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Luís de Matos – Merlin Award

19 Apr

A 14 de setembro de 2010 o ilusionista português, Luís de Matos, recebe, em Coimbra, o prémio Merlin Award. Atribuído pela Internacional Magicians Society (IMS) o prémio faz com que Luís seja, agora, o «mágico da década». O objetivo do prémio é «homenagear o mágico que mais se destacou, a nível mundial, no conjunto de trabalhos desenvolvidos no período de 2000 a 2010».

Nascido em Moçambique, vem para Portugal em 1975, quando tinha apenas 5 anos, e estreia-se no mundo da magia com onze anos de idade. Anos depois, ficou conhecido pelo povo português devido à forma ágil de dar cartas e de agarrar as exclamações incessantes do público, devido aos seus truques de magia em diversos programas de divulgação do ilusionismo na RTP, como Isto é Magia, Noite Mágica e Ilusões com Luís de Matos.

Porém, esta não é a primeira vez que Luís é agraciado por esta instituição e, sobretudo, por este prémio. Estávamos em 2008 quando o ilusionista recebeu a estatueta da IMS, na categoria de close-up, um espetáculo escrito, dirigido e protagonizado pelo próprio e que foi apresentado na Expo’98.

Colecionador de diversos galardões, a carreira de Luís de Matos tem-se revelado brilhante e com muitas surpresas. Em 1995, recebeu o Prémio de Mérito, atribuído pela Hollywood Academy of Magic Arts. O motivo foi a sua devoção às artes mágicas, observado aquando a apresentação dos seus dotes nos vários programas televisivos, que acolheram fãs desta arte em Portugal e um pouco por todo o mundo. Quatro anos mais tarde, é apelidado de Mágico do Ano, prémio outorgado pela mesma Academia e no ano seguinte, a Sociedade Francesa de Magos atribui-lhe o D’Mandrake.

Apesar de não se dedicar exclusivamente ao ilusionismo, Luís de Matos é considerado uma das personalidades mais importantes na área do entretenimento e todos os prémios que arrecadou pretendem realçar, não só o seu enorme talento e a sua capacidade inata de surpreender, mas também «revelar as qualidades humanas e de cidadão», como sublinhou Agostinho Almeida Santos, presidente do Rotary de Coimbra, clube que também homenageou o artista.

A um herói desconhecido

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

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Líderes partidários em confronto

18 Apr

A calendarização dos debates televisivos para as Eleições Legislativas de dia 5 de junho já foi disponibilizada. Os confrontos políticos ocorrerão nos três canais generalistas portugueses e serão, à partida, respetivamente dirigidos por Vítor Gonçalves (RTP), Clara de Sousa (SIC) e Judite de Sousa (TVI). O candidato a quem será feita a primeira pergunta será sorteado em cada um dos encontros.

Ao todo, são dez debates que ocorrerão durante três semanas. Em confronto estarão dois candidatos a Primeiro-Ministro, de cada um dos partidos com assento parlamentar, tal como ocorreu nas Eleições Legislativas de 2009.

A RTP foi a estação de televisão eleita para abrir e encerrar este ciclo de debates. Cada um terá inicio entre as 20 horas e 45 minutos e as 21 horas. O primeiro debate, no próximo dia 6 de maio, colocará em confronto Paulo Portas e Jerónimo de Sousa.

A duração dos debates é de 45 minutos, à exceção do debate entre o líder do PS, José Sócrates e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que usufruirá mais 15 minutos de perguntas e respostas.

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+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Herman 57

19 Mar

Comemora hoje, dia 19 de março de 2011, 57 anos. Herman José, o humorista mais badalado do últimos 30 anos em Portugal, diz que o balanço é positivo, mas com muitos erros que adoraria poder retificar”. Não percebe «aquelas pessoas que dizem que “fariam tudo igual” e que “não se arrependem de nada”». Referindo ainda que “ninguém tem de se orgulhar dos seus erros, muito menos defendê-los”.

Este “rapaz da Escola Alemã de Lisboa” que não ficou entregue à música apesar de ter estado ligado a ela no início da sua carreira, apresenta-se ainda assim, como um melómano. Toca hoje, destemidamente, três instrumentos (viola, piano e viola-baixo) e nos seus mais recentes espectáculos a destreza no palco é irrepreensível.

De humor acutilante, sempre foi uma figura de amores e ódios. Personagem central do primeiro caso de censura televisiva pós-abril, Herman José, questionado relativamente à linha ténue, e por vezes difícil de compreender, entre censura e bom senso, diz: Cada um coloca a fronteira onde mais lhe convém. É um daqueles dramas que nunca será resolvido. As democracias mais livres, têm as leis mais duras, e são implacáveis a castigar quem as desrespeita. Liberdade sem fiscalização é um pesadelo.”. Defendendo ainda que “o melhor ensinamento, vem da mãe natureza: a meio é que está a virtude. Até para fazer cócegas temos de avaliar a intensidade, senão viram dores.”.

Quando falamos em estreias, no caso deste artista temos de especificar as áreas.

No que respeita ao teatro, esta dá-se em finais de 1974 na revista Uma No cravo outra na ditadura, de César de Oliveira, Rogério Bracinha e Ary dos Santos, na qual a figura central era o então “rei do Parque Mayer” – Raul Solnado.

A sua estreia na televisão, ainda como músico, acontece no programa “No tempo em que você nasceu” (RTP 1973), apresentado por Artur Agostinho. Em 1975, é convidado por Nicolau Breyner para integrar o elenco do programa Nicolau no país das maravilhas, onde vêm a surgir os incontornáveis Feliz & Contente – dupla fisicamente próxima dos personagens de banda desenhada francesa Dupont &Dupont.

O sucesso já sorria a Herman quando em 1980 inicia a sua auspiciosa participação no programa O passeio dos alegres, apresentado por Júlio Isidro. Personagens como Tony Silva, ou menino Nelito têm a sua primeira apresentação ao público e põe o país a repetir expressões como “ Roubaaaaado!” ou a cantarolar “Tony, meu nome é Tony Silva!”.

Em 1983 Herman apresenta a proposta à RTP de desenvolver um projeto seu. Inicialmente com o nome de Terceiro canal, vem a mudar para O tal canal, sendo hoje considerado (por votação dos telespetadores em 2008) o melhor programa de sempre do canal público.

Depois deste sucesso incrível, Herman continua com programas próprios – escritos e dirigidos por si. Primeiro Hermanias (RTP, 1984), Humor de perdição (emitido em 1987 e que ficou marcado por ser, como anteriormente referenciado, o primeiro caso de censura pós-abril na televisão portuguesa) e Casino royal (RTP, 1989).

Na década de 90, “o pobre menino rico” como lhe chamou Clara Ferreira Alves em 1997, começa a sua irrupção pelos concursos. Primeiro, A roda da sorte, que para muitos era a “missa das 7” e que ficou marcada pelo último episódio em que Herman destrói o cenário com uma arma. Segue-se o concurso Com a verdade m’enganas, mais dinâmico ao nível do conteúdo que o seu antecessor, e com uma igual fidelização de público. Enquanto isto, “o verdadeiro artista” apresentava todos os sábados o programa Parabéns, que, entre 1992 e 1996 era a grande emissão semanal do Canal 1.

1997 é o ano de regresso do “mestre” aos programas de sketches com Herman enciclpédia (RTP, 1997). Desgraça de audiências, fenómeno em impacto social – fica o paradoxo para caso de estudo no que respeita às análises de audiências em Portugal.

Herman 98 e Herman 99 são os projetos que se seguem. Formato talk-show, em direto e a partir de um teatro (primeiro em Lisboa, depois no Porto), e também com regularidade semanal.

A SIC é indissociável do nome do humorista a partir do ano 2000, na medida em que se inicia o seu processo de transferência para este canal. O intuito era o de apresentar um programa no mesmo formato, mais atractivo que os predecessores, com um cenário mais alegre, mais humor, mas uma plateia que continuava a parecer um teatro (com aproximadamente 300 pessoas). Durou 6 anos e teve o nome de HermanSic, sendo que em 2007 Herman é convidado a desenvolver um projecto unicamente de humor com duração de 46 programas chamado Hora H. Este acabaria por vir a concorrer no Festival de Monte Carlo, dedicado à área, com outros gigantes como The office.

Chamar a música é dos últimos projectos que Herman conduz na estação de Carnaxide, juntamente com A roda da sorte.

De regresso à RTP em 2010, com o talk-show Herman2010, o humorista consegue fidelizar audiência àquele horário no canal público, mantendo tal façanha ao momento, com o Herman2011.

Galardoado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago de Espada, em 1992, pelas mãos do então presidente da Republica Mário Soares, Herman José conta ainda com 12 Globos de ouro (sendo um deles o de Mérito e Excelência), incontáveis prémios do jornal de artes Sete, e de outras entidades que investiram no reconhecimento artístico nacional.

A um dos maiores humoristas portugueses, os nossos parabéns!

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Televisão do Futuro?

16 Mar

Longe vão os tempos em que a RTP detinha o monopólio de canais. Hoje, são vários os canais por cabo existentes, para satisfazer todo o tipo de preferências dos consumidores, para não se restringem ao que é imposto pelos canais tradicionais.

Com o progresso tecnológico, a internet ficou acessível à maioria da população. Ao aumento do número de pessoas que frequenta a internet, corresponde o aumento do número de sites de todo o tipo que, na maioria dos casos, se torna um negócio para os fundadores.

É neste mundo comercial que surgem as streams. Com o passar dos dias, vão aumentando o número de sites que disponibilizam links para a população que não tem acesso aos canais por cabo poderem visualizá-los. Estes links, na sua esmagadora maioria, destinam-se aos canais por cabo que requerem uma mensalidade maior, e inacessível a uma larga maioria, como a SportTv em Portugal ou os canais TVCine.

Com tudo isto, surgem indubitavelmente duas perguntas: Com a internet tão acessível, será necessário assinar esses canais que obrigam a despender mais dinheiro quando cada vez existem mais sites onde se pode visualizá-los? Serão as streams uma concorrência ameaçadora a esses canais?

A primeira pergunta é uma das fulcrais para melhor estender este “fenómeno das streams”. De facto, a acessibilidade da internet é muito maior do que a acessibilidade dos canais por cabo, sobretudo dos referenciados anteriormente, com mensalidade considerável. Muitas pessoas fazem do seu computador a sua televisão, pela qualidade apresentada pelas streams que, embora nunca comparada à qualidade “real” dos canais, é bastante aceitável e, com certeza, que essa diferença de qualidade, para muita gente, compensa pois são menos despesas mensais.

Quanto à segunda questão, naturalmente que irão começar a surgir ecos de insatisfação por parte dos proprietários das empresas dos canais pagantes, como a SportTv. Sem as streams, provavelmente haveria mais assinantes desses canais. Com o progressivo aumento de qualidade desta “segunda Tv.”, o melhor para os proprietários dos canais é que repensem nos preços das mensalidades.

Com “o andar da carruagem”, as streams terão cada vez mais qualidade, podendo ser uma ameaça bastante séria. Cuidado com as streams, elas chegaram, viram e prometem uma afirmação definitiva como televisão alternativa, de qualidade.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

O serviço público e o mercado

13 Mar

Apesar de toda a evolução da rádio e da televisão ao longo das últimas três décadas, a legitimidade do serviço público continua muito ancorada no seu contributo positivo, insubstituível e diversificado: uma programação mais qualificada e atenta à inovação do que a dos seus concorrentes comerciais; o seu consequente papel regulador do mercado audiovisual; as preocupações com a programação cultural ou relacionada com os gostos das minorias e com os interesses sociais de reduzida expressão; a salvaguarda de programas e canais (ou serviços de programas) de nulo interesse comercial; a certeza do seu capital ser nacional num quadro empresarial cada vez mais preenchido por multinacionais e poderosos operadores de telecomunicações, o papel pioneiro no multimédia e na mobile tv; etc.

Afinal, são estes basicamente os argumentos que fundamentam o inabalável e continuado consenso existente há largas décadas em torno da sua existência, expresso num vasto conjunto de documentos, alguns deles bem recentes, aprovados em diversas instâncias europeias, com o contributo de todos os governos dos países deste continente.

Infelizmente – sendo crassa a ignorância com que alguns jornalistas e políticos falam sobre este tema… -, poucos terão alguma vez lido esses textos.

Há, porém, um outro argumento menos utilizado neste debate sobre o serviço público – as consequências de uma eventual privatização do operador público ou de parte dele para todo o mercado dos media e das indústrias audiovisuais.

Admitamos, como mero exercício, que a RTP1 seria privatizada, como alguns preconizam. O novo operador comercial não teria, deste modo, os mesmos limites específicos de emissão de publicidade – a RTP não pode ultrapassar os seis minutos por hora, metade dos concorrentes -, nem perderia tempo a conceber uma programação que não visasse maximizar as audiências.

As consequências não seriam difíceis de calcular.

A curto prazo, o mercado publicitário teria de repartir-se por três operadores em concorrência directa, com uma inevitável redução do bolo de cada um.

No entanto, o contexto actual agravaria substancialmente a sua situação. Em primeiro lugar, porque a crise económica tem provocado uma diminuição do mercado publicitário na televisão. Em segundo lugar, visto que o inevitável aumento do número de canais de acesso livre decorrentes do fim das emissões analógicas, previsto para Abril de 2012, agudizará substancialmente a fragmentação das audiências e, em consequência, do volume de publicidade. Em terceiro lugar, porque a inovação tecnológica, nomeadamente através dos guias electrónicos de programação, agiliza crescentemente a capacidade de muitos consumidores para ultrapassar os intervalos publicitários, facto que não será completamente compensado pelas recentes alterações legislativas que permitirão, em várias situações, a colocação de produto. Em quarto lugar, porque, como vários estudos vêm demonstrando, as novas gerações encontram mais na Internet do que na televisão uma resposta adequada à sua procura de novos meios de entretenimento, informação e cultura.

A privatização da RTP1 seria pois – não hesito em dizê-lo! – um grave erro, com tremendas consequências para os operadores privados.

Mas não apenas para estes. O aumento do número de operadores faria baixar o preço da publicidade, com reflexos nos outros meios – rádio e imprensa. A inevitável redução das receitas dos operadores de televisão obrigaria também a uma clara redução dos investimentos em alguns produtos televisivos, acarretando graves perdas na indústria audiovisual e, em consequência, uma diminuição na própria qualidade da programação difundida.

*Professor universitário e ex-Secretários de Estado da Comunicação Social.

Alberto Arons de Carvalho escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico.

Cândida Pinto

5 Mar

Rádio, imprensa, televisão. Cândida Pinto passou por vários meios de comunicação mas foi no pequeno ecrã que se consagrou como uma das mais conceituadas e premiadas jornalistas portuguesas. Licenciada em Comunicação Social pelo Instituto de Ciências Sociais e Políticas, cedo mostrou o seu interesse pelo jornalismo. Começou na Antena 1, ainda como estagiária, e passou pela TSF antes de chegar à RTP, onde se iniciou no jornalismo televisivo e o assumiu como prioridade na sua carreira.

Dedicada quase exclusivamente à produção de reportagens, Cândida Pinto acompanha o nascimento do primeiro canal privado da televisão portuguesa e junta-se à SIC em 1992, estação onde se notabilizou. A reportagem de guerra foi o segundo grande pilar do seu percurso e fê-la passar por cenários como Angola (1994), Guiné (1998), Kosovo (1999), Timor e Afeganistão (2001).

A sua rápida ascensão na Sociedade Independente de Comunicação valeu-lhe o cargo de Diretora da SIC Notícias, em 2001, proposta que representou uma viragem na sua carreira e que foi encarada como um grande desafio. Fiel à sua paixão, colaborou ainda com a BBC rádio e deixa a televisão em 2005 para se tornar subdiretora do Expresso, onde voltou a fazer valer a aposta do grupo Impresa no seu rigor e objetividade.

De regresso aos estúdios, assume, em 2008, o comando da Grande Reportagem (SIC), funções que ainda ocupa atualmente e que lhe asseguraram o reconhecimento dos seus pares. Entre outros prémios e menções, o relato do dia a dia dos jovens órfãos de Moçambique na reportagem Eu e os meus irmãos foi distinguida com o prémio AMI – jornalismo contra a indiferença, marcando o registo que sempre seguiu no acompanhamento de realidades complexas e desconhecidas do grande público.

Mulher dos sete ofícios e cidadã do mundo, Cândida Pinto não recusa o acompanhamento da cena internacional. A prova disso é que está neste momento na Líbia a acompanhar todos os conflitos e a assistir aos massacres que tantas vezes marcaram os seus trabalhos. “É um privilégio ser testemunha direta do que muda no mundo”, afirma.

Questionada pelo Clique acerca do futuro do jornalismo em Portugal, Cândida Pinto confessa que espera mais rigor e investigação. Numa altura em que tanto se fala de uma crise de valores e do próprio sistema mediático, fica o apelo e o desejo de uma das mais notabilizadas jornalistas portuguesas.

Oito de março, oito mulheres

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

As tendências da estação

27 Feb
Por Inês Garcia |

Públicos ou privados, os canais generalistas pretendem não só manter o espectador informado e criar um laço de confiança, como também conseguir um determinado número de audiências que sejam o espelho da qualidade da informação dada. É aí que entra o Diretor de Informação. Um cargo envolto, por vezes, em alguma controvérsia, na medida em que é ele o responsável pelos conteúdos apresentados e pela gestão dos mesmos.

Nos últimos anos, as mudanças ao nível das direções de informação foram várias. Estas alterações, que influenciam indubitavelmente os lugares cimeiros do top de audiências, são diferentes de estação para estação e o seu impacto é igualmente diverso. A instabilidade diretiva pode ser grave para o canal, mas o mediatismo que decorre das mesmas, nomeadamente através da imprensa, que por vezes alimenta as polémicas, nem sempre é negativo.

José Rodrigues dos Santos, um dos principais nomes do panorama jornalístico, foi Diretor de Informação da RTP em dois momentos distintos e consolidou a sua posição como um dos profissionais portugueses mais mediáticos. Em novembro de 2004, pediu a demissão da Direção de Informação juntamente com a restante equipa na sequência de uma alegada interferência da administração do canal público em critérios editoriais, designadamente na nomeação de Rosa Veloso como correspondente especial em Madrid. Foi já sob a direção de Luís Marinho, o seu substituto, que este caso voltou às luzes da ribalta, tendo a RTP aberto um inquérito ao antigo Diretor com vista a esclarecer a situação que levou o jornalista a abandonar a direção.

Depois de Luís Marinho, surgiu José Alberto Carvalho, ascendendo de Subdiretor a Diretor de Informação da RTP. Juntamente com Judite de Sousa, criaram uma equipa que conseguiu manter o Telejornal como o preferido dos portugueses, sendo muitas vezes eleito como o mais credível e rigoroso no seio da população.

Atualmente a estação pública encontra-se sem um Diretor de Informação fixo, tendo os subdiretores José Manuel Portugal, Luís Costa, Miguel Barroso e Paulo Sérgio assumido a direção de forma interina. A saída, aparentemente repentina, de José Alberto Carvalho e Judite de Sousa para a TVI deixou os colaboradores da estação surpresos e a RTP numa situação delicada. Fala-se agora de uma reestruturação nos cargos diretivos e o regresso de Rodrigues dos Santos ou de Nuno Santos, antigo Diretor de Programas da RTP atualmente na SIC, são algumas das hipóteses apontadas nos últimos dias.

José Alberto Carvalho chega então à TVI colmatando o vazio deixado por Júlio Magalhães na Direção. Ocupando o cargo desde setembro de 2009, Júlio Magalhães devolveu à TVI a estabilidade depois da saída de João Maia Abreu. O então Diretor de Informação, juntamente com o restante elenco diretivo, demitiram-se na sequência da decisão dos quadros diretivos da estação em retirar do ar o Jornal Nacional de 6.ºFeira, fruto da polémica que o envolveu, chegando o Primeiro-ministro, José Sócrates, a apelidar o jornal de “travestido” e acusar a informação da TVI de o perseguir.

Aquando da sua saída da Direção, não obstante a continuação no topo das audiências, a estação sofreu momentos de grande agitação que culminaram com o afastamento de Manuela Moura Guedes do ecrã, e mais tarde com a rescisão do contrato que ligava ambas as partes. A jornalista foi para a SIC.

A indefinição resolveu-se com Júlio Magalhães que agora, passados 18 meses, apresenta a sua demissão evocando motivos pessoais, continuando, no entanto, nos quadros da empresa como Diretor da redação do Porto.

Aparentemente longe das polémicas e confusões causadas por estas trocas, encontra-se a SIC. Emídio Rangel foi o primeiro Diretor de Informação, em 1992, a convite de Francisco Pinto Balsemão. Manteve esse cargo, juntamente com o de Diretor de Programas, acompanhando o lançamento dos canais temáticos SIC Notícias, SIC Gold e SIC Radical, até 2001, ano em que foi convidado para ser Diretor de Informação da RTP. O canal público voltou então a ser alvo de uma mudança de direção, mas por pouco tempo. Apenas um ano depois, José Rodrigues dos Santos voltou para o cargo que havia ocupado anteriormente.

Para substituir Rangel surgiu Alcides Vieira, jornalista pertencente aos quadros do canal desde a sua formação. Apesar de se falar da eventual promoção de Rodrigo Guedes de Carvalho a diretor, Vieira encontra-se seguro na Direção de Informação da SIC há 10 anos, constituindo um exemplo da estabilidade.

Resta agora ao espectador esperar para analisar o impacto que as mais recentes trocas vão ter na informação e nos canais portugueses, confiando que a qualidade, a coerência e o rigor noticioso estarão sempre presentes.

+++Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortografico.+++