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«Da Irlanda, com amor»

16 Apr

«Querido Portugal». É de forma irónica que começa a carta do jornal irlandês, Sunday Independent, que se destina a Portugal. «Daqui quem te escreve é a Irlanda», continua. «Sei que não nos conhecemos muito bem e não me quero intrometer, mas li notícias sobre a situação portuguesa e sinto-me capaz de oferecer alguns conselhos».

Tendo a crise financeira como pano de fundo, o jornal garante que «a ajuda do FMI não vai tirar o país de dificuldades» e satiriza que, apesar de Portugal ter o inglês como a segunda língua, a palavra «ajuda» pode não ser levada a sério: «Permitam-me que vos avise. Essa ajuda (…) vai prolongar os vossos problemas para as gerações futuras». Desta forma, Portugal pode dispensar todas as formas de agradecimento, pois são consideradas irrisórias.

Abordando a questão da queda do governo com «um pequeno sorriso», aconselha Portugal a saborear o «cheiro a tinta fresca» quando mudar a governação e quando a economia sofrer uma transformação, que muitos esperam ser positiva.

Contudo, é ainda num tom jocoso que o artigo afirma haver um ponto positivo. Por entre as linhas da ironia, pode ler-se que «o golf aqui tornou-se um jogo muito competitivo. Provavelmente o mesmo vai acontecer aí e esperamos que dê para nos reunirmos para uma partida».

A carta chega, então, ao fim e pode ser encarada como um «aviso amigo» de um país que já passou pelos mesmos caminhos que Portugal ainda terá que atravessar. Quanto à despedida, é feita…«com amor».

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

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Fail No More: Oposição destrona maior partido irlandês

27 Feb
por Pedro Miguel Coelho |
O resultado das eleições antecipadas realizadas sexta-feira já são conhecidos.

Brian Cowen, o líder do governo cessante, é culpado pelo eleitorado pela falha de todo o projeto económico nacional, em 2008 e apesar de só ter governado durante dois anos, são lhe apontadas todas as falhas do Fianna Fail, no governo desde 1997.

O ato eleitoral, previsto para 11 de março, acabou por ser antecipado para sexta-feira devido à pressão da oposição, embora as metas orçamentais acordadas com as autoridades internacionais tenham sido cumpridas.

Várias medidas impopulares e os pedidos de ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e ao FMI acabaram por precipitar a queda do governo Fianna Fail, que já tinha perdido a coligação feita com os Verdes e enfrentado a demissão de seis ministros.

Contas Finais

Os resultados confirmaram as sondagens realizadas à boca das urnas e a vitória foi para o centrista Fine Gael, com 36,1% dos votos e 70 dos 165 lugares no Parlamento, seguido pelo Labour com 19,4% dos votos e 19 deputados.

Estes dois partidos devem constituir uma coligação para formar governo, embora também seja apontado como cenário possível o recurso do Fine Gael a deputados independentes para consolidar a maioria que lhe escapou por 13 mandatos.

O Fianna Fail, força política com maior influência desde a independência irlandesa, teve um já esperado desaire eleitoral, com um resultado de 17,4% e apenas dezasseis deputados eleitos. Um castigo pesado e que valeu o pior resultado de sempre ao partido, numa queda avassaladora de quase 25 pontos percentuais face às Legislativas de 2007 e uma perda de 57 representantes no hemiciclo. Recordamos que este movimento nunca alcançou, em Legislativas anteriores, uma percentagem inferior a 39%.

Em destaque fica ainda o partido nacionalista Sinn Féin, que subiu aos 9,9% de votos e alcança 12 lugares no Dail. Os deputados independentes capitalizaram o descontentamento e chegam a históricos 12,6%.

O red card imposto pelos eleitores ao partido do Governo ganha ainda mais força se tivermos em conta que a participação nestas eleições foi superior a 70%, um valor histórico.

Fine Gael com melhor resultado em 29 anos

Os resultados hoje divulgados apontam para o melhor resultado dos centristas desde 1982.

O partido deverá apresentar um programa de governo bastante liberal na economia e Michael Noonan, apontado como o próximo ministro das Finanças, assumiu, em entrevista ao Diário Económico, que “o acordo de resgate de 85 milhões de euros não foi um bom negócio” para a Irlanda e que está disposto a rever os termos do “acordo com o FMI e com a UE”, de maneira a melhorar as condições para o país.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++