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O Oeste da Europa

12 Apr

A estratégia oficial na área do turismo português tem sido a de vender o país como sendo do Sul da Europa. Geograficamente, tal facto não é totalmente falso. Porém, em termos de estratégia de marketing e competitividade no sector, penso que não é suficiente. Usualmente, todos sabemos do que estamos a falar quando nos referimos ao norte da Europa, ao sul e ao leste. As associações surgem de imediato nas nossas mentes. Porém, olhando para a rosa-dos-ventos, surge uma questão: Onde fica o Oeste da Europa?

A resposta é Portugal. E se associação e consequente resposta não são imediatas, tal deve-se à forma como se “vendeu” o país internacionalmente. A estratégia, corroborada tacitamente por todos, foi a de que Portugal é um país do Sul da Europa, um país do Mediterrâneo. Tal é verdade, mas também não é menos verdade que Portugal é o Oeste da Europa. O turismo é o único serviço que se exporta, ou seja, é o único serviço transaccionável. Numa altura em que é imperioso reduzir o défice da nossa balança de rendimentos e apostar de forma inequívoca nos sectores de bens e serviços transaccionáveis, o turismo afigura-se como um sector de potencial interesse económico.

Até aqui, pode dizer-se que existem duas regiões em que a aposta no turismo é o garante de sobrevivência da economia local e da criação de postos de trabalho: o Algarve e a Madeira. A menina dos olhos bonitos do nosso turismo é, sem margem para dúvidas, a costa algarvia. O ótimo clima, as praias de sonho e a gente hospitaleira fazem com que o Algarve seja o destino predileto dos muitos turistas, nacionais e estrangeiros. O problema de apenas se focalizar a nossa estratégia turística para o Sul é que existe uma forte concorrência: a Grécia e as suas ilhas, o sul de França, Itália e, ainda, a costa do sol espanhola. É difícil vender um produto de qualidade com “tubarões” como estes. Isto leva à necessidade de inovar. Os tempos assim o exigem. Neste sector específico, a inovação poderia passar por caracterizar igualmente Portugal como um país do Oeste europeu.

Os spots de promoção turística de Portugal e os discursos oficiais terão de reorientar a sua estratégia para este ponto cardeal. Não se trata de ostracizar ou abandonar o nosso Algarve – ou Allgarve, na nova fórmula governamental – mas antes, promover Portugal apresentando o seu outro lado, inquestionável geograficamente, o de um país que se situa no Oeste Europeu. Poderá ser uma solução inovadora e com potencial económico e social. É hora de reinventar o nosso turismo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Made in China

28 Feb
por Sara Recharte |

Estudos recentes demonstram a possibilidade de a China se tornar, até 2020, a maior economia do Mundo. Desde há 30 anos, o crescimento do PIB chinês foi de 2700%. Em 2010, o PIB cresceu 10,3% e deu à República Popular da China a oportunidade de ultrapassar o Japão como segunda potência económica mundial.

O investimento e o comércio internacional são os pontos-chave  desta economia que, apesar de tudo, se encontra muito dependente dos investimentos estatais e das exportações.  Os baixos custos dos seus produtos finais são o maior impulsionador deste país que detém uma sétima parte da população mundial.

A Região Administrativa Especial chinesa de Macau já adquiriu parte da dívida soberana portuguesa. Na China, porém, nem tudo são rosas: na sua jornada até 2020, os chineses terão de se confrontar com as consequências das políticas antinatalistas (envelhecimento da população e falta de população ativa), com a inflação e com as dívidas.

A alternativa prevista para a dependência do Estado, do exterior e de trabalhadores será o incentivo ao consumo privado, que já começa a fazer-se sentir: uma paixão consumista invade a classe média de 200 milhões de pessoas e que se prevê que cresça quatro vezes mais até 2025.

Como seria de esperar, a República do presidente Hu Jintao não ficou indiferente à onda de revoltas  e revoluções do mundo árabe. Em Xangai e Pequim reuniram-se pequenos protestos e as autoridades calaram-nos imediatamente. Um regime democrático é uma realidade distante da China e os apelos contra a corrupção e o abuso policial são diversos. E fugazes.

Em declarações ao inglês The Guardian, a jovem Tian afirma que «os ricos são muito ricos e os pobres muito pobres». Os elevados preços da alimentação e das casas são um dos motivos contra a chegada da China à meta da maior economia mundial. Até lá, os economistas esperam que a inflação desça.

E espera-se que a liberdade deixe de ser um bem escasso no país. Porque os chineses têm, também, o seu vendedor Xu Mingao que, apesar dos 800 euros anuais que recebe, diz estar muito feliz com a vida que tem. Por agora.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++