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A chatice da pornografia

4 Apr

Chamar à pornografia uma chatice, ou mais parcimoniosamente, a dor de cabeça da Internet, é não só a prova viva de um falso pudismo como uma mentira perniciosa. Há alguns dias atrás a ICANN decidiu aprovar a proposta para a criação do domínio .XXX – uma espécie de anexo para conteúdos pornográficos pomposamente preparado dentro do terreno fértil da rede. O assunto da pornografia veio novamente à baila.

Apesar de serem inegáveis a atribuição de alguns dados históricos e pioneiros à pornografia, como o facto de o primeiro sistema de pagamento direto online ter começado a aparecer em sites da especialidade, o dogma anti-pornográfico perdura, por diversas e compreensíveis razões, ou simplesmente por justificações meramente insípidas.

Por isso, agora, com o seu próprio lugar, preparado e legitimado para servir a indústria pornográfica, a pergunta que coloca é: como se vai processar a interação entre a pornografia, os consumidores, os pais e a protecção das crianças, e a dinâmica económica da indústria?

Stuart Lawley, diretor executivo da ICM Registry, afirmou, aquando da aprovação, que “a decisão da ICANN aprovar a criação do domínio .XXX é um momento marcante para a Internet.” Por outro lado, e apesar de algumas alas da indústria da pornografia terem gerado uma certa pressão para o nascimento do domínio, Diane Duke, diretora executiva da Free Speech Coalition, uma associação que representa mais de mil empresas de pornografia, disse ao New York Times que “a indústria está unanimemente contra.”

Além disso, a Índia (país de matiz sensual, com assinatura orgulhosa do Kamasutra) foi o primeiro a bloquear o domínio.

Por um lado, o fechamento e o rótulo de .XXX a um universo muito específico pode facilitar e legitimar o acesso a conteúdos pornográficos; por outro lado pode fechar a indústria e afasta-lo do restante universo online – situação esta que irá certamente favorecer a proteção de menores, mas virar do avesso as contas de alguns setores da indústria porno.

Mas no fundo, surge sempre uma estranheza perante este mundo tão inocentemente descoberto em tenra idade, e dogmaticamente afastado (por razões de pudor) das vistas humanas. A criação de um espaço muito específico para a pornografia não só a legitima como ao mesmo faz com que esta não se dissemine. Torna-se algo compacto, arruma-se, e ornamenta-se um lugar só para ela.

Por outro lado, recentemente a conhecida empresa de segurança online Kaspresky declarou que bloqueia em média três mil pesquisas por minuto de sites de pornografia. E é comummente conhecido que as palavras relativas ao acto sexual (depravado ou não) dominam por várias vezes o ranking das pesquisas.

Parece existir aqui, portanto, uma espécie de hibridez estável. A procura por pornografia e sexo é algo inevitável. Goste-se ou não se goste, a pornografia tem uma importância sólida nos circuitos cibernéticos de consumo. Quanto ao futuro do novo domínio, a única certeza que parece existir é de que agora em diante já não há desculpas para poder dizer “vim cá parar sem querer, querida”.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

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A r@dio em conferência

27 Mar

Os meios de comunicação têm sofrido alterações ao longo dos últimos anos. Com o despontar da “caixa mágica”, alterações aos modos de vida e aumento do impacto da imagem, a rádio foi obrigada a adaptar-se a todas estas situações, chegando mesmo a temer-se a sua extinção, mais concretamente, após o surgir da televisão. Nos nossos dias, a grande adversária da rádio já não é a televisão, mas sim a internet.

O debate em redor da rádio e a internet foi uma constante na “R@dio em Congresso”, na passada quinta e sexta-feira. David Hendy, um historiador dos media da universidade de Westminster, abordou todos os jovens presentes como sendo a geração que mais tempo despende online. No entanto, referiu que este aspeto também tem fatores positivos, tais como a interação, a criatividade e a motivação.

Nesta segunda edição da “R@dio em Congresso”, realizada no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP), Guy Starkey, professor de rádio e jornalismo e diretor do departamento de Comunicação da Universidade de Sunderland, afirmou que a telefonia sem fios é capaz de se moldar às novas adversidades e ultrapassá-las da melhor forma.

Rui Pêgo, locutor de rádio português e diretor de programas da RDP, foi outra das personalidades a marcar presença. Partilhando da opinião anterior, Pêgo não receia a extinção da rádio. Para sustentar a sua tese utilizou como principal argumento a característica, praticamente exclusiva, da portabilidade na rádio. Apontou também alguns dos problemas que as rádios digitais portuguesas possuem e que dificultam o seu desenvolvimento.

O Facebook e o Twitter, segundo Luís Montez, fundador da XFM e que pertence à empresa “Música no Coração”, são hoje em dia uma mais valia para a verificação dos tipos de audiência e das suas preferências.

Daniel Karlson, especializado em web rádio e vice presidente do Ando Media Group, por sua vez, considera que o fator interatividade é importante neste meio mas deve ser encarado com comedimento. Para esta interatividade tem contribuído a utilização crescente de vídeos nas rádios virtuais.

Nestes dois dias em que decorreu o Congresso foi muitas vezes relembrado o tema Video Killed The Radio Star, dos The Buggles. Contudo, a grande conclusão a que se chegou foi a seguinte: a rádio continua sã e preparada para enfrentar todos os desafios dos nossos dias.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Televisão do Futuro?

16 Mar

Longe vão os tempos em que a RTP detinha o monopólio de canais. Hoje, são vários os canais por cabo existentes, para satisfazer todo o tipo de preferências dos consumidores, para não se restringem ao que é imposto pelos canais tradicionais.

Com o progresso tecnológico, a internet ficou acessível à maioria da população. Ao aumento do número de pessoas que frequenta a internet, corresponde o aumento do número de sites de todo o tipo que, na maioria dos casos, se torna um negócio para os fundadores.

É neste mundo comercial que surgem as streams. Com o passar dos dias, vão aumentando o número de sites que disponibilizam links para a população que não tem acesso aos canais por cabo poderem visualizá-los. Estes links, na sua esmagadora maioria, destinam-se aos canais por cabo que requerem uma mensalidade maior, e inacessível a uma larga maioria, como a SportTv em Portugal ou os canais TVCine.

Com tudo isto, surgem indubitavelmente duas perguntas: Com a internet tão acessível, será necessário assinar esses canais que obrigam a despender mais dinheiro quando cada vez existem mais sites onde se pode visualizá-los? Serão as streams uma concorrência ameaçadora a esses canais?

A primeira pergunta é uma das fulcrais para melhor estender este “fenómeno das streams”. De facto, a acessibilidade da internet é muito maior do que a acessibilidade dos canais por cabo, sobretudo dos referenciados anteriormente, com mensalidade considerável. Muitas pessoas fazem do seu computador a sua televisão, pela qualidade apresentada pelas streams que, embora nunca comparada à qualidade “real” dos canais, é bastante aceitável e, com certeza, que essa diferença de qualidade, para muita gente, compensa pois são menos despesas mensais.

Quanto à segunda questão, naturalmente que irão começar a surgir ecos de insatisfação por parte dos proprietários das empresas dos canais pagantes, como a SportTv. Sem as streams, provavelmente haveria mais assinantes desses canais. Com o progressivo aumento de qualidade desta “segunda Tv.”, o melhor para os proprietários dos canais é que repensem nos preços das mensalidades.

Com “o andar da carruagem”, as streams terão cada vez mais qualidade, podendo ser uma ameaça bastante séria. Cuidado com as streams, elas chegaram, viram e prometem uma afirmação definitiva como televisão alternativa, de qualidade.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++