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Nelson D’Aires: Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora

22 Apr

«A incompreensão da profunda violência que uma criança de doze anos deve ter sentido para entrar num rio para por fim à sua vida. O grito do Leandro que alguém não ouviu e que o levou à morte». É com estas palavras que, em entrevista ao Clique, Nelson D’Aires justifica o que o levou a cobrir a história de Leandro, com a qual conquistou o Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora.

Nelson D’Aires nasceu em Vila do Conde, em 1975. Deixou a profissão de técnico de obras, e em 2006 dedica-se à fotografia documental, em que «as histórias e temas vão-se impondo e onde imprimo a minha forma pessoal de ir e de ver» e caracteriza o fotojornalismo como uma das várias «formas narrativas fotográficas» com que se exprime. Integra o coletivo Kameraphoto, fundado em 2003 e que se destina ao incentivo e divulgação de trabalhos de fotógrafos freelancer. Em 2007, o mesmo ano em que se juntou ao coletivo, venceu o Prémio Fotojornalismo Visão/BES com uma reportagem sobre a transladação da irmã Lúcia.

Já em 2010, na primeira edição do Prémio Internacional de Fotojornalismo Estação Imagem/Mora, Nelson tinha sido distinguido na categoria especial 2009, ano de eleições e na categoria Vida Quotidiana. O prémio, instituído pela instituição cultural sediada em Mora e que conta com o apoio do município, destaca a reportagem fotográfica em seis categorias: Notícias, Vida Quotidiana, Desporto, Arte e Espetáculos, Ambiente e Série de Retrato – esta última também arrebatada pelo fotojornalista este ano, com o portfolio Bairro da Estação, focado numa comunidade cigana residente em Vila Nova de Famalicão que foi realojada em dezembro. O júri desta edição reuniu nomes sonantes do fotojornalismo, ligados à Reuters e ao World Press Photo e foi presidido por Walter Astrada, e somou 4968 fotografias a concurso.

Leandro, o título da reportagem, incide na criança de Mirandela vítima de bullying que cometeu suicídio no ano passado. Nelson D’Aires refere que «ocupar um espaço no seio de uma história assim é de uma responsabilidade gritante e cada fotografia foi uma tentativa de tradução e amplificação desse eco e busca coletiva. As fotografias tinham de ser fortes, a “invasão” física mínima, e cada clique errado era como voltar de uma busca sem notícias». Perante o trágico acontecimento, «há todo um vazio que ocupa de forma repentina e violenta uma família, amigos e um país, e onde todos buscam respostas que se desejam de esperança»: as palavras são materializadas pelas fortes imagens.

Atualmente, D’Aires acompanha o tema das comunidades ciganas no norte de Portugal; com a Kameraphoto, tem vindo a explorar a crise em Portugal. As suas imagens falam, recordam e prendem expressões e atos: que Nelson D’Aires lhes continue a dar voz.

A um herói desconhecido

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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