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Dia de festa na Luz

28 Feb
por Steve Grácio |

Nesta segunda-feira, o Benfica completa 107 anos de História. A 28 de fevereiro de 1904, um grupo de ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa fundou o Sport Lisboa, com uma única modalidade, o futebol. Com os primeiros anos de grande dificuldade económica e relegados para segundo plano em detrimento do Sporting, surge a fusão do clube com o Grupo Sport Benfica, de ciclismo, que dá origem ao Sport Lisboa e Benfica.

No entanto, a afirmação do clube não foi um caminho fácil. O Sporting continuou a ser o principal clube do país até meados dos anos 20, altura em que o Benfica adquiriu estabilidade com a criação do seu primeiro estádio que perdurou até a construção do atual em 2003.

Com o surgimento do Estado Novo, o Benfica atravessou certos períodos controversos. A cor vermelha do seu equipamento era a mesma da figadal inimiga do regime, a União Soviética. Por esse motivo, a comunicação social viu-se forçada a utilizar a palavra “encarnados” para não conjugar “vermelhos” com “vencedores” (o Benfica assumia uma crescente preponderância em termos desportivos).

Porém, as dificuldades não acabaram. O primeiro hino do clube, denominado “Avante Benfica”, foi silenciado pelo regime por conter conotações comunistas. Para além do hino, o facto de o Benfica eleger os seus presidentes democraticamente também foi muitas vezes recriminado pelo Estado, talvez também porque a maioria deles eram ilustres oposicionistas ao regime de Salazar, o que levou mesmo um dos presidentes, Júlio Ribeiro da Costa, a ter de se demitir por ter ligações políticas com a oposição.

A definitiva afirmação do clube coincidiu com a chegada do maior símbolo de sempre do desporto português, Eusébio da Silva Ferreira. No entanto, a contratação de Eusébio não foi fácil. O Sporting lutou até à última oportunidade pelo jogador. Numa primeira fase, só o pretendiam para experiência, o que deu ao Benfica a possibilidade de contratar o então jovem jogador, pagando à sua mãe 250 contos. Para o esconder do rival, colocou o jogador num avião com um nome falso. Mesmo assim, o Sporting não desistiu e duplicou a oferta do Benfica, que até se viu obrigado a esconder o jogador numa unidade hoteleira face à persistência leonina.

Só hoje a hegemonia encarnada é ameaçada. Até à última década, o domínio do Benfica era avassalador. Nas restantes modalidades, a maioria delas é dominada pelo rival da 2ª circular em termos de palmarés, sobretudo no atletismo. Mas o investimento do Benfica nas modalidades de pavilhão tem vindo a dar frutos.

Considerado pela IFFHS como o nono melhor clube do século XX, o Benfica é um dos clubes com mais prestígio no mundo face aos resultados outrora alcançados. Em 2006, o Benfica entrou para o Guinness como o clube com mais sócios no mundo. Em dia de aniversário, o Benfica parece estar tão jovem como dantes.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Velhas tradições não se perdem

21 Feb
por Jorge Sousa |

Velhas tradições não se perdem. Mesmo quando um está em baixo, Benfica e Sporting assumem entre si a rivalidade mais relevante do futebol nacional. Os jogos entre ambos fazem parar Portugal, sendo este o encontro que costuma prender mais espectadores ao ecrã. Desde os tempos da monarquia que a bola roda, tendo o encarnado e o verde primeiro colidido no dia 1 de Dezembro de 1907. Desde então, os adeptos já foram presenteados com 402 encontros, partindo o Benfica em vantagem neste duelo centenário com 169 vitórias, contra 153 leoninas (de resto, houve 80 empates).

Mas este jogo não assume esta época a importância de outrora. Desde 1982, época em que os Leões foram campeões e as Águias segundos classificados, que o encontro não coloca frente a frente os dois clubes na luta pelo título nacional. Seja o Benfica a fazer um campeonato abaixo das expectativas, seja o Sporting, a verdade é que esta realidade dos últimos 29 anos (em grande parte, devido ao excelente crescimento do Futebol Clube do Porto) contraria os tempos dos cinco violinos e de Eusébio. Com raras excepções, o campeonato nacional era sempre disputado entre os dois rivais da segunda circular, com estádios cheios e ambientes únicos.

Esta segunda-feira, não estarão em campo Travassos, Manuel Fernandes, Chalana ou Torres. Os intervenientes são outros, os tempos também. O Sporting, há muito arredado da luta pelo título, apenas jogará a honra neste encontro, tentando alcançar uma vitória que lhe foge já desde 2009. Já o Benfica, que a dez jornadas do fim do campeonato se encontra a uma distância considerável do primeiro classificado, poderá aqui jogar uma cartada importante nas suas pretensões para esta época. Uma eventual derrota, ou mesmo um empate, poderá ditar o adeus definitivo ao sonho de revalidar o título nacional, algo que não acontece desde a época de 1983/1984.

Em Alvalade, o Sporting não contará com o seu treinador no banco, nem tão pouco com Evaldo, jogador que tem assumido a titularidade no lado esquerdo da defesa leonina. Mesmo o seu suplente, Leandro Grimi, encontra-se em dúvida para este encontro, o primeiro pós-Liedson. Problemas no sector defensivo e debilidades no sector ofensivo serão, sem dúvida, uma dor de cabeça para os adeptos do clube, que não contará igualmente com Jaime Valdés. Assim sendo, quem agradece é Jorge Jesus, que chega a este desafio na máxima força, no melhor período da equipa este ano, contando já com 16 vitórias consecutivas em competições nacionais.

Com Saviola, Cardozo, Coentrão e Salvio em bom plano, Benfica parece partir em vantagem. No entanto, jogando perante os seus adeptos, a equipa liderada por Paulo Sérgio quererá impor o seu futebol, à semelhança do que fez contra o FC Porto. O jogo, que contará com Artur Soares Dias como árbitro, não terá a importância nem a emotividade de outros tempos, no entanto, não haverá um único adepto que não esteja ansioso por bater o seu grande rival neste derby sempre tão badalado e que tantos momentos já proporcionou ao desporto português.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++