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“Imprensa e Revolução”

13 Apr

No dia 6 de abril, a Associação 25 de abril, na Rua da Misericórdia, em Lisboa, recebeu reconhecidos convidados para um debate, aberto ao público, intitulado “Imprensa e Revolução”. O encontro reuniu nomes como Marcelo Rebelo de Sousa (diretor do Expresso até 1983), Jorge Correia Jesuíno (Ministro da Comunicação Social nos Governos Provisórios), José Rebelo (jornalista e correspondente em Portugal do jornal Le Monde, até 1991), Vasco Lourenço (capitão de abril e presidente da Associação 25 de abril) e José Carlos Vasconcelos (director do Jornal de Letras, Artes e Ideias), e foi moderado por António Reis, fundador do Partido Socialista.

A revolução de abril serviu de mote para a discussão sobre as principais mudanças ao nível da imprensa e da comunicação no pós-25 de Abril, momento de transição, não só a nível político, mas também de mentalidades e maneiras de olhar a comunicação social. O primeiro passo estava dado no longo caminho que culminaria na libertação da censura. Um caminho que, só por si, acarretava um enorme conjunto de responsabilidades, acima de tudo porque passar de uma situação de controlo total, por parte de organismos de censura, para uma liberdade de expressão absoluta, fazia-se sob a égide de um clima de grande tensão social e política.

Passando em revista alguns dos momentos mais marcantes da imprensa portuguesa no pós-revolução, é José Rebelo quem partilha a sua experiência internacional, referindo que na época o jornal Le Monde seleccionou uma equipa especial só para cobrir a situação vivida em Portugal, com mais de 15 jornalistas. A verdade é que “o 25 de abril veio preencher um vazio. Os acontecimentos em Portugal com os cravos nas espingardas e os jovens capitães, foram emblemáticos e marcaram uma época que é hoje fundamental na História portuguesa” .

Com uma imprensa fortemente reacionária, conservadora e impulsiva, embora “tenhamos procurado agir com bom senso, escorregámos em algumas cascas de banana”, revela Jorge Correia Jesuíno, falando sobre o convite que lhe foi feito pelo MFA para exercer funções nos organismos de comunicação social, liderados na época pelo Conselho da Revolução.

Marcelo Rebelo de Sousa discutiu a posição política assumida pelos jornais da época. A título de comparação afirma inclusivamente que também nos dias de hoje se vive uma crise na imprensa e que a importância concedida à televisão tem vindo progressivamente a tomar o lugar dos jornais.

No final, era incontornável fazer um comentário à situação atual do país e estabelecer paralelismos com a história que o público tão bem conhece e que ali foi recordada. Dava-se agora lugar à reflexão interior com algumas das últimas palavras de Marcelo Rebelo de Sousa quando partilhou com a audiência que no seu entender “o 25 de abril e a Democracia, constroem-se todos os dias”.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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O passo forte da extrema-direita francesa

31 Mar

As eleições cantonais francesas ficam marcadas pela vitória do Partido Socialista, mas também pela ascensão da Frente Nacional de Marine Le Pen.

Este ato eleitoral pretende eleger os conselheiros gerais de cada departamento, sendo este último a principal divisão administrativa de França – ao todo, o território francês detém 100 departamentos. As eleições decorrem segundo um sistema eleitoral maioritário de duas voltas.

Na segunda volta a 27 de março, segundo o Le Figaro, o Partido Socialista (PS) presidido por Martine Aubry, saiu vencedor com 36,2% dos votos, sendo seguido pelo UMP (União para um Movimento Popular, de Jean François Copé e Sarkozy) com 18,6% e pela Frente Nacional (liderado pela filha do fundador Jean-Marie Le Pen), que registou 11,56% da votação. Foi verificada uma abstenção recorde: 55% dos cidadãos não exerceram o direito de voto.

As escolhas dos franceses refletem-se nas previsões para as presidenciais em abril de 2012: uma sondagem recente revela que Dominique Strauss-Kahn, o presente diretor de Fundo Monetário Internacional, poderá alcançar 34% dos votos, superando Nicolas Sarkozy – com 17% – e Marine Le Pen, detentora de 21% das intenções de voto.

Após a primeira volta, que já prometia resultados favoráveis à FN, Aubry apelou à «derrota da extrema-direita», o que não sucedeu. Le Pen festejou os resultados, sentenciando que o «sistema UMP-PS vai desabar», e a sua Frente Nacional, cujos resultados nas presidenciais de 2002 são assinaláveis – Jean-Marie Le Pen disputou a segunda volta com Chirac – procura agora avançar na corrida partidária.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++