primeira ronda; o principal favorito, Jay Berger, ficou-se pelos quartos de final. Sánchez aproveitou da melhor forma os desaires dos seus principais oponentes e na final derrotou Frando Davin pelos parciais 6-3 e 6-1. Mas o espanhol não se ficou por aqui, venceu também o torneio de pares, no qual jogou ao lado do seu compatriota, Sérgio Casal.

Quanto ao torneio feminino, as senhoras apenas começaram a competir no Estoril no ano de 1998, tendo a primeira vencedora sido a austríaca Barbara Schwartz.

João Lagos começava então a sua maior jornada no que toca a eventos desportivos. Entretanto já se fizeram mais vinte edições, pelas quais passaram grandes nomes do ténis. Uns triunfaram, casos de Federer, Djokovic ou Muller, este ainda na década de 90, outros não tiveram tanta sorte, como Nadal – o atual líder da hierarquia mundial participou no torneio português ainda no início de carreira.

Agora, História à parte, está aí a 22.º edição do Estoril Open que decorrerá entre 23 de abril e 1 de maio. A dinâmica e a lógica são as mesmas de à 21 anos, só os intervenientes serão outros. Com um lote apreciável de jogadores do top-20 mundial espera-se um torneio muito competitivo, aguardando-se um brilharete de Frederico Gil e Rui Machado, apesar de não se adivinhar fácil devido ao poderio de jogadores como Soderling, Del Potro, Verdasco, Simon ou o francês Tsonga que recebeu um wild card de última hora. Quem também recebeu um convite de última hora com entrada direta para o quadro principal do torneio foram os portugueses Gastão Elias e João Sousa, que assim têm a possibilidade que competir ao mais alto nível no na terra batida do complexo do Jamor.

Os dados estão lançados, mas só dia 1 de maio, quando a bola levantar pela última vez poeira no court central do complexo do Jamor , saberemos quem venceu o principal torneio de ténis realizado em Portugal.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do nova Acordo Ortográfico+++

Frederico Gil de novo líder

5 Mar

Frederico Gil, tenista profissional desde 2003, ganhou destaque no panorama português sobretudo a partir de 2008, altura em que atingiu o topo do pódio do ranking português e, desde então, por lá se tem mantido.

A partir dessa altura Frederico Gil tem vindo a bater recordes que, apesar de não serem comparáveis aos feitos dos nossos vizinhos espanhóis, por exemplo, podem ser considerados grandes proezas. A primeira dessas proezas, e talvez uma das maiores, foi alcançada em 2009 ao tornar-se o tenista português com melhor ranking de sempre (66º), ultrapassando Nuno Marques e o seu treinador João Cunha e Silva.

No entanto, o feito que certamente será mais facilmente recordado foi a final do Estoril Open. Na última edição, Frederico Gil surpreendeu ao ser o primeiro tenista português a garantir a presença na final de um torneio ATP, claudicando perante o espanhol Montañés. Essa final perdura na memória dos portugueses que acompanham ténis por Frederico Gil se ter apresentado a um nível muito bom perante um dos melhores tenistas espanhóis, fazendo elevar o nome de Portugal no ténis.

Nos últimos tempos, Rui Machado também tem vindo a apresentar um ténis de bom nível e passou a liderar o ranking português. Só que, no passado dia 28, Frederico Gil reassumiu essa liderança, mesmo face à derrota na ronda inaugural no torneio de ATP de Acapulco, no México. Terão os portugueses amantes de ténis razões para sonhar com altos voos? Gil já provou que tem talento para isso.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++