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Jovens dependentes dos gadgets

11 Apr

Recentemente, a Universidade de Maryland, nos EUA, efetuou um estudo sobre a relação entre os jovens de idade universitária e os gadgets com acesso à Internet, e revelou que existem sintomas de vício nos sujeitos envolvidos no estudo.

Realizado com mais de mil pessoas, de vários países dos cinco continentes, que se ofereceram para “se afastarem” dos seus gadgets, os intervenientes deste estudo apresentaram sintomas de abstinência característicos de quem tem um vício. Isto significa que, apesar de todas as limitações relativas a este tipo de estudos, existe um indicador forte de que a Internet tem-se aproximado cada vez mais das pessoas, e as pessoas, invariavelmente dos seus conteúdos.

Comprar um iPhone, um Samsung Galaxy S, ou qualquer outro terminal com características de smartphone, é quase o mesmo que dizer “Tenho o mundo na palma da mão”. O facilitismo apresenta-se como uma ferramenta útil, prática e célere, que acompanha o ritmo que o mundo surpreendentemente nos apresenta.

No entanto, a dependência provocada por uma utilização exaustiva deste tipo de equipamentos com Internet revela que existe uma mudança na forma como tendencialmente se acede aos conteúdos digitais de informação, entretenimento, etc.

Em primeiro lugar, qualquer vício, seja ele qual for, é sempre uma forma de pisar o risco ao autocontrolo e à saúde.  Em segundo lugar, os efeitos secundários desta dependência podem originar outro tipo de problemas, como o acesso a um excesso de informação que inunda os circuitos da Internet.

Com a rapidez e a competitividade online, os assuntos tratados pelos jornais correm o risco de se tornarem menos aprofundados. Ainda para mais se forem consultados através de um equipamento com um ecrã pequeno, como é o caso dos smartphones, ou no caso dos tablets. Parece existir uma urgência pela síntese, mas o perigo da síntese é camuflar a informação mais profunda, os detalhes que são mascarados por informação simplista. A informação é tratada com menos profundidade.

A dependência da Internet “a toda a hora” favorece um maior acesso a conteúdos, mas cada vez menos aprofundados. Depois, claro, existem outro tipo de riscos de dependência sintomáticos de um comodismo crescente, de um facilitismo preguiçoso, de uma cada vez menos capacidade pela procura e pela curiosidade.

Seja como for, retiram-se inúmeras vantagens desta aproximação cada vez maior aos conteúdos em rede, mas o segredo para uma interação saudável pode residir, como é comummente aceite, no equilíbrio.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Aplicações: o novo bem essencial

28 Mar

Recentemente a Apple aprovou uma aplicação “para curar gays” que dias depois foi retirada da App Store; a RIM anunciou que o tão aguardado BlackBerry PlayBook deverá incluir aplicações Android; e o exército norte-americano está a trabalhar numa série de aplicações de smartphone para Android, iPhone e iPad, com o objectivo de ajudar as suas forças no terreno. E estes são apenas alguns factos recentes…

As aplicações já não servem apenas para serem instaladas nos nossos equipamentos e para nos serem úteis. Elas estão cada vez mais nas páginas dos jornais.

Os desígnios tecnológicos têm-se vindo a alterar graças a vários fatores. Mas existe um que é paradigmático – facilitar a nossa vida. Ninguém duvida que a introdução do telecomando foi a grande mudança. Já ninguém tinha que se levantar para mudar de canal (em primeiro lugar, ato que desgastava; em segundo lugar, como desgastava ficava-se mais  tempo no mesmo canal).

Nesse sentido, a tecnologia tem-se afunilado, ou melhor, afastado das linhas de ação. Se com o computador Spectrum os próprios utilizadores eram obrigados a lerem infindáveis manuais de códigos para fazer o brinquedo andar (muitas vezes sem sucesso), hoje em dia, cada vez menos, temos que nos preocupar com isso.

Digamos, a bom português, que a papinha vem toda feita. E o melhor exemplo disso são as aplicações.  Podemos descarregar uma aplicação à distância de um clique já que o objetivo das marcas e das operadoras é reduzir o tempo que vai da indecisão (ou da decisão) à compra.

Mas acima de tudo, é esse afastamento, que vai da produção ao consumo, que tem vindo a alterar, de facto, a nossa interação com a tecnologia. É como o menino da cidade que nunca viu uma galinha a pôr um ovo, mas vê a mãe no supermercado a comprar ovos. Quando come aquilo, sabe-lhe a ovo (porque é mesmo um ovo) mas o seu consumo é, digamos, ligeiramente kafkiano.

Se alguém pensa que uma aplicação vai permitir “curar a homossexualidade” é a prova de que se quer facilitar a vida ao extremo. É um marco exemplar da geração do botão. Assume-se comummente que estes programas vêm facilitar a nossa vida, mas questiona-se a sua componente de produto acabado e pronto a ser consumido.

No entanto, é certo que já ninguém quer inserir códigos estranhos em MS-DOS, ou descobrir, entre infindáveis opções num telemóvel, onde está a simples ferramenta que se chama “Calculadora”. O paradigma é esse. A mudança é exatamente essa. Queremos consumir (apenas) e as marcas querem que nós (apenas) consumamos.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++