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A Oposição

4 Feb
por Liliana Borges |

O papel das redes sociais

«Não há líderes (…) Talvez não sejam precisos. É uma revolução diferente das outras (…) com outros instrumentos. Na revolução francesa não havia Facebook. Talvez nós estejamos a rescrever as leis da política e das revoluções». É assim que Harady, um dos líderes do comité popular de Gamalya Hussein, em declarações a ao jornal Público anuncia a formação desta oposição. Foi no Twitter e Facebook que tudo começou, (re)criando uma soberania popular.

Esta inovação, na forma como é organizada uma oposição, só foi possível devido ao crescimento intelectual que os jovens têm vindo a conquistar. Apesar de possuírem elevadas habilitações literárias estes jovens encontram-se desempregados ou com salários precários. Em contacto com o resto do Mundo através do Facebook tornam-se mais conscientes de si próprios e da realidade que os rodeia e gera-se a inconformidade.

Cada vez mais à vontade no mundo da tecnologia, viram nas redes sociais uma forma de chegar rapidamente a todos e atingir um número de apoiantes que lhes garantiria alguma visibilidade e mostraria ao mundo o seu descontentamento para com o regime que vem sido instruindo. No entanto nunca acreditaram que as dimensões atingidas fossem tão significativas.

A marcha de um milhão

Na Praça Tahrirm (Praça da Liberdade), milhões de manifestantes com sapatos nas mãos anunciam que os limites foram atingidos. Para um árabe este gesto é sinónimo de rejeição e vergonha e quando é atirado acende a uma demonstração máxima de indignação e rejeição. E o alvo destes sapatos que se atiram é Hosni Mubarak. Exigindo a sua demissão imediata os manifestantes avisam que “passou uma semana e as pessoas não vão desistir.”

Gritam que a esta manifestação é algo de único, pois os egípcios perderam o medo. Mesmo que não imunes às condições climatéricas, às investidas dos soldados, à fome que cada vez mais é apontada como uma “arma” do governo, garantem que não vão ceder enquanto o seu objetivo não for cumprido e apelam ao apoio do resto do mundo.
E o mundo tem escutado. «[Estou] muito contente que os países árabes e as pessoas com estes movimentos estejam a dizer que não vão aceitar a ditadura mais tempo», declarou à agência Lusa Tariq Ramadan, um intelectual suíço de origem egípcia, neto de Hassan al-Banna – fundador da Irmandade Muçulmana em 1928.

Também a administração de Barack Obama já deixou perceber a sua posição e encontra-se em negociações com os representantes do Governo egípcio, pressionando a demissão de Mubarak e apelando à criação de um governo interino provisório antes das eleições livres (em setembro).

Recorrendo a encenações e a simbolismos, sublinham que não têm medo da morte pela liberdade. Fechados ao diálogo e à negociação, apontam apenas uma única solução: “Mubarak tem de sair (…) Ele não vai reformular agora o que não foi capaz de mudar durante os 30 anos que já leva de poder” afirma Mohamed El Zahaby, um dos fundadores da página do Facebook.

El-Baradei: o Nobel da Revolução

Mohammed ElBaradei, ex-chefe da Agência Internacional de Energia e prémio Nobel da Paz em 2005, de 68 anos é um dos sucessores mais apontados para Mubarak.

Visto como agente de democracia e esperança El-Baradei enfrenta no entanto alguns céticos que creem que já desperdiçou a sua oportunidade. Gamal Eid, diretor da Rede Árabe de Direitos Humanos da Informação, pertence ao grupo de pessoas que partilha esta opinião: «Quem quiser ser um líder de um movimento democrático deve trabalhar entre eles. (…) não pode levar uma verdadeira batalha contra a corrupção e autoritarismo por controlo remoto ou Twitter». Eid destacou ainda a forte independência que o povo mostrou e a sua capacidade de se organizar sem qualquer líder, questionando a necessidade de intervenção do Nobel da Paz.

No entanto, apesar das críticas, o seu retorno causou algum entusiasmo. Para o manter deverá reconhecer o mérito aos jovens que iniciaram o movimento e aproximar-se realmente das pessoas, provando se é ou não um líder nacional.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Que força é esta?

4 Feb
por Sara Recharte |

Da Tunísia para o Egito. Do Egito, no dia 25 de janeiro, para o restante mundo árabe. Os protestos têm, agora, o seu epicentro no Cairo e alastram-se, de forma contagiante, para uma série de outros países. Segundo os analistas, «o mapa à volta do Egito está a arder». Uma força de contágio entre povos, por muitos inexplicável, «tomou de assalto» a região.

Jordânia

Numa tentativa de conter os protestos, na Jordânia, o rei Abdullah II nomeou já um novo chefe de Governo: o general aposentado  Marouf Bakhit é a opção. As massas, ainda assim, não se contentam e responsabilizam-no pelas ações fraudulentas nas eleições legislativas de 2007. Os preços dos alimentos e dos combustíveis aumentam diariamente e centenas de pessoas concentraram-se hoje em Amã,  frente ao gabinete do novo primeiro-ministro, prosseguindo  numa marcha até à Embaixada do Egito.

Iémen

Ontem, no Iémen, vinte mil manifestantes contra o presidente há 33 anos no poder  tomaram as ruas. «O povo quer mudanças no regime», ostentavam os cartazes, em relação aos casos de corrupção política de que o país tem sido vítima. No sentido de conter as reivindicações, na quarta-feira, o presidente iemenita Ali Abdullah Saleh disse publicamente que não iria recandidatar-se às eleições de 2013 nem deixar a sucessão para o seu filho Ahmed. O chefe de Estado do país mais pobre do Médio Oriente já o prometera anteriormente, mas voltou a candidatar-se em 2006.

Síria

No caso da Síria, o Facebook está bloqueado dese 2007. Ainda assim, recorrendo a formas não oficiais é através desta e outras redes sociais que os opositores ao regime de Bashar al-Assad organizam os protestos de hoje e Sábado, em frente ao Parlamento As motivações são a corrupção e a repressão exericda sobre as liberdades individuais. «A polícia só protege as elites», refere Fidda Issa à televisão Al-Jazeera. Os apelos aos sírios que vivem no estrangeiro têm sido recorrentes. Ainda assim, muitos dizem que, na Síria, o presidente não é tão odiado como no Egito.

Estes são três dos países aos quais a comunidade internacional tem prestado mais atenção. Líbano, Marrocos, Argélia, Mauritânia, Birmânia e mesmo a Faixa de Gaza têm seguido o caminho dos protestos egípcios: agora, para além da retirada de Mubarak, os manifestantes querem o seu julgamento.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Portuguese saem do Egito

4 Feb
por Sara Recharte |

Desde o dia 31 de janeiro que consta no site da Secção Consular da Embaixada de Portugal: «Devem os portugueses que se encontram no Egito contactar imediatamente a Embaixada de Portugal». Foi neste mesmo dia que, junto do embaixador português no Cairo Aristides Vieira Gonçalves, 70 portugueses manifestaram a sua vontade de regressar a Portugal.

Em duas viagens, o avião C-130 da Força Aérea Portuguesa trouxe para portugal cerca de 50 portugueses. Para além destes, muitos regressaram em voos comerciais. Na quarta-feira, no aeroporto de Figo Maduro, o comandante do C-130 disse ao DN que os aeroportos do Egito estão «sobrecarregados de tráfego» e que se vive um ambiente «um bocado complicado». Ainda assim, está tudo «muito seguro», refere.

Por agora, o destino dos portugueses que residem no Egito será ditado pelo rumo que os protestos poderão tomar: no Suez, Alexandria e Cairo, o recolher obrigatório já foi reduzido no dia 2, para o período das 17h00 às 07h00 da manhã. Hoje, é o dia da partida, em que os manifestantes voltam a apelar à retirada de Mubarak.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

UNESCO teme pelo património egípcio

4 Feb
por Marta Spínola Aguiar |

O Museu do Egito, situado na Praça Tahrir, é uma das principais atrações da cidade do Cairo, mas, nem o património cultural consegue escapar aos estragos provocados pelas manifestações. As antiguidades egípcias estão sob uma grande ameaça. Zahi Hawass, diretor do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito mostra-se preocupado e emociona-se ao afirmar que «tudo o que fiz nos últimos nove anos foi destruído num dia».

Nos estragos, encontramos, entre outras coisas, pelo menos, duas múmias decapitadas, peças cuja preocupação de Zahi Hawass recai, especialmente por ainda não se ter conhecimento da entidade dos assaltantes. Quanto ao túmulo de Tutankhamon, Hawass, em declarações ao El País, diz que apesar dos assaltantes terem partido algumas vitrinas com joias e outras relíquias, não conseguiram chegar à sala contígua, onde estão guardados os maiores tesouros do faraó. Mas, a avaliação das peças danificadas complica, uma vez que o responsável pelas Antiguidades egípcias proibiu a recolha de imagens nos últimos dias. Segundo o jornal espanhol, «tudo leva a crer que Hawass está a minimizar os danos sofridos».

Relativamente à atitude tomada pela  Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) esta fez um apelo para a preservação do património cultural do Egito, uma vez que este faz parte do «legado ancestral da humanidade que nos foi deixado através dos séculos», disse Irina Bokova, diretora geral desta Organização. As cerca de 120.000 peças do Museu possuem um «valor científico e económico incalculável» para além de personificarem a cultura da população egípcia há vários séculos. Como prova, na véspera destes assaltos, uma enorme cadeia humana formou-se à entrada do Museu, mostrando o quão impagáveis estas peças são e avivando a importância que têm para os cidadãos egípcios. Bokova apela, também, para a liberdade de expressão e de imprensa, criticando o aprisionamento dos jornalistas e o bloqueio da imprensa, que se tem verificado há diversos dias.

Porém, os assaltos e as pilhagens não se centram apenas na capital egípcia. Segundo Maria Helena Trindade Lopes, professora da Universidade Nova de Lisboa e egiptóloga dirigente de uma equipa de arqueólogos portugueses a trabalhar no Egito há quase uma década, afirma que as autoridades «estão a esconder a dimensão dos danos», uma vez que outras das zonas afetadas foram Saqqara, Mênfis e Abusir, também detentoras de peças arqueológicas valiosas. Contudo, sabe-se apenas que esses ataques não foram feitos pela população local, mas por indivíduos que «conheciam os locais e sabiam o que lhes interessava» .

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Que futuro?

4 Feb
por Joana Margarida Bento |

Muito se tem especulado sobre o futuro do Egito e dos territórios limítrofes, agitação esta que se compreende pelo facto de estar em causa muito mais que a mudança de um chefe de Estado. Trata-se, isso sim, de uma mudança estrutural do regime político, de alterações em todo o sistema económico e, possivelmente, da reestruturação da política externa do Egito.

Antes das manifestações na praça central do Cairo, a situação da economia era já preocupante, agravando-se, como seria de esperar, com os desenvolvimentos dos últimos dias. O turismo, que se afirmava como uma das principais fontes de receitas do país, sofreu uma grave quebra em consequência da instabilidade política e social que se anuncia. As pirâmides têm agora como visitantes o vento e a areia sendo que, do mercado tradicional à banca, todos os setores estão a ser arrastados nos confrontos. A escassez de alguns bens essenciais já se refletiu no aumento dos preços e a grande maioria dos que se manifestam nas ruas serão, provavelmente, desempregados.

No que toca à política, Mubarak fez já saber que não pretende recandidatar-se à presidência em setembro mas também não sairá do poder antes disso. A oposição exigiu-lhe que saísse do país até hoje mas o octogenário líder afirma-se como o único capaz de assegurar uma transição democrática e que pretende “morrer no Egito”. Fawaz Gerges, professor de Política e Relações Internacionais na London School of Economics afirma que “Este é o momento Berlim do mundo árabe. O muro autoritário caiu – e isso é verdade. (…) Mubarak está profundamente ferido e a sangrar. Estamos a assistir ao início de uma nova era.”

Esta semana, debaixo da pressão ocidental, foi pela primeira vez nomeado um Vice-presidente, Omar Suleiman, que é apontado como possível sucessor da presidência. Com carreira militar e próximo nas negociações com Israel, não deixa de ser contestado por ser entendido como a continuação do legado de ditadura e da repressão. Por outro lado, da oposição apenas surge um nome sonante, Mohamed el Baradei, Nobel da paz e ex-diretor da Organização Internacional da Energia Atómica. Esta dicotomia leva alguns especialistas a considerar ainda a hipótese de guerra civil entre manifestantes pro e contra Mubarak, hipótese que é, para já, afastada, pelo exército que diz assegurar a manutenção da ordem.

Entre estes dois nomes as dúvidas parecem não tirar o sono aos líderes internacionais visto que a inquietação se prende com a chegada ao poder da Irmandade Muçulmana – conotada com forças mais extremistas- que poderá conduzir à radicalização do regime e ao fim dos acordos de paz, nomeadamente com Israel.

Continuidade ou rutura? O destino do Egito é ainda uma incógnita. Certo é que nas pirâmides sopra já o vento da mudança.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

De que lado fica o Ocidente?

4 Feb
por Marta Spínola Aguiar |

A par de todos os confrontos verificados no Egito, o Ocidente vê-se obrigado a tomar uma posição marcante para, assim, ajudar a amainar a revolta social vivida nas ruas do Cairo.  A questão fundamental converge, então, num só sentido: de que lado está o Ocidente?

Hosni Mubarak, presidente Egípcio, está no poder há 30 anos e constitui-se como um dos principais aliados dos EUA. Contudo, esta não foi uma razão suficientemente forte para que Barack Obama, Presidente dos EUA, não assumisse um discurso rigoroso ao tentar aproximar o Ocidente do mundo islâmico. «Vim para o Cairo à procura de um novo começo entre os Estados Unidos e os muçulmanos de todo o mundo, um começo baseado no interesse e no respeito mútuos», afirma o Presidente norte-americano. Para além disso, pediu a Mubarak, principal responsável pelos confrontos, para não se recandidatar em setembro deste ano e assumir, publicamente, a sua decisão.

Barack Obama adota, então, uma atitude que poderá ser vista como inesperada: expressa o seu apoio aos manifestantes e não ao presidente egípcio, assumindo, pois, um «tom de um líder de direitos cívicos» e solicitando uma transição política que «tem que começar agora». Aquando da conversa telefónica com Obama, esta transição urgente foi reconhecida por parte de Mubarak, que horas antes, tinha classificado os manifestantes egípcios como «amotinados violentos», cujas motivações provinham «de uma qualquer força política sinistra». Porém, toda a dignidade e luta dos manifestantes, é vista de bom grado por parte do Presidente norte-americano, anunciando convictamente que «nós estamos a ouvir-vos», reforçando que eles são «uma inspiração para o resto do mundo.».

Do lado dos EUA está também a Europa. Os chefes do Governo alemão, inglês, francês, italiano e espanhol estão de acordo com a transição urgente do governo egípcio, expressa anteriormente por Barack Obama, emitindo, então, uma declaração conjunta. Como pano de fundo desta iniciativa estão os violentos confrontos verificados na madrugada do dia 3 de fevereiro na Praça Tahrir, no Cairo, que provocaram dezenas de mortos.

Os chefes europeus condenam a violência de Housin Mubarak que só pretende retirar-se do poder em setembro, altura em que o seu mandato fica concluído. Todavia, «apenas uma transição rápida e pacífica (…) permitirá superar os desafios que o Egito enfrenta neste momento», salientam Angela Merkel, David Cameron, Nicolás Sarkozy, Silvio Berlusconi e José Zapatero, na declaração comum. Demonstram, também, uma enorme preocupação perante esta revolta social que só fará com que a crise política que o Egito atravessa se acentue cada vez mais.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

O medo israelita

4 Feb
por Joana Margarida Bento |

Hosni Mubarak é visto por muitos como ditador e político intransigente, contudo, para Israel, o líder egípcio tem-se constituído como um poderoso aliado e uma garantia de paz entre os dois Estados. Reforçando esta ideia, o primeiro-ministro israelita já veio a público afirmar que tem acompanhado a situação do Egito com “cuidado e preocupação”.

Este acordo de paz remonta a 1979, quando Jimmy Carter, então presidente dos Estados Unidos, reuniu em Camp David, os líderes dos dois países – Anwar Sadat, do Egito e Menachem Begin, de Israel – levando-os a assumir o compromisso de zelar pela paz no Médio Oriente. Contudo, as fações islâmicas mais radicais – em especial a Irmandade Muçulmana – não viram com bons olhos esta “ocidentalização” das relações, facto que acabou por culminar, em 1981, no assassínio de Sadat, antecessor de Mubarak.

É este pedaço de História que está bem vivo na memória do povo de Israel, motivando a preocupação que têm assumido. Alguns académicos afirmam que a Irmandade Muçulmana é uma força moderada e pouco interventiva, ainda que conservadora, porém, para os atuais aliados, a chegada ao poder, por eleições legítimas, desta fação pode resultar na radicalização do regime, à semelhança do Irão, mudança que traria graves consequências para os territórios fronteiriços. Dan Gillerman, ex-embaixador da ONU em Israel, partilha a inquietação “’Com o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza, a perspetiva de uma organização islâmica autocrática e fundamentalista assumir o controlo do Egito é algo que obviamente não podemos ignorar.’”

Ainda que muitos se refiram a esta aliança como uma “paz fria”, dada a falta de renovação de ambos os lados, a verdade é que desde que foi assinado o acordo não se registaram conflitos armados entre o Egito e Israel e esse período coincidiu, em boa parte, com o mandato de Mubarak.

Para Zvi Mazel, ex-embaixador de Israel no Egito, o sucessor mais próximo deste ideal seria o recém-nomeado Vice-presidente, Omar Suleiman, por conhecer bem o passado e as relações entre os Estados do Médio Oriente. Ainda assim, paira a dúvida no que respeita à aceitação do povo egípcio.

O mundo está de olhos postos na terra dos faraós e, seja qual for o futuro deste país, a verdade é que aquilo que começou por ser uma pequena manifestação colocou já de sobreaviso toda a região.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++