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E os Pulitzer vão para…

18 Apr

Joseph Pulitzer nasceu numa família húngara de origem judaica e cedo se iniciou na cena jornalística. Já nos Estados Unidos, em 1872, com apenas 25 anos, Pulitzer tornou-se editor. Desenvolveu um trabalho de jornalismo rigoroso, que denunciou por diversas vezes a corrupção política. Foi um dos pioneiros do new journalism americano e chegou a ser acusado de sensacionalismo nas publicações de que foi proprietário.

A primeira escola de jornalismo dos Estados Unidos foi fundada em setembro de 1912, através do legado intelectual e financeiro que Pulitzer ofertou à Universidade de Columbia. Pulitzer morreu nesse ano e, em 1917, os primeiros prémios Pulitzer foram atribuídos pela Universidade.

Os Pulitzer são a maior consagração no campo do jornalismo e cedo começaram a abranger a literatura, o drama e a música. Hoje, foram anunciados os vencedores de 2011.

Jornalismo

Serviço Público – Los Angeles Times

Reportagem de Última Hora – sem prémio

Reportagem de Investigação – Paige St. John do Sarasota Herald-Tribune

Reportagem Explicativa – Mark Johnson, Kathleen, Gallagher, Gary Porter, Lou SaldivarAlison Sherwood do Milwaukee Journal Sentinel

Reportagem Local – Frank Main, Mark KonkolJohn J. Kim do Chicago Sun-Times

Reportagem Nacional – Jesse Eisinger Jake Bernstein do ProPublica

Reportagem Internacional – Clifford J. LevyEllen Barry do The New York Times

Artigo de Fundo – Amy Ellis Nutt do The Star-Ledger, Newark

Comentário – David Leonhardt do The New York Times

Crítica – Sebastian Smee do The Boston Globe

Editorial Escrito – Joseph Rago do The Wall Street Journal

Cartoonismo Editorial – Mike Keefe do The Denver Post

Fotografia de Última Hora – Carol Guzy, Nikki KahnRicky Carioti do The Washington Post

Fotografia de Fundo – Barbara Davidson do The Los Angeles Times

Literatura, Teatro e Música

Ficção – “A Visit from the Goon Squad” de Jennifer Egan

Drama – “Clybourne Park” de Bruce Norris

História – “The Fiery Trial: Abraham Lincoln and American Slavery” de Eric Foner

Biografia – “Washington: A Life” de Ron Chernow

Poesia – “The Best of It: New and Selected Poems” de Kay Ryan

Não-Ficção Geral – “The Emperor of All Maladies: A Biography of Cancer” de Siddhartha Mukherjee

Música – “Madame White Snake’” de Zhou Long


+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Eduardo Souto Moura – Prémio Pritzker

18 Apr

O dia 28 de março foi o escolhido para a revelação do vencedor da 33ª edição do Pritzker Architecture Prize. Descrito pelo júri do Prémio Pritzker como «um arquiteto fascinado pela beleza e autenticidade dos materiais», Eduardo Souto de Moura, de 58 anos, vê os seus mais de 60 projetos serem reconhecidos à escala mundial. Relatadas como se de poemas se tratassem, as obras do arquiteto: «têm uma capacidade única de transmitir aparentemente características conflituantes como a potência e modéstia, coragem e subtileza, ousadia e simplicidade (…) – ao mesmo tempo», segundo a opinião do júri.

O vencedor daquele que é o Nobel da Arquitetura, Souto de Moura fala dos projetos de «arte social» que tem desenvolvido e do país que os tem recebido.

A proposta de criar um prémio que homenageasse arquitetos vivos chegou à família Pritzker, ligada ao ramo de conceção e construção de hotéis em Chicago, que  a aceitou por se tornar consciente da dimensão «que o impacto da arquitetura pode ter no comportamento humano».

Pode ler-se ainda no site oficial do prémio que o objetivo seria «encorajar e estimular não apenas uma maior sensibilização da opinião pública dos edifícios, mas também inspiraria maior criatividade dentro da profissão de arquitetura.» Fundado em 1979, atribuiu o primeiro prémio a Philip Johnson, de Ohio. O galardão combina, para além do inerente prestígio, um prémio no valor de 100 mil dólares (71 mil euros) e uma medalha de bronze com base nos desenhos de Louis Sullivan, arquiteto de Chicago, o “pai” dos arranha-céus.

Qualquer arquiteto licenciado pode apresentar uma candidatura para Diretor Executivo à consideração do júri do Prêmio Pritzker de Arquitetura. As candidaturas são aceites no primeiro dia de novembro de cada ano. O júri é constituído por profissionais reconhecidos em seus próprios campos da arquitetura, negócios, educação, publicação e cultura e as pistas o conquistar encontram-se na medalha de bronze, que relembra os princípios fundamentais do arquiteto romano Vitrúvio: «firmeza, comodidade e encanto»

Nove anos depois de ter sido atribuído o primeiro prémio a um arquiteto português, Álvaro Siza Vieira (poderá ver o vídeo da entrega do prémio aqui), Souto de Moura volta a atrair as atenções para o que de bom se faz em Portugal. Desde casas unifamiliares, a cinemas, escolas de música, centros comerciais, hotéis, apartamentos, escritórios, instituições, galerias, museus, escolas, instalações desportivas e até o próprio metro do Porto, o arquiteto sabe como tornar a sua obra única e inconfundível.

É por essa razão que, desde que se licenciou, em 1980, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, tem vindo a receber os mais variados prémios e participado numa extensa bibliografia. Tem sido várias vezes abordado para leccionar nas mais conceituadas escolas de arquitectura, actividade que iniciou em 1981 na Faculdade de Arquitectura do Porto, mas que já o levou a dar aulas nas escolas de Paris-Belleville, Harvard, Dublin, Zurique e Lausanne.

Na conferência de imprensa que deu aquando o anúncio oficial, o premiado desta edição revelou ter ficado surpreendido com a escolha do júri e destaca a importância que o prémio tem na conjuntura atual: «Aconteceu hoje uma coisa positiva. Uma coisa que não acontece muito em Portugal, porque todos os dias há mais um juro, mais um empréstimo, mais uma queda do governo, mais uma mentira…»

O arquiteto apelida, ainda, Portugal como «um país de contrastes», que tem tanto de bom como de precário e fala da emigração como a solução para a «geração à rasca», até mesmo para os alunos que saem da única instituição do mundo que gerou dois vencedores do prémio, a Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, reconhecida pelo seu nível de exigência e excelência e pela forma como os seus alunos se dedicam, procurando sempre alcançar a perfeição. «O país está com o teto muito baixo e estes prémios são alavancas para levantar o país. Isto acontece não só na arquitetura, no futebol, na ciência mas também na literatura», destaca o arquiteto.

A um herói desconhecido

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++