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50 anos de espaço

12 Apr

«Foi um triunfo imenso para o nosso país, algo que muita gente reconhece ainda hoje cá dentro e no estrangeiro». É com estas palavras que o Presidente russo Dmitri Medvedev frisa a importância do primeiro voo espacial tripulado, há 50 anos atrás.

Marcada pelo ambiente hostil da Guerra Fria e pelas consequentes disputas entre as duas superpotências EUA e União Soviética, a primeira conquista espacial foi realizada por Yuri Gagarin, cosmonauta russo, no foguetão Vostok1, a 12 de abril de 1961.

Esta primeira aventura humana no espaço foi uma forte derrota para os EUA, uma vez que a agência espacial norte-americana NASA só conseguiu colocar no espaço o astronauta Alan Shepard em maio de 1961, num voo substancialmente mais curto que o de Gagarin.

A partir daí, com o primeiro grande passo dado e uma porta aberta para a humanidade no espaço, foram mais de 500 os astronautas que repetiram a aventura. A missão Apolo e o famoso primeiro passo de Armstrong na superfície lunar em 1969, foram alguns dos acontecimentos mais marcantes que se seguiram.

A importância extrema desta efeméride, que a Casa Branca classifica como «um grande revés para o programa espacial norte-americano», é hoje assinalada em todo o mundo em mais de 500 eventos, no âmbito do programa Yuri’s Night. Portugal não é exceção e, por isso, foram organizadas exposições e observações astronómicas em vários pontos do país. No Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, estão expostas várias fotografias sobre esta temática, haverá um seminário sobre a contribuição portuguesa para o espaço e será ainda transmitida a estreia mundial do filme First Orbit, que reconstitui o voo de Yuri Gagarin através de imagens obtidas a bordo da Estação Espacial Internacional.

Yuri Gagarin fica assim eternamente associado ao maior marco histórico da conquista espacial – 108 minutos, uma altitude de 315km e uma única órbita à volta da Terra são hoje comemorados.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Made in China

28 Feb
por Sara Recharte |

Estudos recentes demonstram a possibilidade de a China se tornar, até 2020, a maior economia do Mundo. Desde há 30 anos, o crescimento do PIB chinês foi de 2700%. Em 2010, o PIB cresceu 10,3% e deu à República Popular da China a oportunidade de ultrapassar o Japão como segunda potência económica mundial.

O investimento e o comércio internacional são os pontos-chave  desta economia que, apesar de tudo, se encontra muito dependente dos investimentos estatais e das exportações.  Os baixos custos dos seus produtos finais são o maior impulsionador deste país que detém uma sétima parte da população mundial.

A Região Administrativa Especial chinesa de Macau já adquiriu parte da dívida soberana portuguesa. Na China, porém, nem tudo são rosas: na sua jornada até 2020, os chineses terão de se confrontar com as consequências das políticas antinatalistas (envelhecimento da população e falta de população ativa), com a inflação e com as dívidas.

A alternativa prevista para a dependência do Estado, do exterior e de trabalhadores será o incentivo ao consumo privado, que já começa a fazer-se sentir: uma paixão consumista invade a classe média de 200 milhões de pessoas e que se prevê que cresça quatro vezes mais até 2025.

Como seria de esperar, a República do presidente Hu Jintao não ficou indiferente à onda de revoltas  e revoluções do mundo árabe. Em Xangai e Pequim reuniram-se pequenos protestos e as autoridades calaram-nos imediatamente. Um regime democrático é uma realidade distante da China e os apelos contra a corrupção e o abuso policial são diversos. E fugazes.

Em declarações ao inglês The Guardian, a jovem Tian afirma que «os ricos são muito ricos e os pobres muito pobres». Os elevados preços da alimentação e das casas são um dos motivos contra a chegada da China à meta da maior economia mundial. Até lá, os economistas esperam que a inflação desça.

E espera-se que a liberdade deixe de ser um bem escasso no país. Porque os chineses têm, também, o seu vendedor Xu Mingao que, apesar dos 800 euros anuais que recebe, diz estar muito feliz com a vida que tem. Por agora.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

O Golfo, 20 anos depois

28 Feb
por João M. Vargas |

Vinte anos passados sobre o final da Guerra do Golfo, as relações entre o Ocidente e o mundo árabe pouco parecem ter mudado. Muitas revoltas, muitas mortes, algumas vinganças e outra Guerra do Golfo depois, o mundo não está efetivamente mais seguro. Mas, vinte anos depois, o que se mantém igual e o que mudou?

A Guerra do Golfo, a primeira, começou em 1990, depois das tropas iraquianas invadirem o Kuwait. Na altura, Saddam Hussein era líder do Iraque e vinha de uma dura batalha com o Irão (1980-88). À frente dos EUA estava George H. Bush coadjuvado por um Secretário da Defesa de nome Dick Cheney e auxiliado militarmente, entre outros, por um comandante das forças armadas chamado Colin Powell.

Apesar do lugar na História que a Guerra do Golfo passou a ocupar, não foi, de longe, uma luta longa e sangrenta. Na verdade, os combates entre as tropas da coligação liderada pelos EUA e o exército iraquiano duraram apenas cerca de um mês e meio. Desde a invasão do Kuwait, que despoletou a ação americana, até à chegada a um acordo de paz passaram apenas seis meses. O Iraque invadiu o Kuwait a 2 de agosto de 1990 e a 28 de fevereiro do ano seguinte o presidente Bush decretava o cessar-fogo que permitiria os acordos de paz com Saddam Hussein.

Doze anos depois do fim da ofensiva americana, os confrontos voltaram ao Iraque. Novamente Saddam era o líder árabe, mas no lado americano já estava outro Bush (George W.). Dick Cheney era agora vice-presidente e Colin Powell tinha a pasta de Secretário de Estado. Ao contrário do primeiro confronto, desta vez a coligação não tinha o apoio da ONU e carecia de um motivo convincente para a invasão. E desta vez a guerra demorou mais tempo. É até ainda prematuro dizer que já terminou, uma vez que a paz ainda não chegou ao Iraque.

No final da primeira Guerra, Saddam continuou no poder, após um acordo de paz com as forças da coligação. Na altura, algumas vozes criticaram o George H. Bush por não ter capturado o líder iraquiano. Dick Cheney defendeu, na altura, o seu presidente, dizendo que “fez o que estava certo, quer quando o decidimos expulsar do Kuwait, mas também quando o presidente achou que já tínhamos atingido os nossos objetivos e que por isso não íamos meter-nos em problemas tentando derrubá-lo”. O que é certo é que, em 2003, o filho do presidente e o próprio Cheney voltaram ao Iraque para derrubar Saddam.

Vinte anos depois, pouco mudou nas relações entre o Ocidente e o mundo árabe. Quis a História que esta efeméride se comemore em plena crise política nos países árabes. A Tunísia viu cair Ben Ali e o Egito perdeu Hosni Mubarak. Em muitos outros países os protestos sobem de tom e na Líbia os EUA poderão estar prestes a intervir, perante a resistência de Muammar Kadafi a abandonar o poder.

Por outro lado, outra das peças-chave da primeira Guerra do Golfo continua a ser, e talvez cada vez mais, uma importante presença no nosso dia a dia: o petróleo. Duas guerras depois, chegamos a uma importante conclusão: o Ocidente tem maior poder militar, mas os países do Médio Oriente têm um poder muito mais subliminar, para controlar o quotidiano dos ocidentais.

Mas vinte anos depois, Saddam já não é o Presidente do Iraque. A dinastia Bush está, para já, afastada do governo americano, entregue agora a um muito mais diplomata Barack Obama. Porém, nem por isso podemos dizer que o mundo está mais seguro. Olhando em retrospetiva para o século XX e para a primeira década do século XXI, assistimos a países amigos que se tornam inimigos e, depois, novamente amigos. Assistimos a revoluções em prol de um bem maior que originam, na verdade, males ainda maiores. E assistimos a um mundo cada vez mais fragmentado diplomaticamente.

No meio de tantas guerras e revoluções, Portugal tem-se mantido quase à margem. Apesar do apoio quase constante às posições americanas, nunca chegamos a ter sequer um papel secundário. Mas, nalguns casos, pode ser realmente positivo não passar de figurantes.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

E a Líbia perde a paciência

25 Feb
por Leonor Riso |

«Vamos continuar a lutar. Vamos derrotá-los. Vamos morrer aqui em solo líbio.» São as palavras resistentes de um ditador clamando pelo poder quando o poder dele se afasta. Desde 15 de fevereiro que a Líbia é varrida pelos mais fortes protestos verificados em 42 anos, que provocaram milhares de vítimas nas batalhas verificadas em cidades como Benghazi, Misurata e Trípoli, a capital que é agora alvo de violentos confrontos. Muammar Khadafi, o governante contestado, destronou o rei Idris Senoussi e subiu ao poder. Agora, Khadafi ameaça os manifestantes revoltosos contra o seu regime com pena de morte e luta sanguinária. O poder é disputado nas ruas pelas forças pró-Kadhafi – compostas por corpos privados de segurança e mercenários – e pelos opositores ao regime. A gravidade dos confrontos é tal que é palpável o receio de guerra civil.

Khadafi está a perder o apoio dos seus diplomatas. Por todo o mundo, os embaixadores líbios apresentam a sua demissão, tendo o mesmo ocorrido em Portugal: Ali Ibrahim Emdored, que assumia o cargo desde 2005, já abandonou o cargo – tendo o mesmo ocorrido nos EUA. Nas forças armadas da Líbia, os militares estão divididos, e registam-se execuções de soldados que não aceitam pegar em armas contra os revoltosos.

Quanto à reunião de emergência da NATO, Fogh Rasmussen diz esperar por um mandato da ONU para proceder à intervenção direta no território, procurando agora lidar com as vagas de refugiados que chegam à Tunísia – cerca de 40000 – e ao Egito. Catherine Ashton, a chefe da diplomacia da UE, pretende aplicar sanções à Líbia, como o embargo de armas ao território. É de assinalar também o congelamento dos bens de Khadafi na Suíça.

O preço do petróleo continua a registar subidas: desde junho de 2008 que a cotação não crescia tanto – oito dólares por barril – num dia. Porém, finda a sessão, o preço fixava-se nos 100 dólares por barril em Nova Iorque.

O ferry que se encontra em Benghazi com 56 portugueses a bordo, travado pelo mau tempo, deverá partir na manhã de sábado, 26, para a Grécia. O embaixador líbio em Portugal demitiu-se esta tarde e denunciou a tirania de Khadafi. Quanto ao destino da Líbia, esse permanece instável enquanto os manifestantes «cobardes», «traidores», «drogados», nas palavras do tirano, não conseguirem o que querem. E a cada protesto, a cada dia que passa, os líbios vão perdendo a paciência.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Portugal nos quatro cantos do mundo

9 Feb
por Cátia Carmo |

Em 1962 é fundado, no Reino Unido, o primeiro United World College, o United World College of the Atlantic. O seu criador, o alemão Kurt Hahn, vivenciou o consternado período da II Guerra Mundial e com este projeto pretendia educar os líderes das gerações futuras, não esquecendo a manutenção da paz mundial como base da sua formação.

Sete anos depois, em 1969, foi escolhida a primeira estudante portuguesa para frequentar o UWC. Hoje em dia existem 13 colégios diferentes com perto de seis mil alunos de quase todos os países do mundo. São já compostos por alguns portugueses.

A seleção dos alunos dos UWC é realizada de acordo com o seu mérito, mas também, tendo em conta o objetivo de Kurt Hahn, nas suas capacidades, perfis de liderança e participação nas respetivas comunidades.

Em termos de atividades curriculares e extracurriculares, os estudantes dos United World Colleges usufruem de uma extensa variedade. No entanto, os colégios fornecem apenas a possibilidade de completar o ensino secundário com o 11º e 12º anos.

Este ano foram disponibilizadas 5 vagas sem bolsa para os colégios do País de Gales, Suazilândia e Mostar, para além de 4 vagas correspondentes a bolsas parciais para os colégios da Noruega, Índia, EUA e Costa Rica. Estas bolsas parciais chegam a abranger 90% do total das propinas.

Quem pretender candidatar-se pode fazê-lo até ao dia 15 de fevereiro e informar-se em www.pt.uwc.org e www.facebook.com/UWCPortugal.


Super Bowl XLV

6 Feb
por Thiago Mourão |

Todos os anos, o dia mais esperado por muitos é o Super Bowl, a grande final da Liga de Futebol Americano (NFL). Desde 1967, o jogo reune os campeões da American Conference (AFC) e da National Conference (NFC). Hoje, nos EUA, a NFL é um dos maiores eventos da televisão norte-americana, e um detalhe muito interessante é que o dia em que acontece o Super Bowl, é o segundo dia em que existe maior consumo de comida nos EUA, perdendo apenas para o Dia de Ação de Graças.

Todos os anos a cidade que vai sediar o evento é escolhida aleatória e previamente pela NFL, independentemente desta ter algum clube na final ou não. Já o nome do evento, “Super Bowl”, nem sempre foi o mesmo. O primeiro nome que o jogo final da NFL teve foi “The Big One”, porém, depois de alguns anos, o presidente da AFL, Lamar Hunt, propôs o nome Super Bowl, inspirado num brinquedo de seu filho chamado Super Ball.

Nos EUA este jogo é visto por milhões de pessoas e o maior vencedor é, até hoje, o Pittsburgh Steelers, da cidade de Pittsburgh, Pensilvânia com seis títulos. O último campeão foi o New Orleans Saints, da cidade de New Orleans, Louisiana.

Neste dia 6 de fevereiro acontece o Super Bowl XLV, o jogo que será realizado no Cowboys Stadium, Arlington, Texas e terá em campo Green Bay Packers x Pittsburgh Steelers, que procura o seu sétimo título.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

A boa filha a casa torna

29 Jan
por Óscar Morgado |

Ticha Penicheiro vai jogar no campeonato português de basquetebol pelos próximos 4 meses. A melhor basquetebolista nacional de todos os tempos assinou no final de 2010 pelo Sport Algés e Dafundo.

O seu ritmo profissional, ao dividir-se por duas equipas durante um ano, não lhe tem permitido acompanhar de perto a realidade portuguesa. “Já existe toda uma nova geração de quem nem sequer sei os nomes. Compreendo que talvez olhem para mim como uma estrela, embora não me sinta como tal”, afirmou a atleta em entrevista à Visão. Penicheiro já deu bastantes vitórias desde que chegou ao MCell-Algés, sendo uma estrela de qualidade pouco comum entre as atletas a jogar no país.

Devido ao facto de a WNBA, o lado feminino da melhor liga de basquetebol do mundo, apenas se realizar no verão, muitas atletas jogam noutras competições durante o resto do ano. Ticha não é exceção. Natural da Figueira da Foz, já jogou em França, Polónia, Lituânia, Itália e Rússia. Na WNBA, joga atualmente nas Los Angeles Sparks, emparelhando com a sensacional Candace Parker. Ambas pisam o mesmo solo que Kobe Bryant, estrela da equipa masculina dos Lakers e um dos melhores de sempre.

Contudo, Ticha já é uma atleta veterana. Aos 36 anos, dos quais os 12 últimos foram passados na WNBA, soma um invejável palmarés. Na Universidade de Old Dominion, onde de 1994 a 1997 jogou e estudou Comunicação Social e alinhou com a portuguesa Mery Andrade. Ambas ajudaram a cimentar a “Portuguese Connection”, alcunha pela qual era conhecida a equipa norte-americana nos anos 90. O número 21 de Ticha foi até retirado da equipa, em homenagem à portuguesa.

Campeã pelas Sacramento Monarchs em 2005, Penicheiro foi ainda eleita para o 5 ideal da WNBA em 1999 e 2000, bem como para o segundo 5 ideal em 2001. Fez parte da equipa All-Star em 4 ocasiões. Na Europa, foi campeã polaca em 2000 e 2001, ganhou a Taça de Itália em 2002 e a Eurocup em 2006, já ao serviço do Spartak de Moscovo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++