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Trincar depois de trincado

21 Mar

A maçã está trincada porque convida a darmos-lhe outra trinca. E utilizando sempre a mesma analogia do Génesis, a serpente do Paraíso convenceu Eva a colher o fruto proibido da mesma forma que a Apple nos convence a trincar os seus produtos.

Esta analogia só pisa o risco se tivermos em conta que a serpente bíblica não teria, à partida, qualquer interesse prático em que um ser humano coma do fruto do conhecimento (claro, a não ser a mando de Deus, como se viu – nem quero imaginar o numerário que lhe recheou a conta).

A Apple assume a forma da maçã já trincada, ou seja, quem a trincar agora está, aparentemente, livre do pecado original, pela culpa de ter gasto mais de 2 mil euros num portátil. No entanto, se a maçã não estivesse já ratada simbolicamente pela primeira mulher, hoje ninguém compraria produtos da Apple. Para quê? Carregar o pecado às costas constantemente? Por cada app descarregada deixar rolar uma lágrima de arrependimento? Não! Ou era isso, ou a marca tinha de mudar de logótipo.

E parecendo que esta ideia é apenas fruto do pretensiosismo semiótico de um opinante casual, os argumentos estão em cima da mesa, e toda a gente tem inscrito na sua memória mais remota as lendas da Bíblia que a moral e a ética nos decidem contar.

Pronto, resta apenas dizer que, aparte destas teorias que remontam aos meandros da literatura mais ancestral, temos de reconhecer que os produtos são bons. Bastante bons! Ok… demasiado bons. (Quero um iPhone!) E não me faz impressão nenhuma trincar a fruta que outros já trincaram (cuidado com os trocadilhos).

Só me entristece o facto de eu hoje comprar um iPad e pavonear-me com ele, fazendo inveja no metro ao senhor que ainda lê o jornal gratuito que cheira a tinta, só porque tenho 3G, e um ano depois sair uma versão melhor que a que eu tenho. Bem, mas as marcas é que mandam, e o ritmo é louco. Talvez o Deus bíblico tivesse razão, quando tentou impedir que a humanidade não tivesse acesso às coisas boas da vida. Há sempre uma melhor, ao virar da esquina.

“+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++”

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O adeus de Phil Collins

10 Mar

Uma carreira de mais de 40 anos e uma música inconfundível. É o legado de Phil Collins, o músico britânico que confirma agora o fim do seu percurso no mundo da música.

Collins começou a sua carreira nos anos 70, na banda Genesis, como baterista. Foi a paixão pela bateria que o lançou para o estrelato mas o seu gosto por outros campos da música levou-o a vocalista da banda, depois da saída de Peter Gabriel. O sucesso comercial da mesma encaminhou-o então para aquilo que viria a ser uma bem sucedida carreira a solo.

Com hits como Another Day in Paradise, Everyday, Easy Lover e Against All Odds (Take a Look at me Now) arrecadou sete Grammys mas o auge chegou com o Óscar pela canção You’ll Be in My Heart da banda sonora do filme de animação da Disney Tarzan (1999).

No entanto, não obstante os prémios e a popularidade, isso nem sempre foi sinónimo de vendas, tendo a aparente estabilidade começado a decair no final dos anos 90. Muitos foram os rumores que estaria prestes a anunciar o final da sua carreira, confirmando-se tal decisão em 2003 quando, num comunicado aos fãs, disse que a sua carreira a solo ia terminar com uma digressão europeia. Envolto em muita emoção, Phil Collins surpreendeu quando, três anos mais tarde, divulga, juntamente com Mike Rutherford e Tony Banks, datas de concertos de uma nova tourneé, desta vez dos Genesis. A felicidade dos fãs por ver Collins de novo no activo não durou pois, em 2008, afirma de novo que se vai ausentar dos palcos.

Embora aparentemente definitivo, voltou em setembro de 2010 com o que viria a ser o seu último projeto, Going Back, um álbum de covers que atingiu o primeiro lugar no ranking de vendas britânico uma semana após o seu lançamento.

Com êxitos que compõem um currículo musical invejável, Phil Collins diz agora o seu adeus final  ao mundo da música mas, ao contrário das notícias publicadas nos últimos dias, declara na sua página oficial nada ter a ver com problemas de saúde ou com as críticas da imprensa veiculadas nas últimas semanas mas sim com a sua vontade de estar mais presente na vida dos filhos e ser “pai a tempo inteiro”. Sem mostrar qualquer remorso por abandonar os palcos, diz ainda que já não se consegue identificar com a música atual, chegando a sentir-se algo saturado.

«Sei que ainda há muitos fãs que gostam do que faço. Obrigado». É com estas palavras que Collins se despede e transmite palavras de sincero agradecimento a todos os que o permitiram alcançar um feito antes pertencente apenas a Michael Jackson e Paul McCartney: mais de cem milhões de álbuns vendidos, refletindo assim a felicidade que esteve presente ao longo de toda a sua carreira. Uma carreira de sucessos.

Recordamos aqui um dos grandes sucesso do artista, que lhe valeu um Óscar.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++