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O Mundo ao Contrário

19 Mar

As catástrofes naturais fazem sempre com que nos esqueçamos de que há acontecimentos para além disso… É natural! O mundo viveu a última semana na eminência de um desastre nuclear com dimensões incalculáveis.

Depois do sismo de dia 11 de março que matou 7200 pessoas no Japão, os reatores da central nuclear de Fukushima Daiichi estiveram em risco de explosão. Hoje, o sistema de refrigeração de dois dos seis reatores de Fukushima já funciona, graças am extremoso e incansável empenho de trabalhadores, peritos e engenheiros.

Porém, nesta semana pudemos assistir a mais do que isso. O décimo quarto Dalai Lama afirmou que não recuaria na sua decisão de abandonar a chefia política do movimento tibetano. O seu argumento foi o de que há que deixar o legado às novas gerações. Na sexta-feira, um monge tibetano imolou-se, na China. Espera-se que Pequim não instrumentalize esta transição política.

Na Líbia, a cidade de Bengasi, fortaleza dos rebeldes que estão em braço de ferro com Khadaffi, foi novamente abalada. Primeiro os bombardeamentos, depois um avião abatido e novas explosões. O governo nega, no entanto, a existência destes ataques. Na quinta-feira, o Conselho de Segurança da ONU decretou a interdição do espaço aéreo da cidade. Resta saber quem terá sido o autor dos ataques.

Noutros países árabes, a população não arreda pé das manifestações. Na Síria, as autoridades mataram quatro manifestantes contra o presidente Bashar al-Assad que invocavam «Deus, Síria e Liberdade», na sexta-feira. Hoje, em Sanaa, os iemenitas protestavam contra a presença do presidente Saleh no país. As forças pró-Saleh atacaram o povo em protesto e fizeram 40 mortos.

As conceções de governo e de democracia vão-se transformando no Médio Oriente, Khadaffi é obrigado a ceder pela ONU, a força da Natureza veio pôr em causa as vantagens da energia nuclear… O mundo ao contrário à distância de um Clique.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Finalmente, uma manifestação

12 Mar

Para este sábado, dia 12 de março, está marcada aquela que é tida como a grande manifestação dos jovens de hoje. Convocada via Facebook, esperam-se milhares de jovens em protesto em onze cidades do país. O local onde deverá haver maior concentração de manifestantes é Lisboa, estando agendada uma descida da Avenida da Liberdade. Mas, sobre este protesto, há muitas dúvidas que se levantam.

Em primeiro lugar, ainda não se esclareceu quem é o responsável pelo movimento. Sabemos quem o convocou na Internet, mas não sabemos quem vai estar, de facto, na linha da frente da manifestação. Aliás, os “organizadores” dizem, no seu manifesto, que esta é uma manifestação apartidária e afastada das organizações formais. Contudo, esse poderá ser realmente o grande obstáculo ao sucesso do protesto. Será muito complicado que uma manifestação pacífica tenha um grande impacto se não houver uma grande força organizadora que a impulsione.

Mas outra das grandes questões que se levanta é precisamente o pacifismo da manifestação. Mais uma vez, os “convocadores” defendem-se dizendo que é um protesto pacífico. Não obstante, não se assumem como responsáveis pela manifestação. Então como se poderá garantir que uma manifestação com milhares de jovens e sem uma liderança ou, pelo menos, uma condução, não acabe em violência?

Depois, levanta-se mais uma grande pergunta: qual é, afinal, a grande reivindicação dos protestantes? Diz-se que o objetivo é dizer “basta” e acabar com a situação social que se vive hoje ou, melhor dizendo, que os jovens vivem hoje. Ainda que seja um propósito muito vago, já constitui alguma base reivindicativa. Contudo, tem-se visto pela Internet que nem todos clamam pelo mesmo. Se é verdade que a esmagadora maioria tem uma parte do “discurso” que é comum, cada um acrescenta depois mais algumas reivindicações, completamente fora do contexto. Por exemplo, se todos vão reivindicar que não haja precariedade no emprego, também se assiste a quem peça o fim da NATO, numa manifestação cujo objetivo não é, claramente, esse. Ou seja, não haver uma noção clara daquilo que se vai pedir pode ser mais um grande entrave ao sucesso do protesto.

A falta de alguém, de algum grupo ou de alguma organização que siga “à frente” tem ainda outro aspeto negativo. Este protesto pretender dizer “basta” e mudar o rumo “das coisas”. Para isso, já se sabe, é preciso uma rutura com as políticas atuais e uma renovação em quem governa. Porém, este protesto não propõe nada disso. Não é oferecida nenhuma alternativa ao que temos atualmente. Simplesmente, a manifestação servirá para dizer que o que temos tem que acabar. Mas em troca de quê? Não sabemos, nem sabemos a quem perguntar. Porque não sabemos quem é o responsável.

Falando em responsáveis, não podemos ignorar quem está na verdadeira origem deste protesto: os jovens. Os jovens vão sair à rua descontentes com o estado a que o país chegou por causa da classe política. Impõe-se, então, a pergunta: se estão tão descontentes, por que é que não foram votar nas últimas eleições, há menos de dois meses? Alguns dirão: “mas os que se manifestam foram votar, quem se absteve também não sai à rua”. Pois bem, podemos aceitar a justificação mas, nesse caso, o epíteto de “geração” não faz sentido, quando é apenas uma minoria que lhe parece pertencer.

Mas a abstenção nas eleições até pode ter uma explicação: a música dos Deolinda que impulsionou o movimento surgiu após o ato eleitoral. E a verdade é que, diga-se o que se disse e não pondo em causa a legitimidade dos protestos, a “geração à rasca” só se lembrou que estava “enrascada” e que tinha que sair à rua quando um grupo musical fez uma música que o recordou. Nos últimos dois meses, a situação portuguesa não piorou drasticamente em relação ao ano passado. Por isso, fica a sensação que se os Deolinda não tivessem feito a música, ninguém se ia manifestar.

Apesar de todas estas interrogações, não faltemos ao essencial: a situação social e económica dos portugueses e, em especial, dos jovens é preocupante e urge tomar medidas para a inverter. Podemos questionar os propósitos da manifestação, aquilo que é reivindicado, quem são os responsáveis, que alternativas é que poderão surgir. Mas não podemos ignorar que, apesar de não ter sido um movimento espontâneo, vai trazer à rua preocupações reais. Seria bom que o Governo e os deputados, aqueles que realmente podem fazer alguma coisa, refletissem bem sobre o estado atual de Portugal. Nunca é tarde para mudar, é certo, mas quanto mais tarde for a mudança, mais difícil será efetivá-la.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Isto é outra música!

5 Mar

Volvidos 47 anos desde o primeiro Festival RTP da Canção, o então Grande Prémio TV da Canção Portuguesa já teve muitos nomes, já foi interrompido e voltou a acontecer, mas com mais ou menos sucesso, continua a ser um evento de importância maior no panorama televisivo português.

É certo que o país já não para para o ver ou que as músicas lá apresentadas já não são a créme de la créme do panorama artístico nacional, porém este é um assunto bastante comentado e a Eurovisão recuperou, nos últimos cinco anos, a audiência do público português. Em parceria com o Espalha-Factos, o Clique apresentará este fim de semana um conjunto de especiais sobre o Festival, recordando, questionando e apresentando soluções para o futuro.

Será que, como muitos dizem, devemos desistir ou será desta que com uma das apostas apresentadas esta noite no Teatro Camões vamos ganhar a Eurovisão? Não me parece que as diásporas de Leste e as vizinhanças habituais nos deixem sonhar muito alto, mas só depois de ouvir todas as músicas e assistir ao espetáculo da RTP poderei dar uma ‘sentença final’ sobre os temas deste ano.

E se calhar, a revitalização que é necessária para o Festival, que continua em busca da fórmula certa para ganhar a Eurovisão, estende-se a muitas outras áreas do país.

Portugal, que é o segundo melhor país para receber imigrantes, tem cada vez mais nacionais a querer sair dele. Questões para refletir num dossier sobre a imigração em Portugal, a ser publicado durante este fim de semana e que vai a fundo numa questão que tem passado despercebida mas que merece a nossa atenção.

E na abordagem de todo o mundo, nas suas superfícies mais e menos óbvias, os 12 pontos vão claramente para… o Clique!

Quando o jornalismo se torna notícia

26 Feb
por Ricardo Soares, Editor de Atualidades |

O sistema de Media está em mudança, é um facto. E por muito transtorno que isso cause a alguns senhores, aqueles que gerem as empresas dos meios de informação, que não sabem como responder ao novo paradigma que envolve o jornalismo, não há volta a dar. A evolução não pára, e o pior, é que não vem com instruções.

É verdade que as mudanças trazem novos desafios aos jornais, e que muitos anteveem a morte do papel, passando os dedos escurecidos de tinta do jornal devido ao folhear das páginas a memórias. Memórias do que era tomar conhecimento do estado do mundo e do país na textura das páginas, das linhas e das letras com que as notícias vinham a público. Mas também existe outra verdade incontornável: o que tem qualidade perdura no tempo. E falo do Expresso em Portugal e da Folha de São Paulo no Brasil.

Estes dois jornais são a prova de que independentemente das mudanças que a História um dia narrará, o que tem qualidade perpétua na linha do tempo. Aqueles que são os principais jornais de referência nos seus respetivos países estão por estes dias de parabéns. A Folha comemorou 90 anos no passado dia 19, tendo durante a semana que passou realizado uma série de ações em honra da data. O Expresso publica hoje a sua edição 2000, um número redondo e bem expressivo da longevidade do semanário mais lido em Portugal.

Independentemente das mudanças estruturais com que o jornalismo se está a deparar, fica bem patente que a qualidade vence os obstáculos. Também é verdade que a qualidade não é cega e que deve colaborar com a inteligência, e assim contornar os obstáculos. É neste sentido, que surgem novos formatos para fazer face a novas realidades, como é o caso da edição do Expresso produzida para o iPad, e que teve hoje a sua primeira edição.

Mas nem só de mudanças estruturais vive o jornalismo por estes dias, pois aqueles que dão normalmente as notícias são, por agora, eles próprios notícia.

O cargo de Diretor de Informação foi o centro das atenções. Primeiro a demissão de Júlio Magalhães da TVI, onde desempenhava o cargo, depois a demissão de José Alberto Carvalho da RTP, sendo logo de seguida anunciada a sua contratação pela TVI para desempenhar o cargo na estação de Queluz de Baixo. A TVI resolveu o seu problema, a estação pública ficou com um, agravado pelo facto de Judite de Sousa ter seguido o mesmo rumo.

O Jornalismo está portanto em mutação, a todos os níveis, umas mudanças para melhor, outras para pior, uns respondem afirmativamente, outros negativamente, uns conseguem vencer, outros perdem, outros desistem, e nós (sociedade)? Só pedimos que a qualidade perdure!

 

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Madeira: um ano depois

18 Feb
por João M. Vargas, Diretor de Conteúdos |

Este domingo, dia 20 de fevereiro, assinala-se o primeiro ano após a catástrofe na Madeira. O Clique dedicará, por isso, um espaço especial na sua edição deste fim de semana para recordar o episódio.

Um ano depois, ainda é difícil esquecer o dia em que a Natureza resolveu mostrar a sua força. De nada valeram os esforços humanos na prevenção da catástrofe. Se é certo que não é ainda claro se terá havido ou não, em certos casos, ilegalidades em construções que potenciaram um maior número de danos, o que é verdade é que nada poderia ter evitado o temporal.

O que aconteceu na Madeira, tal como muitas outras catástrofes por esse mundo fora, serve para provar que o Homem não é, ainda (e provavelmente nunca será), detentor do controlo absoluto sobre o que bem lhe aprouver. Na verdade, assistimos constantemente a provas do contrário. Um exemplo bem ilustrativo disto será, por exemplo, o regresso das ribeiras madeirenses ao seu curso natural de há anos. Leitos outrora desviados pelas máquinas humanas voltaram à sua forma original por força natural.

Apesar da catástrofe, das perdas humanas e materiais e dos custos a que o temporal obrigou, a Madeira reergueu-se. Como tantas outras vezes, novamente o Homem mostrou que, apesar das contrariedades e adversidades, é sempre possível vencer ou ter, pelo menos, uma meia-vitória. Se é verdade que o progresso humano (ou a busca desse progresso) contribuiu como causa da catástrofe, não é menos verdade esse mesmo progresso surge reforçado como consequência.

Não apenas (nem especialmente) na Madeira, mas em vários cenários de crise se revela o que de melhor tem a espécie humana. Recordemo-nos, por exemplo, do furacão Katrina ou do tsunami no sudeste asiático. No final, a Natureza dá-nos uma lição e nós, humanos, aprendemo-la, nem que seja no imediato. Não gostamos de aprender com o passado, mas aprendemos invariavelmente com o presente.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Parlamento discute… o Parlamento

11 Feb
por João M. Vargas, Diretor de Conteúdos |

Numa altura em que o tema “crise” está já esgotado, a polémica volta ao Parlamento para se discutir… o próprio Parlamento. PS e PSD não se entendem e nem o próprio ministro Jorge Lacão concorda com o seu partido. Por outro lado, os pequenos partidos entram em pânico perante a possibilidade de perderem efetivos parlamentares.

Esta semana, o Clique passa em revista esta polémica e tenta perceber o que aconteceria, de facto, à representatividade caso o número de deputados passasse de 230 para 180. Por outro lado, importa saber as posições partidárias e quem ganha ou perde mais com estas mudanças. Por fim, não podemos também esquecer o próprio sistema eleitoral português e as eventuais alterações que poderia sofrer.

Contudo, apesar da polémica que estalou no Parlamento, as hipóteses de haver uma redução do número de deputados parecem reduzidas. Isto acontece já que, para tal, teria que ser feita uma alteração à Constituição, obrigando uma maioria de dois terços dos deputados a votar favoravelmente. O mesmo é dizer que PS e PSD teriam que se entender nesta matéria. E, apesar de Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, até se ter mostrado favorável à proposta do PSD, o grupo parlamentar do PS e o próprio Primeiro-Ministro tomaram uma posição contrária.

Independentemente do sucesso da proposta social-democrata, esta questão é muito importante para a democracia e não pode ser debatida levianamente. Não tanto pelo conteúdo em si, ou seja, a questão específica da redução do número de deputados, mas principalmente pelo princípio de tentar mexer no sistema eleitoral, este é um assunto que não deve cair no esquecimento. O sistema eleitoral português precisa urgentemente de ser discutido e, eventualmente, reformado. Sendo certo que não há sistemas eleitorais perfeitos, temos que perceber até que ponto o nosso está na rota certa.

Este tema não é pacífico e é muito difícil chegar a consensos. As discussões, por seu lado, enveredam muitas vezes pelo acessório e esquecem o essencial. Os cidadãos, muitas vezes alheios a estas questões, não prestam a devida atenção ao problema. Mas é muito importante aproveitar as legislaturas com poderes de revisão constitucional (como é o caso atual) para repensar estas questões.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Espalha-Factos

4 Feb
por João Vargas, Director de Conteúdos |

De um momento para o outro, o site Espalha-Factos, com quem o Clique mantém estreitas relações de colaboração na área cultural, deixou de estar online. Esta suspensão prende-se com divergências entre a direcção do site e a empresa WebLX, que oferecia o alojamento do mesmo, em troca da exploração do seu espaço publicitário.

Polémicas à parte, a redacção do Clique não poderia deixar de se solidarizar com a equipa do Espalha-Factos. Não só por sermos parceiros mas, sobretudo, por reconhecermos que este é um projecto que vale realmente a pena ver crescer, o Clique deixa aqui a sua palavra de apoio.

Adiantamos ainda que, na medida das nossas possibilidades, tudo faremos para que o Espalha-Factos esteja rapidamente online. Enquanto isso, os pormenores e os próximos desenvolvimentos deste caso poderão ser conhecidos em www.espalhafactos.wordpress.com.