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O Doutor do povo

31 Mar

Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que esta láurea é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos oito anos realizou, de modo pacífico e democrático, uma verdadeira revolução económica e social, dando um enorme salto qualitativo no rumo da prosperidade e da justiça”, afirmou o ex-presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (30), na cidade de Coimbra, onde foi doutorado “Honoris Causa” pela Universidade de Coimbra.

Lula, que ontem (29) recebeu a notícia da morte do ex-vice-presidente, José Alencar, mostrava-se visivelmente abatido com a morte de seu amigo. “Nada disso teria sido possível, igualmente, sem a colaboração generosa e leal daquele que foi o meu parceiro de todas as horas, um dos homens mais íntegros que já conheci, o inesquecível estadista que perdemos ontem, para consternação de toda a sociedade brasileira: o meu vice-presidente José Alencar Gomes da Silva.”, disse o ex-presidente brasileiro.

A cerimónia, que contou com várias personalidades políticas como o presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, o primeiro-ministro português, José Socrátes, o presidente de Cabo Verde, Pedro Pires e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi marcada pela grande quantidade de estudantes brasileiros. A Universidade portuguesa tem hoje mais de 1.500 alunos inscritos.

A presidente do Brasil que também foi citada por Lula em seu discurso devido a sua contribuição no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), foi recebida com gritos de apoio, porém alguns também de protesto quanto à construção da Barragem de Belo Monte, no estado do Pará.

Lula, que recebeu o convite para ser Honoris Causa ainda quando era presidente, decidiu que só aceitaria após deixar o cargo. Ele não é o primeiro Presidente brasileiro a receber o título de Honoris Causa da Universidade de Coimbra. O título já foi concedido a ex-presidentes como Fernando Henrique Cardoso, Juscelino Kubitschek, entre outros.

A visita de Lula e Dilma Rousseff foi diminuída em 8 horas devido à morte do ex-vice-presidente. Após à homenagem, ambos seguiram para Lisboa e da capital portuguesa foram para Brasília, onde vão participar das homenagens a José Alencar.

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O adeus do fenómeno

19 Feb
por Thiago Maia Mourão |

Ele nasceu, brilhou, caiu, levantou, surpeendeu e ficou para sempre na história do futebol. Ele é Ronaldo Luís Nazário de Lima, ou melhor, apenas Ronaldo. O melhor marcador de Campeonatos do Mundo, com 15 golos, e que, com 17 anos, disputou seu primeiro Mundial (EUA -1994), anunciou na passada segunda-feira, dia 14, sua aposentadoria como jogador de futebol profissional. Ronaldo, que representava o Sport Club Corinthians Paulista, de
São Paulo, anunciou o “adeus” aos relvados aos 34 anos.

“El Fenómeno”, como era conhecido, começou sua carreira profissional no Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte, Minas Gerais, com apenas 16 anos. Depois, passou pelo PSV Eindhoven (Holanda), Barcelona (Espanha), Inter de Milão (Itália), Real Madrid (Espanha), Milan (Itália) e Corinthians (Brasil).

Ronaldo também entrou em muitas polémicas, sendo a mais conhecida o caso em que o jogador sofreu a extorsão de um travesti após o ter levado para um motel depois de uma festa.

Porém, Ronaldo também é colecionador de títulos e prémios. Ronaldo, que assumiu que a sua maior tristeza foi nunca ter ganho uma Liga dos Campeões, já venceu o prémio de melhor jogador do mundo da FIFA em três ocasiões (1996, 1997 e 2002). O último prémio foi entregue no ano em que o jogador, depois de recuperar de uma das suas muitas lesões, conseguiu ajudar a seleção brasileira a conquistar o pentacampeonato do mundo. Além do Mundial desse ano, Ronaldo também já vencera o título mundial em 1994.

Porque um fenómeno nunca é esquecido e porque Ronaldo foi um fenómeno, o brasileiro ficará para sempre na história do futebol como um dos melhores avançados de sempre.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Peixes brasileiros encontrados em Coimbra

29 Jan
por Ana Martins |


O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra pode agora contar com 68 exemplares de peixes brasileiros, oriundos do século XVIII. Descobertos por Pedro Casaleiro, museólogo, tudo indica que estes elementos sejam uma parte das recolhas feitas pelo naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira, ao longo da bacia do Amazonas, entre os anos de 1783 e 1792. Estas recolhas eram enviadas à coroa portuguesa, visando o desenvolvimento científico e sistemático da natureza exótica. Após anos guardados numa caixa, estes exemplares foram encontrados, em perfeitas condições, no âmbito do levantamento sistemático das coleções pertencentes à Universidade de Coimbra.

Alexandre Rodrigues Ferreira enviou para Portugal inúmeras coleções, as quais foram alvo de diversas vicissitudes. Actualmente, encontram-se dispersas por diferentes instituições nacionais e internacionais, uma vez que uma parte delas foi levada para Paris durante as invasões francesas.

Estes 68 elementos representam peixes de diferentes espécies, conservados a seco e montados sobre cartão, que contem a designação científica no sistema proposto por Lineu.

Pedro Casaleiro refere que esta descoberta é de um valor notável, uma vez que se trata de uma rara colecção pois, em todo o mundo, há um número muito reduzido deste tipo de exemplares, montados deste modo.

Neste momento, encontra-se em curso um projeto de investigação de História da Ciência da Universidade de Coimbra, levado a cabo pelo Museu da Ciência, da mesma universidade. Neste projeto procede-se ao estudo destas coleções. Assim sendo, Paulo Gama Mota, diretor do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra refere que esta descoberta “além de abrir uma nova perspetiva quanto ao estudo e conhecimento das recolhas deste naturalista, é uma importante descoberta para a história natural em Portugal, para a história da ciência e para o estudo da biodiversidade, realizada mesmo no final do Ano Internacional da Biodiversidade”.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

À descoberta de Kakás

29 Jan
por Thiago Mourão |

No último dia 25 de janeiro a maior cidade do Brasil, São Paulo, fez 457 anos e como já acontece todos os anos, a final da Copa São Paulo de Júniores foi realizada no Estádio Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Estádio do Pacaembu. A final deste ano foi entre Bahia e Flamengo, vencendo a equipa carioca por 2-1.

A “Copinha”, como é carinhosamente apelidada a competição, acontece desde 1969. Porém, em 1987 não aconteceu por decisão do então prefeito da cidade, Jânio Quadros. As duas primeiras edições do torneio contaram apenas com equipas do estado de São Paulo, mas depois a competição começou a receber clubes de todo o Brasil.

Esta competição, que é a principal competição sub-18 do Brasil, é também uma montra para os jovens talentos brasileiros, que sabem que empresários de clubes do mundo inteiro estão de olho nesta competição, para descobrir um novo Kaká.

Entre 1993 a 1997, a “Copinha” recebeu equipas estrangeiras como Boca Juniors (Argentina), Peñarol (Uruguai), Cerro Porteño (Paraguai), Nagoya Grampus Eight eYomiuri Verdy (ambos do Japão), além das seleções sub-20 do Japão e da China. Os primeiros clubes estrangeiros a participarem na competição foram o Providencia, do México, em 1980, o Vélez Sársfield, da Argentina, em 1981 e 1982 e o Bayern de Munique, da Alemanha, em 1985. Dado o insucesso das equipas, a organização não fez mais convites. Contudo, no ano passado, a equipa do Al-Hilal, da Arábia Saudita participou na competição.

A “Copinha”, que tem como maior vencedor o Sport Club Corinthians Paulista, com 7 títulos, é sempre muito esperada pelos jovens jogadores do Brasil inteiro, pois sabem que é uma grande chance de mostrar o seu futebol para o mundo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Até quando se «calará» o Estadão?

29 Jan
por Sara Recharte |

No ano de 2006 começaram as investigações da operação Boi Barrica. Esta implicava Fernando Sarney, filho do presidente do Congresso José Sarney, em crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e omissão de documentos. O jornal Estado de São Paulo e a sua versão Estadão na Internet foram, então, divulgando conversas telefónicas e dados da investigação. Segundo o juiz desembargador Dácio Vieira, estas revelações «feriam a honra da família Sarney». No fim de julho de 2009, foi decretada, por ação judicial, a proibição de publicar reportagens sobre esta operação a um dos mais reconhecidos jornais do Brasil.

Sérgio Murilo, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas afirmou que a censura prévia movida pelo Tribunal «é inconstitucional» e «incompatível com o Estado democrático de direito». Mesmo a Associação de Magistrados Brasileiros defende que esta sentença é «um atentado à democracia». Porém, foi entretanto revelado que o juíz Dácio Vieira seria do convívio da família Sarney e que, portanto, poderia tê-la favorecido no processo.

Dia após dia, o «silêncio» quanto à operação Boi Barrica sente-se no Estado de São Paulo e no Estadão. O jornal que sempre resistiu à censura nos anos em que a ditadura vigorou no Brasil, vê-se agora a braços com uma sentença que serve os interesses de uma pessoa individual e que vai contra as leis do Estado democrático. Apesar de tudo, o Estadão não deixa nem um dia em branco na contagem desde o dia 31 de julho: hoje, é o quinquacentésimo quadragésimo sétimo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++