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Ao vivo e a cores

6 Apr

Os The Gift emergem das cinzas pela primeira vez em sete anos e trazem no bolso um perfume de cores e sensações vindo directamente da Índia. O álbum «Explode» retrata uma combustão de energia partilhada pela banda portuguesa, que anda em digressão pelo país. Numa entrevista ao Clique, Sónia Tavares e Nuno Gonçalves explicam onde foram buscar essa energia para lançar o álbum que os pôs directamente no top de vendas nacional.


Qual é a explosão retratada no vosso último álbum?

Sónia: É uma explosão de cores e é uma explosão de alegria e é uma explosão de vida. Pelo menos, é isso que nós queremos que o disco celebre. E, no fundo, já que andamos numa altura de crise pelo menos que as coisas boas da vida não nos faltem (e que a música seja uma delas).

Nuno: Celebramos também o amor e como ele se reflecte nas nossas vidas.

Notam-se também imensas referências a elementos da natureza dentro das vossas músicas. Essa faceta ambiental foi propositada?

N: É curioso porque a minha ideia do «Explode» é mais do que uma explosão de cor. Para mim, uma flor é uma explosão. Todo aquele movimento quando uma flor se brota é uma explosão de vida. O tema «Primavera» não veio por acaso, nem o «RGB» (que se refere às cores primárias). Temas também como «Always Better If You Wait For The Sunrise» e «Suit Full of Colours» retratam todo o positivismo que temos da vida e que queremos transmitir.

O que é que vocês procuravam durante a vossa viagem à Índia?

S: Andávamos à procura do festival Holi, que é um festival que celebra a cor durante o início da Primavera. É um festival religioso onde as pessoas pedem a bênção aos deuses. Mas, acima de tudo, fomos lá porque sabíamos que esta explosão de cor que nós falamos no nosso disco e que se vê retratada nas fotografias que tirámos é real. Ou seja, uma celebração com pigmentos de cores onde as pessoas andam todas coloridas. Amarelo, verde, vermelho e cor-de-rosa por toda a parte. Nós queríamos ir buscar isso tudo da Índia e trazer para este disco.

E o que é que vocês devolveram à terra?

S: É curioso que fales nisso porque nós andámos numa luta para ver se este disco era feito de uma forma “verde”. Acho que faz todo o sentido. Estamos em 2011 e a Terra está a dar de si. Acho importante que dediquemos todo o nosso pouco e escasso tempo à Terra e tentemos melhorar aquilo que tanto estragamos.

Agora que lançaram um novo álbum, quais são os vossos planos a nível internacional?

N: O mercado espanhol é o mercado que nós consideramos prioritário neste disco. Vamos tocar na minha sala favorita de Madrid, o Teatro Circo Price, dia 7 de Maio. Vai ser importante porque contamos com convidados bons vindos dos Estados Unidos. Planeamos também um concerto em Nova Iorque para dia 15 de Junho. Temos também uma equipa a trabalhar connosco em Nova Iorque (que é o que faltava nas última tentativas de internacionalização dos The Gift).

Mas porquê agora?

N: Eu acredito seriamente que este disco é o disco certo na altura certa para os The Gift. A motivação com que gravámos este disco foi gravá-lo com a emoção de como se fosse o nosso primeiro e último. Essa ideia de “tudo ou nada” é o que vivemos nesta situação e impede-nos de criar barreira à nossa frente.

Tendo em conta o vosso percurso pelo globo nos últimos tempos, devem estar contentes de voltar a casa. Qual é a vossa definição de “casa”?

S: Casa é as minhas duas gatas e a minha família. É Alcobaça. E, para mim, Alcobaça significa descanso mas também significa saudade. Quando não estou em digressão, aproveito todo o tempo que tenho para descansar.

N: Para mim significa estar feliz, seja em que parte do mundo esteja. Desde que esteja com os meus e feliz, estou bem. Gosto muito de Alcobaça, mas acredito que consigo ser feliz noutros sítios.

Quando decidiram lançar o álbum online, vocês mandaram uma mensagem que dizia “paguem o que quiserem”. Porquê?

N: Demos oportunidade a todos os fãs no mundo a ouvir o álbum em primeira mão pela primeira vez. O valor simbólico pago pelos fãs permitia que eles ouvissem o álbum primeiro. Antigamente, mandava-se o álbum para os jornalistas para obter publicidade e os fãs só ouviam um mês e meio depois quando o álbum era lançado. Nós quisemos contrariar essa regra. Eu considero isto como uma grande vitória, porque uma grande maioria pagou para ouvir o «Explode». Ou seja, mesmo às cegas, os fãs continuam a acreditar nos The Gift.

Num questionário feito há vários anos, o Nuno respondeu que se pudesse ter algum desejo tornado realidade gostaria que Portugal ganhasse o Mundial. Tendo em conta toda as experiências por que passaram, gostarias de reformular o teu desejo?

N: Sim. Que ganhasse o Europeu também. É o meu objectivo de vida como português é ver a selecção a ganhar o campeonato. Portugal é tão maltratado internacionalmente – muitas vezes por nossa culpa – que acho que seria uma forma de orgulhar e motivar o nosso povo.

Sónia, gostarias de fazer o desejo por ele?

N: [Risos]

S: Não, está dito está dito.

Os The Gift sempre tiveram uma afecção enorme por crianças. Qual é a vossa mensagem para todas as criancinhas do mundo?

S: [Risos]

N: [Risos] “Read books not facebooks” (citação da música «Made For You»)

S: Olha, boa idea.