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A nova energia turca

2 Apr

A questão nuclear é o mais velho tema que se debate na Turquia, a par dos assuntos da União Europeia. Apesar da pesquisa e dos processos articulados, as tentativas de construir uma central nuclear na Turquia nunca resultaram.

Depois da eminência de um desatre nuclear em Fukushima Daiichi, no Japão, a polémica e os projetos nucleares turcos voltam à agenda internacional.

Desde 1960 que a Turquia negoceia o projeto nuclear e exige que a construção das centrais seja feita por empresas estrangeiras. Depois do concurso internacional público iniciado há três anos, as negociações foram concluídas no final de março: a Rússia ficará responsável pelos custos de 20 biliões de dólares para as infraestruturas nucleares em Akkuyu e operará durante 60 anos nesta cidade na província de Mersin, no sul turco.

O primeiro-ministro Tayyip Erdogan afirma, no entanto, que «a central vai ser um exemplo para o resto do mundo». O Governo de Ankara quer que 20% da eletricidade provenha do nuclear, em 2030. A Turquia deposita no projeto nuclear a expectativa de entrar na União Europeia.

O  ministro da Energia e dos Recursos Naturais, Taner Yildiz,  garante que o projeto seguirá adiante e que se espera que, em 2023, a Turquia tenha três centrais nucleares no ativo. Depois da negociação falhada com a Coreia do Sul para a central nuclear em Sinop (no norte do país),  Yildiz espera até junho pela resposta definitiva do Japão para o investimento.

O professor e cientista nuclear Tolga Yarman acusa  os comentários do Governo, que diz serem «uma manifestação de hooliganismo nuclear». Akkuyu irá albergar a primeira central nuclear turca e situa-se a 25 quilómetros de uma falha sísmica muito ativa. O medo de uma nova Fukushima ou de um novo Chernobyl assustam a grande maioria dos turcos, que permanece contra a energia nuclear.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

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O Mundo ao Contrário

19 Mar

As catástrofes naturais fazem sempre com que nos esqueçamos de que há acontecimentos para além disso… É natural! O mundo viveu a última semana na eminência de um desastre nuclear com dimensões incalculáveis.

Depois do sismo de dia 11 de março que matou 7200 pessoas no Japão, os reatores da central nuclear de Fukushima Daiichi estiveram em risco de explosão. Hoje, o sistema de refrigeração de dois dos seis reatores de Fukushima já funciona, graças am extremoso e incansável empenho de trabalhadores, peritos e engenheiros.

Porém, nesta semana pudemos assistir a mais do que isso. O décimo quarto Dalai Lama afirmou que não recuaria na sua decisão de abandonar a chefia política do movimento tibetano. O seu argumento foi o de que há que deixar o legado às novas gerações. Na sexta-feira, um monge tibetano imolou-se, na China. Espera-se que Pequim não instrumentalize esta transição política.

Na Líbia, a cidade de Bengasi, fortaleza dos rebeldes que estão em braço de ferro com Khadaffi, foi novamente abalada. Primeiro os bombardeamentos, depois um avião abatido e novas explosões. O governo nega, no entanto, a existência destes ataques. Na quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU decretou a interdição do espaço aéreo da cidade. Resta saber quem terá sido o autor dos ataques.

Noutros países árabes, a população não arreda pé das manifestações. Na Síria, as autoridades mataram quatro manifestantes contra o presidente Bashar al-Assad que invocavam «Deus, Síria e Liberdade», na sexta-feira. Hoje, em Sanaa, os iemenitas protestavam contra a presença do presidente Saleh no país. As forças pró-Saleh atacaram o povo em protesto e fizeram 40 mortos.

As conceções de governo e de democracia vão-se transformando no Médio Oriente, Khadaffi é obrigado a ceder pela ONU, a força da Natureza veio pôr em causa as vantagens da energia nuclear… O mundo ao contrário à distância de um Clique.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

O apocalipse de Fukushima Daiichi

17 Mar

Um sismo de magnitude de 8.9 na escala de Richter acompanhado de um maremoto devastou o Japão na passada sexta-feira (11). Foi o mais intenso da história nipónica e o quarto maior da História mundial. A região de Sendai, situada no nordeste do país, foi a mais afetada. As habitações foram arrastadas pela gigantesca onda que se levantou e os japoneses tentam recuperar com carência de água e de comida.

O estado de alerta não poderia ser mais evidente. Agora, na central nuclear de Fukushima Daiichi, também no noroeste japonês, tenta evitar-se aquela que alguns analistas dizem poder vir a ser a maior catástrofe humana de sempre. A missão é única: arrefecer os reatores que, em sobreaquecimento, poderão explodir.

São cerca de 70 os peritos e engenheiros que se encontram na central e que tentam lutar contra o pior desastre nuclear a seguir a Chernobyl, em 1986, na Ucrânia. Na quarta-feira (15), onze pessoas ficaram feridas na explosão de hidrogénio que se registou no reator 3 dos seis reatores de Fukushima.

Neste momento, o reator 4 está sem água e o 2 e 3 degradados. Em Fukushima 1, a radiação está em níveis muito elevados, segundo confirma a Autoridade de Regulação Nuclear dos Estados Unidos. As tentativas de arrefecimento dos reatores têm sido várias depois da tentativa falhada de lançamento de água a partir de helicópteros, os japoneses pensam agora em canhões de água.

As temperaturas nas barras de combustível dos reatores 5 e 6 de Fukushima aumentam progressivamente: a sua temperatura ideal é de 30 graus Celsius. Às 05h00m locais (20h00m em Portugal) as temperaturas respetivas eram de 62.7 e de 60 graus Celsius. A União Europeia já disse que, em caso de explosão dos reactores em Fukushima, se dará um «apocalipse». A Organização Mundial de Saúde defende que, no entanto,  não há perigo fora do perímetro de segurança.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) Yukiya Amano viajará para o Japão rapidamente. «Planeio viajar para o Japão tão cedo quanto possível, espero que amanhã, para ver a situação por mim próprio e aprender dos nossos homólogos japoneses como a AIEA melhor poderá ajudar», anunciou ontem Amano, também japonês, em Viena.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++