Impressões sobre a Revolução de Abril

25 Apr

«Há precisamente 36 anos, Portugal ia hoje a votos para a Assembleia Constituinte. Há precisamente 35 anos, Portugal ia a votos para as primeiros eleições legislativas livres em muitos anos. Hoje, Portugal está sem Governo e, pelo menos por agora, ingovernável.

A Revolução de abril foi um marco na História de Portugal. Foi um momento de mudança, tanto quanto o é o fim de uma ditadura. Com o 25 de abril, acabaram as perseguições, acabaram os presos políticos, acabou a guerra, acabaram os racionamentos de alimentos, acabou a censura. Acabaram mais de quarenta anos em que o Estado, que mais não era que um só homem, controlava e determinava o dia-a-dia de cada português.

Com o 25 de abril, Portugal abriu-se ao mundo e esperavam-se mudanças radicais. Entrámos na CEE, modernizá-mo-nos com os dinheiros europeus, criámos sistemas de saúde, de segurança social, de educação, de cultura, para todos. Portugal tornou-se um país aberto e em competição com os gigantes europeus na busca por um papel relevante num mundo global.

Mas hoje, 37 anos depois do último dia que originou um feriado nacional, concluímos que Portugal não cumpriu o que se esperava dele. Olhando para o nosso caso, ocorre a comparação com um jogador da bola, uma daquelas promessas que se podia tornar num dos melhores do mundo; teve a fama, mas nunca chegou a ter o proveito. Com Portugal, a história foi idêntica: tinha tudo para ter um grande desenvolvimento mas, no fim, os vícios e o “fácil” (tal como com os jogadores da bola) acabaram por levá-lo às ruas da amargura.

Portugal é hoje um país economicamente do avesso. Após a revolução, os portugueses nunca conseguiram perceber o significado de palavras como “democracia”, “liberdade” ou “igualdade”. Exigiu-se o fim de um ditador que controlava a vida de cada um, para se tentar impôr um Estado que controlasse a vida de todos. Quis-se liberdade para pensar, dizer,  fazer, atentar, criticar tudo e todos, a começar pelo Estado, mas quando as dificuldades surgem, é ao Estado que se volta.

O Portugal de hoje é um adolescente mal-comportado que vê no Estado um pai que não respeita. Quando precisa de dinheiro, o “pai” lá tem que estar para o cobrir, mas quando chega a hora de retribuir, os impostos são para os “outros” pagarem. Portugal é uma criança que ansiava por poder falar, mas assim que aprendeu só consegue dizer palavrões.  Portugal é um jovem irresponsável e arruaceiro, que se porta mal perante o seu “pai-Estado”, numa relação amor-ódio em que diz que não o quer mas não consegue viver sem ele. É um adolescente que, em casa, se porta mal mas que, quando sai à noite com os seus amigos e vizinhos, vai sempre bem apresentado, como se a sua fosse a mais normal das famílias. É, até, um adolescente que faz festas em casa para os amigos, autênticos sucessos sociais, que tentam fazê-lo esquecer a morte lenta do seu “pai”.

Com Salazar e Caetano morreu uma grande parte negra da História portuguesa. Mas a ânsia de nos livrarmos do “mal” não nos permitiu ver que tínhamos algo a aprender com as quatro décadas de ditadura e não nos deixou manter o que havia de bom. Perdeu-se o sentimento de nacionalismo que faz falta a uma nação, perderam-se a ordem e o respeito pelos outros e pelas instituições, perdeu-se grande parte da liberdade por troca com uma libertinagem bacoca, perdeu-se o sentido de responsabilidade. Ganhámos um país livre. Agora, 37 anos depois, está na hora de aprendermos o que significa verdadeiramente “liberdade”. Dia 5 de junho, é a data do exame.»

João Vargas, diretor de Conteúdos

«25 de Abril. Se eu tivesse competência para o fazer, elegeria este como o dia mais emblemático da história portuguesa. O dia em que a coragem se sobrepôs ao calculismo, o dia em que fomos, como sempre, pacíficos mas vitoriosos.

Portugal é hoje um país manietado, vítima de uma transição de regime pouco eficaz e até mesmo de uma má integração europeia. O pioneirismo e espírito de conquista que anteriormente fizeram o nosso país a mais importante potência mundial, foram-se perdendo, também muito por culpa da ditadura, que convenceu as pessoas de que deviam estar quietas, ser tementes a Deus e esperar pelos desígnios d’Ele neste cantinho de humildade, paz e sol dourado.

Na verdade, 37 anos depois do final da ditadura, muito continua por fazer, porque a revolução cultural continua por concretizar, porque continuamos, como eu dizia há uns dias, com brandos costumes e com a tacanhez que o salazarismo semeou em nós. E ele continua por aí. A cada esquina, escondido em cada resquício de pequenez, de conservadorismo bacoco, do medo de arriscar. As más línguas, o comentário de café, à boca fechada, em surdina, no conforto da mesa e à distância do televisor, mais não são do que uma má herança desse tempo, em que não nos era dada a hipótese de agir.

Mas essa falta de vontade de agir é mesmo o que move aqueles que pedem o regresso de Salazar ou que dizem cobras e lagartos da democracia que temos sem propor qualquer alternativa, e se pedem uma ditadura para “pôr tudo no sítio” é basicamente porque não têm coragem de agir, são comodistas e não são capazes de tomar para si a responsabilidade da mudança.

Há 37 anos, eles não tiveram medo do que podia acontecer e puseram a sua liberdade e vida em risco para que os portugueses pudessem tê-las. Liberdade, com toda a responsabilidade que ela traz e vida, a sério, por completo, sem ser orientada por uma mão invisível, sem ser vigiada a cada passo ou censurada em cada linha.

A revolução nova que se pede não se fará com militares na rua, não se fará com manifestações, embora estas também façam parte da revolução em marcha, faz-se com a força do voto, que é a arma mais forte que temos, e com a participação política, nas associações, nos clubes, nas juntas de freguesia, representando o interesse de uma população, de um conjunto de trabalhadores ou mesmo de um grupo de pessoas movidas pela mesma paixão. É aí que se constrói e se revitaliza a democracia, é na responsabilização e na luta feita por cada um de nós que se faz amadurecer um país com uma revolução jovem, mas com uma história cheia de momentos de progresso e de conquistas importantes na história do mundo.

Sou português, com orgulho, e não alinho com saudosismos e nostalgias relativamente a um Estado de coisas que nunca trouxe nada de Novo. Hoje, dia da Liberdade, grito a plenos pulmões: 25 de Abril Sempre – Fascismo Nunca Mais!»

Pedro Coelho, editor de Portugal

«E ver-te descer a avenida. O andar ardente, o cabelo na brisa das manhãs da Estiva. Sete da manhã. Airoso… com o ar de quem acabara de sair da banheira mesmo vestido – chovia imenso.

Adivinhava, ao longe, o cheiro do véu de névoa que te cobria e que era nenhum. Estancaste a algum meio metro do sítio onde estava. Assustei-me. Então sorriste e correste para mim. E tocar-te e sentir-te e beijar-te e tocar-te outra e outra vez. Sentir que, afinal, após tanto tempo continuamos os mesmos, no mesmo lugar. “Acabou”, dizias. E cada lágrima que na cara me escorria nesse momento compensava a tristeza de uma eternidade escondida.
Queria mostrar-te tudo, mas já não sabia nada. E então o tempo passava e eu beijava-te (e podia fazê-lo!) e tocava-te e amava-te. Ao fim de tantos anos… Liberdade.»

Sara Recharte, editora de Internacional

«Se esta foi a verdadeira, ou melhor, a maior revolução da história portuguesa, tenho pena de não a ter presenciado. Apesar de muita gente jovem da época a caracterizar como um «anseio para a mudança» e afirmar que viviam numa «ilusão tão grande que nem sabíamos bem o que estávamos a fazer», eu consigo percepcionar as coisas de uma forma muito diferente.

Por muito que os jovens militares se limitassem a seguir ordens e desejassem algo que eles não conheciam… é óbvio que ninguém conhecia o que viria a seguir. Contudo, devem orgulhar-se das mudanças que provocaram; dos direitos que conquistaram; da opressão que derrubaram. Melhor do que isso, devem orgulhar-se da Revolução ter sido feita de Cravos e não de Sangue.

E é esse o ponto que, para mim, deve ser tido como exemplo. E, também, é aí que eu digo que gostaria de fazer parte dos milhares que saíram à rua no dia 25 de Abril de 74. A liberdade de expressão e de imprensa são direitos que, para mim, são invioláveis. E cada passo dado em função disso só nos deve encher a alma. O melhor de tudo é que o povo português conseguiu recuperá-los, após tantos anos de «boca fechada». E o mais bonito de se ver (e digo-o em função do que me contam e de filmes que vejo) foi a união que se sentiu nas ruas do país. Foi a força e o orgulho de ver o triunfo daqueles heróis, com cravos na ponta da espingarda e o sentimento de quem conquistou o mundo.

Hoje fala-se desse tempo com nostalgia. Hoje pede-se ao Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega da Revolução, para fazer outro 25 de abril. E porquê? Precisamente porque todos ansiamos outra mudança, «mesmo que não saibamos como o vamos fazer». E todos precisamos dessa união que conseguiu, de facto, mudar mentalidades e mudar vidas. Para mim, o 25 de abril é isso mesmo: esperança.»

Marta Spínola Aguiar, editora de Atualidades

«Acreditar é a nossa essência. Quando a perdemos, o sentimento de impotência é incapacitante. O 25 de abril, foi, para mim, um dos conjuntos de momentos em que a atitude da crença inundou as multidões, em prol de dias em que se poderia viver sem restrições às liberdades primárias do ser humano e mais justos.

Caminhando por Lisboa, sentiremos ainda a energia e a emoção das pessoas que ali moldaram o nosso futuro? Ao descer as escadas finas em direção ao Rossio, teremos noção da força humana que pisou aqueles degraus? Sentiremos a eletricidade no ar, os ideais que moveram a turba?

Mais do que uma revolução, o 25 de abril foi um ato de crença. Acreditar em valores, objetivos, leis, capacidades; todos nós personificamos esta palavra. E naquele dia, as ruas encheram-se por ela e reformaram as velhas ideias e os atos condenáveis por elas trazidos.

Sobre o pós-25 de abril, as interpretações divergem e complexificam-se. E a palavra de que falo preza a sua simplicidade. Hoje, 37 anos depois, acredito que a democracia é justa e que acreditar ainda é possível. As pessoas são imperfeitas e o poder é ardiloso; e esperávamos mais e a revolta perante situações presentes é palpável.

Enquanto cidadãos, não podemos demitir-nos das nossas crenças, nem esquecer que não estamos sozinhos. A essência é-nos comum a todos. A meu ver, foi isso que nos uniu há 37 anos e que hoje também nos pode ajudar a continuar e a caminhar, por Lisboa ou por onde quisermos.

Nem sempre o pudemos fazer.»

Leonor Riso, redatora

O ano passado foi assim…

25 Apr

No dia 7 de maio de 2010 o ténis português fazia história com a vitória de Frederico Gil nos quartos de final. Pela primeira vez, um atleta nacional estava presente na meia-final do Estoril Open, a prova mais importante do panorama da modalidade em Portugal. Curiosamente, para estar presente numa fase tão adiantada da competição teve de eliminar o compatriota e amigo Rui Machado.

As palavras no final do embate com Rui Machado eram o espelho da felicidade do atleta e da importância do momento: “Estou bastante contente por ter ganho, é um sonho para mim poder chegar às meias-finais do Estoril Open. Sinto-me cansado, foi uma batalha dura, mas já estava à espera que fosse assim. Cada um de nós jogou ao seu melhor. Taticamente estive bem, o Rui jogou de forma muito sólida e o encontro acabou por se tornar muito físico“. Igualmente, assumia o desejo de continuar a fazer história e qualificar-se para a final.

E assim foi, após bater o espanhol Guillermo Garcia-Lopez, Frederico Gil alcançou o sonho de estar presente no jogo decisivo. Na final, num duro e emotivo encontro de duas horas e trinta e três minutos com o também espanhol Alberto Montanes, Gil claudicou no terceiro set, depois de vencido o primeiro. Ao contrário do que se previa, Frederico Gil foi um adversário duro de roer para Montanes, que viria a sagrar-se bicampeão do torneio português.

Este ano, haverá “dose dupla” e teremos novamente uma grande prestação portuguesa?

A avaliar pelos nomes presentes na prova, antevê-se dificuldades para Rui Machado e para Frederico Gil repetir a proeza do ano passado. Federer e o bicampeão Montanes não estarão presentes, mas em contrapartida estarão seis atletas de relevo no Jamor. São eles Robin Soderling, Del Potro, Fernando Verdasco, Jo-Wilfried Tsonga, Thomas Bellucci e Gilles Simon. No entanto, Frederico Gil tem tido um ano bem sucedido, que culminou com a presença na terceira ronda no Masters de Monte Carlo, melhor resultado de sempre por parte de um português, que deixa esperanças numa boa prestação no Estoril Open, bem como de Rui Machado que é sempre um atleta bastante competitivo.

Porém, nem só de esperança se faz esta participação portuguesa na prova deste ano. Na competição feminina, a má notícia chegou ainda antes da prova se iniciar. Michelle Brito, número um portuguesa, não vai participar na edição deste ano, já que vai participar no torneio de Charlottesville, nos EUA, segundo a própria porque “jogar em Charlottesville é mais económico”.

Mesmo com a “menina de ouro” do ténis feminino de fora, após a brilhante prestação portuguesa na edição passada, existe motivos para sonhar. Com os nomes presentes na competição, provavelmente o torneio não terá vencedor português. No entanto, o ano passado ninguém previa a caminhada de Frederico Gil. Porque não ter esperanças em conquistar o torneio pela primeira vez?

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

A campanha da crise

24 Apr

A pré-campanha já está a acontecer e misturada com os primeiros momentos de negociação com a Troika.

As acusações incessantes de José Sócrates contra a oposição acompanham o estranho crescendo na resignação dos portugueses, que parece que assistem passivamente a uma marcha lenta no caminho para uma irreversível perda de soberania. Impávida e serenamente continuam os brandos costumes, a conformação, a acomodação.

Defender Portugal é o slogan da máquina socialista, que desde o Congresso parece apostada em ganhar de novo o ímpeto triunfante conferido pela banda sonora do Gladiador.

E a trilha parece já quase tão gasta como as bobines onde roda a música do PCTP-MRRP, mas esta é a imagem de marca de Sócrates. O líder da ‘esquerda moderna’, do Estado Social e mais recentemente, baluarte da humildade democrática, continua exatamente no mesmo sítio – o do chefe guerreiro, com postura belicosa perante as investidas da Direita e dos seus aliados “irresponsáveis”, a “esquerda radical”.

Disparar para todos os lados e apostar no tópico da estabilidade, aproveitando-se das fragilidades do PSD, que começa novamente a denunciar a sua instabilidade interna e falta de rodagem governativa, é a estratégia do secretário-geral do PS, agora também conhecido como Querido Líder.

Os ataques de Pacheco Pereira, que denuncia a apresentação prévia do PEC IV a Passos Coelho e a sua tendência inicial de aprovação, com o famoso SMS, para além do caso Fernando Nobre, são os últimos tiros no pé dos laranjas.

Fernando Nobre, a ansiada estrela das listas sociais-democratas, e que podia ter sido uma importante carta mediática para afastar as televisões do congresso socialista e uma medida de aproximação de eleitores independentes, acabou por resultar inversamente, tal a inexperiência e imprudência do candidato, agora assombrado pela égide da traição de princípios e acusado de oportunismo, arrogância e inexperiência por toda a esquerda.

Enquanto isso, um tímido desmentido do PSD sobre as suas ambições na Presidência da Assembleia da República e uma entrevista incómoda de Nobre na RTP. O silêncio do único partido que pode viabilizar este desejo, o CDS-PP, tornou-se inquietante. E o clima de vitória na direita arrefeceu, com a fragilidade de uma coligação entre democratas-cristãos e centristas a ser cada vez mais notada.

O Bloco de Esquerda, que pode ser muito penalizado pelo voto útil nas Legislativas de junho, aposta a carta da responsabilidade e até da governabilidade, num ensaio de coligação com a CDU, que deixa a porta aberta para futuros entendimentos e a convergência da extrema-esquerda. Segundo números divulgados na semana passada, caso tivessem concorrido em coligação nas eleições de 2009, teria conquistado mais 8 deputados, num total de 39, mas a habitual luta ideológica que divide a esquerda impede de pensar numa bem sucedida junção, mesmo perante a ameaça de rutura interna no Bloco.

Unidos com o BE contra o FMI, os comunistas usam o slogan da ‘política patriótica e de esquerda’. A Geração à Rasca, não só dos jovens, mas também dos trabalhadores e dos reformados, sacrificados “pelas políticas de direita”, invade o discurso de Jerónimo e Louçã, que culpam PS e PSD, na eterna rotatividade governativa, pelo “colapso sistémico” do Estado e os acusam de “sabotagem orçamental”, como atirava Louçã no domingo passado.

O discurso destes partidos continua baseado em palavras de ordem e faz da campanha uma espécie de manifestação contínua. No entanto, continua perdido algures no meio de um Período Revolucionário em Curso, com as bandeiras da estatização da economia e da soberania nacional anti-europeísta a flutuarem sem grande aparato acima de propostas populistas de revoluções de algibeira para um eleitorado com falta de esperança e desiludido, como é normal, com um sistema de vira o disco e toca o mesmo que tem provado, da pior maneira, as suas fragilidades.

A crise, realmente sistémica, de acumulação de dívida e de falta de planeamento estratégico, dá fôlego a quem propõe política diferente e alimenta o desespero dos descrentes, cujo Sebastião teima em não aparecer e não parece estar escondido nos programas eleitorais de PS e PSD, que, dizem as apostas, vão ser exercícios nulos de propostas inexequíveis, porque o único programa a votos nestas eleições devia ser o do FMI, chamado em conjunto pela situação de ingovernabilidade a que os dois maiores partidos se deixaram conduzir, pondo teimosia, caprichos e orgulhos vaidosos à frente do interesse nacional.

Longe do desejado entendimento com Passos, o CDS-PP de Paulo Portas tenta apostar na outra face do descontentamento, culpando as políticas do governo socialista pelo desemprego e pelo endividamento, apontando o dedo ao despesismo das obras públicas e tentando apanhar os votos que escapam ao PSD e obrigá-lo a uma coligação pós-eleitoral, colocando os populares no arco governativo, como tanto gosta e deseja. Portas é o líder partidário com mais anos de serviço. Isso nota-se, na estratégia, na calma, no aproveitar dos momentos certos. Calculista? Sim. Demagógico? Quase sempre. Eficaz? Igualmente.

Os dados estão lançados, a campanha ainda não começou e a pré-campanha é apenas um conjunto de discursos vazios, aqui e ali, com uma preocupante ausência de ideias para o país. Que independentemente de cálculos ‘coligativos’ entre esquerda e direita, já iniciados, haja mais do que slogans e circo mediático, haja iniciativa e confiança para lidar, o melhor possível, com um tempo de sacrifício e privação que, embora muitos tenham aclamado como a salvação de Portugal, pode estar bem longe de o ser.

*** Texto ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

Festivais de Verão 2011

24 Apr

Open sem Estádio

24 Apr

A edição 2011 do Estoril Open vai mais uma vez iniciar-se num espaço provisório. O projecto para a construção de um novo estádio entre a Torre de Belém e a ribeira do Jamor, proposto pela João Lagos Sport em 2007, nunca passou do papel.

Laurentino Dias, secretário de Estado para o Desporto, garantiu em 2008 que o projecto ia avançar. “O Estoril Open deve ter uma instalação definitiva, nomeadamente no seu ‘court’ central. Devemos ter as melhores instalações possíveis para o ténis no Jamor“, afirmou Laurentino Dias. A ideia seria integrar os seis campos cobertos do Centro de Alto Rendimento (CAR) deTénis do Jamor, com um estádio que seria o ‘court’ central para eventos como o Estoril Open.

Contudo, a ideia não se materializou. O Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, opôs-se ao projecto apresentado, referindo como mais viável a ideia, na altura em estudo, de um complexo de 17 courts com capacidade para oito a nove mil pessoas, a situar-se em Barcarena. João Lagos, ao tomar conhecimento das declarações de Isaltino Morais em 2007, rejeitou liminarmente a ideia: “Não associo o meu nome a disparates”.

Atualmente, a infraestrutura que vai albergar o Estoril Open continua provisória. Todos os anos são gastos cerca de 30% do orçamento total do torneio. Na edição deste ano, irão ser gastos 1.2 milhões de euros num conjunto de estruturas que serão retiradas no final do evento: o court Central, o “Players Lounge”, as áreas comercial e de restauração para o público, o gabinete de imprensa, e o “Sponsors Village”. Só este último espaço ocupará 6300 metros quadrados (2700 dos quais para um restaurante VIP), e é exclusiva para parceiros do evento, patrocinadores e seus convidados e espectadores com reserva de camarote no court Central.

O Euro 2004 viu 10 estádios serem construídos para o evento. Cinco desses estádios foram apenas palco de duas partidas cada, em relação às 31 que se realizaram durante todo o evento. No custo total de 665 milhões de euros, o Estado português entrou com 104 milhões. Com o Estoril Open, o orçamento previsto é de 4 milhões de euros, dos quais uma parte é relativa ao patrocínio do Turismo de Portugal, verificando-se uma disparidade no investimento entre as duas modalidades.

Apesar das limitações logísticas do Estoril Open, o evento foi considerado como um dos 10 melhores torneios de ténis a nível mundial, com excepção dos 4 que constituem o “Grand Slam”: US Open, Wimbledon, Roland Garros e Australian Open. A distinção veio da revista norte-americana “Tennis Magazine”, a publicação da modalidade com maior tiragem em todo o mundo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++



Filmes da Semana

23 Apr

Esta quinta-feira, 21 de Abril, foram sete os filmes que chegaram aos cinemas portugueses. O drama e o terror são os géneros mais concorridos, numa semana em que o Espalha-Factos destaca, como Estreia da Semana, o filme A Última Noite, de 2010.

Last Night – A Última Noite acompanha o casal JoannaMichael, residente em Nova Iorque. O seu relacionamento era estável até ao dia em que cada um deles é tentado a trair o companheiro, na mesma noite: enquanto Michael está numa viagem de negócios com Laura, uma colega de trabalho atraente e misteriosa, Joanna reencontra o outro grande amor da sua vida, Alex. Durante as 36 horas seguintes, JoannaMichael terão de decidir o seu futuro enquanto casal.

Massy Tadjedin salta, pela primeira vez, da escrita para a direção, sendo simultaneamente realizadora, escritora e produtora. O drama é protagonizado pelo ‘quadrado amoroso’ Keira Knightley, Sam Worthington, Eva Mendes eGuillaume Canet.

O terror e o thriller chegam até nós, esta semana, através de Gritos 4, de Wes Craven, e Medos, de Joe Dante. O primeiro é o quarto filme de uma saga que tem vindo a aterrorizar inúmeros espectadores. Quanto a Medos, trata-se de uma aventura misteriosa levada a cabo por dois irmãos, quando descobrem um buraco na cave da sua nova casa.

Dos Estados Unidos chega ainda Invasão Mundial: Batalha Los Angeles, com Aaron EckhartMichelle Rodriguez, um filme de ficção científica sobre a invasão da Terra por parte de forças estranhas. O Reino Unido, por seu lado, traz a Portugal a história de Jane Eyre, num drama protagonizado por Mia Wasikowska, Judi Dench, Michael FassbenderJamie Bell.

A finalizar as estreias desta semana encontram-se um filme português e outro francês. 48 é o documentário da portuguesa Susana de Sousa Dias que revela diversos testemunhos de pessoas interrogadas pela PIDE, sobrepostas por fotografias a preto e branco tiradas na altura. Tournée é uma comédia de Mathieu Amalric sobre Joachim, um ex-produtor televisivo parisiense que começa uma nova vida na América e regressa mais tarde a França, sendo enganado por um antigo amigo.

Aqui fica o trailer do filme da semana:

Sem Michelle mas muito wild

23 Apr

O ténis feminino, em Portugal, tem registado um acentuado crescimento nos últimos anos. Apesar de ainda estar longe de ter o destaque oferecido ao ténis masculino, esta categoria desportiva move numerosos seguidores hoje em dia e, em consequência disso mesmo, muito dinheiro. A sua evolução deve-se ao melhoramento de fatores como a preparação dos eventos, recursos disponíveis, aumento do número de adeptos e um maior alcance e divulgação por parte dos torneios femininos.

O planeamento das competições protagonizadas pelas mulheres é realizado pela WTA. Esta organização é quem estabelece regras internacionalmente e, como não poderia deixar de ser, também tem grande influência em Portugal. A sua influência verifica-se, em grande parte, na instituição de calendários de torneios, regras de procedimento básicas e abordagem de tudo o que se refere ao circuito profissional.

Maria João Koehler e Michelle Larcher de Brito são as duas tenistas portuguesas que mais se destacam no panorama internacional. Koehler tem 18 anos e é treinada por Nuno Marques, um ex-tenista português. A tenista participou pela primeira vez no Estoril Open em 2009 e saiu vencida por 7-6 (4) e 6-0 ao defrontar a alemã Kristina Barrois. No ano passado, a portuguesa também foi derrotada na primeira ronda, mas desta vez pela holandesa Arantxa Rus.

Michelle Larcher de Brito, também de 18 anos, é treinada pelo seu próprio pai, António Larcher de Brito. A jovem foi a primeira jogadora de ténis portuguesa a passar para além das duas rondas numa competição do circuito WTA e a excluir uma tenista do top 20 do ranking mundial. Contudo, Michelle não irá participar no Estoril Open. Os motivos desta decisão são ainda desconhecidos. Especula-se que a portuguesa não se demonstrou interessada em participar por se encontrar inscrita em dois torneios de 50 mil dólares em Alabama e na Virgínia, que coincidem com a data da competição nacional.

Sendo Maria João Koehler a única representante feminina de Portugal no Estoril Open, as expectativas para a sua terceira participação consecutiva no torneio são elevadas. Ao usufruir do WIld Card que lhe foi atribuído, espera-se que Koehler obtenha bons resultados pela qualidade e carácter com que tem encarado o seu percurso profissional e pelas consequências positivas que têm resultado das suas exibições prometedoras.

Segundo a portuguesa vencer o Estoril Open é um sonho. A segunda melhor tenista do ranking nacional tenciona repetir as excelentes prestações que teve no Cantanhede Torneio Satélite e Amarante Torneio Satélite, para este ano conseguir ultrapassar a fase de qualificação da competição. Com possibilidade de enfrentar incríveis e vitoriosas opositoras como Anastasija Sevastova, Greta Arn e Zheng Jie.

Mas não só destas duas jogadoras que vive o ténis feminino em Portugal, também Magali de Lattre e Bárbara Luz irão figurar no quadro principal do torneio, uma vez que receberam wild cards de última hora. Uma excelente notícia para a variante feminina, que assim consegue no mínimo duas presenças ao mais alto nível no Estoril, lote que ainda pode aumentar caso Ana Claro, Margarida Moura, Patrícia Martins ou Rita Vilaça vençam os encontros que irão disputar no qualifying, acompanhando assim as atletas que receberam os convites da organização.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++