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Reacções

23 Jan

Maria Belém, no Hotel Altis esboça um pequeno comentário sobre as projecções já apresentadas: “A abstenção é preocupante, é um sinal legislativo que se vem agravando e merece atenção.” Esclarece que serão dadas mais declarações ao longo da noite mas não termina sem sublinhar que “em democracia só perde quem não aparece.”

Nuno Magalhães, deputado do CDS-PP – “Os portugueses disseram claramente que não estão disponíveis para campanhas baseadas nos insultos.” Acrescenta ainda que “os portugueses foram dissuadidos e impedidos de votar.” Garantido que amanhã o partido iria pedir justificações ao Ministro da Administração Interna, Dr. Rui Pereira em relação aos problemas que alguns eleitores tiveram para votar.

António Filipe, deputado do PCP, lamenta que o Ministro da Administração Interna tenha desvalorizado os problemas resultantes do bloqueio no acesso ao número de eleitor. Acrescenta ainda que “as pessoas não se abstêm por querer, mas por incompetência do Governo.”

Pedro Soares, deputado do Bloco de Esquerda, na sede do partido que apoia Manuel Alegre: “O eleitor deve ter todas as condições para poder votar. Temos de exigir medidas para resolver esta situação.”

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José Sócrates diz…

23 Jan

“Os portugueses falaram e exprimiram com clareza aquilo que queriam nestas eleições.”

“Os portugueses optaram por não mudar e pela estabilidade política.”

“Em nome do PS: agradecer a Manuel Algere o exemplo que deu de combatividade cívica.”

“Manuel Alegre é digno do nosso apreço.”

“Quero reiterar mais uma vez a minha disponibilidade, e do Governo, para uma total cooperação com o Presidente agora eleito.”

Reacções oficiais dos partidos

23 Jan

PSD

Pedro Passos Coelho: “O PSD empenhou-se nesta campanha convencido que o país ganhava com isso.”

“Estas eram  eleições para o PR e não legislativas. Não eram os partidos que estavam em causa.”

“O país fez uma avaliação do actual Presidente da República, uma avaliação muito positiva.”

“O Presidente da República eleito esta noite mantém toda a independência em relação aos que o apoiaram.”

“O país respondeu que se sente mais seguro com a escolha de Cavaco. Esta escolha será mais segura e confiante, mas não será mais fácil.”

“O facto de Cavaco Silva ter sido reeleito deve-se à maneira como exerceu o seu papel de Presidente da República e não ao apoio do PSD.”

CDS-PP

Pedro Mota Soares: “Os portugueses recusaram liminarmente a aliança entre o Governo e o Bloco de Esquerda”.

Paulo Portas: “O candidato vencedor tem mais do dobro dos votos que o segundo classificado. Quero agradecer ao eleitorado do CDS.”

“O candidato do governo perdeu e isso deve merecer meditação por parte de quem deixou o país como ele se encontra.”

“Chamo a atenção de que na eleição do Dr. Jorge Sampaio a abstenção também foi elevada (não apanhei o nr) e isso não descredibiliza a sua eleição, mas não deixe de ser urgente o governo olhar para este problema.”

“O país fez uma avaliação do actual Presidente da República, uma avaliação muito positiva.”

Bloco de Esquerda

Francisco Louçã: “Cavaco Silva foi eleito. Quero apresentar as minhas felicitações. O BE lutou pela 2ª volta. Lutámos pela vitória nestas eleições.”

“Manuel Alegre apresentou-se nesta campanha como uma força sem qualquer amarra e total autonomia.”

“É preciso agora olhar para a frente. O PSD e o PS começaram a afiar as facas numa luta pelo poder.”

“Terão pela frente uma esquerda mais forte, um BE mais forte, como esta campanha veio demonstrar.”

“Manuel Alegre apresentou-se nesta campanha como uma força sem qualquer amarra e total autonomia.”

PCP

Jerónimo de Sousa: “Francisco Lopes apresentou-se nesta campanha como a alternativa às políticas de direita, a Cavaco silva.”

“Francisco Lopes escreveu no debate eleitoral a denúncia do país, os problemas do debate eleitoral. Uma contribuição única e singular, como a valorização dos trabalhadores.”

“Lopes trouxe a esta campanha um projecto de esperança e confiança, nos trabalhadores, no povo e no país.”

“Cavaco incentivará ao prosseguimento de uma política de direita.”

Declarações dos líderes partidários à boca das urnas

23 Jan

Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda – “Não vir às urnas nunca é um voto de protesto, é um voto de desistência”

Pedro Passos Coelho, líder do PSD – “Estou muito confiante em como o país tem consciência da situação que se vive e da importância de escolher o PR, que não é uma figura decorativa e tem relevância para o futuro. Não governa mas tem relevância. E, tendo relevância nas circunstâncias em que estamos, era bom que o país se apercebesse e envolvesse nessa decisão”

Paulo Portas, líder do CDS-PP – “Para o professor Cavaco Silva vencer à primeira volta precisará de reunir todos os votos, precisará de reunir mais votos do que a soma de todos os outros candidatos. Não é uma tarefa fácil. A situação não se compadece com a ilusão daqueles que acham que não é preciso ir votar nem com a hesitação dos que, por uma razão ou outra, ainda duvidam se vão votar. É uma ilusão pensar que o resultado está garantido. Não está”

Jerónimo de Sousa, líder do PCP – “”Não sei o que vai na cabeça dos portugueses, mas, objetivamente, as eleições são para a Presidência da República, independentemente de qualquer consideração política mais desenvolvida”

José Sócrates, líder do PS – “Todos sabem quem é o meu candidato, todos sabem aquilo que eu espero nestas eleições. Mas este é o momento para fazer um apelo a todos os portugueses para que votem e se empenhem nas escolhas do país

Declarações à hora do voto

23 Jan

Nas já tradicionais declarações à hora de voto, os candidatos à Presidência costumam optar por um discurso politicamente correto, Apelando a que se cumpra o direito de voto. desejando baixos valores de abstenção.

No entanto, José Manuel Coelho não ficou por meias medidas atacando o PSD Madeira, afirmando que «os madeirenses confiam nas eleições, confiam no voto mas o que não confiam é na contagem dos votos porque, aqui, e todo o Portugal tem de saber, vivemos num enclave do território nacional onde até os mortos votam, nunca são descarregados dos caderno eleitorais».

Já os restantes candidatos optaram por intervenções mais discretas. Cavaco Silva «gostaria de dizer aos portugueses que não deixassem de votar. Sei bem que nalgumas partes do país está muito, muito frio mas gostaria de pedir-lhes que fizessem um esforço e fossem votar». Acrescentando ainda que espera ficar a conhecer «já hoje quem será o futuro Presidente da República»

Manuel Alegre realçou que «é um dia de grandes decisões mas é o povo que vai decidir», desejando «que este seja um bom dia para Portugal».

Fernando Nobre apelou «para que todos os portugueses exerçam o seu direito e o seu dever cívico, votem em consciência, mas votem». Deixando em aberto uma nova candidatura em 2016, apesar de afirmar que não sabe se estará »vivo» à data.

Francisco Lopes apresentou-se rouco nas urnas, remetendo assim para a sede do PCP, ao final do dia, as reações, dizendo que «depois terei a oportunidade de comentar os resultados eleitorais, com a confiança de quem olha para o futuro do país, apesar das dificuldades, com esperança e determinação». Adiantando que é importante» pra os portugueses exercerem o seu direito cívico.

Por fim, Defensor Moura, o último dos candidatos a votar centrou o seu discurso na abstenção, reagindo à notícias que apontam para o aumento do número de portugueses que não votam, afirmando «que essa não é uma boa notícia.», acabando por dizer que lamenta «que agora que há liberdade de votar os portugueses não venham vota»

A caminho de Belém

22 Jan
por João M. Vargas * |

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Com maiores ou menores polémicas, a campanha eleitoral para as eleições Presidenciais de 2011 fica marcada pela “novela” BPN. Cavaco Silva foi atacado por quase todos os adversários e insistiu em manter o silêncio. Ao contrário do que alguns analistas previam, a estratégia parece acertada, a julgar pelas últimas sondagens.

As polémicas têm, aliás, cercado o ainda Presidente da República. Além do “caso” BPN, as críticas choveram logo no dia 26 de novembro de 2010, na apresentação da sua candidatura no CCB. Aí, Cavaco centrou o discurso na sua figura e utilizou alguns autoelogios, que acabaram por lhe valer fortes críticas. Já no decorrer da campanha, veio a público a sua ficha nos arquivos da PIDE, em que se diz “integrado no regime”. Porém, Cavaco Silva pareceu passar incólume às polémicas, fazendo uma campanha bem ao seu estilo, orçada em dois milhões de euros (a mais cara), mas sem contar com outdoors.

E se Cavaco foi centro de polémica, Manuel Alegre surge como o grande lançador das acusações. Não só no que respeita ao BPN, mas também a propósito da ficha de Cavaco na PIDE, Alegre não poupou oportunidades para tentar beliscar a imagem do seu adversário. Contudo, a campanha acaba por ficar marcada pelo seu envolvimento numa publicidade do BPP, quando ainda era deputado (algo que era proibido), que o levou a moderar os seus ataques. Alegre apresentou a candidatura a 4 de maio, nos Açores e rapidamente reuniu o apoio do Bloco de Esquerda e, mais tarde, do PS, num equilíbrio nem sempre estável.

Longe da política, Fernando Nobre foi o primeiro a anunciar a sua candidatura. A 19 de fevereiro, quase um ano antes, apresenta-se na corrida. Sem experiência na área, o médico presidente da AMI assenta muita da sua campanha no realce da sua vida passada ao serviço dos outros e do contacto com o povo. Apontado por muitos como um flop eleitoral, Nobre surge nas últimas sondagens com um resultado muito próximo de Alegre, deixando ainda tudo em aberto.

A 24 se agosto, uma semana antes da tradicional Festa do Avente, o PCP anunciou Francisco Lopes como o “seu” candidato. A candidatura oficial foi apresentada a 10 de setembro e é vista apenas como o lançamento de Lopes para a sucessão de Jerónimo de Sousa. De facto, o candidato presidencial tem tido uma postura discreta, concentrando-se bastante no eleitorado de base comunista.

Pelo contrário, outro dos animadores desta campanha eleitoral foi Defensor Moura. O deputado socialista apresentou a sua candidatura a 28 de julho e assume-a como uma oposição clara a Cavaco Silva. Convergindo com Alegre, adianta um possível apoio numa eventual segunda volta ao seu ex-companheiro de partido e posiciona-se como uma das principais fontes de críticas a Cavaco.

Crítico a tudo e a todos, José Manuel Coelho apresentou a sua candidatura apenas a 1 de novembro. Sob o lema “Coelho ao poleiro”, o deputado da Assembleia Regional madeirense pelo PND apresenta-se como candidato antissistema. Excluído dos debates televisivos, nem por isso Coelho passou ao lado desta campanha: para a História fica uma ação de campanha em que usou um carro funerário.

*com Ricardo Soares

+++Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

Um embate histórico

22 Jan
por Alexandre Poço |

1986. Portugal recuperava lentamente da grande crise dos tempos do Bloco Central e da consequente entrada do FMI. A 1 de janeiro, o país aderia à então CEE (Comunidade Económica Europeia) e a pouco e pouco iniciava o seu distanciamento em relação aos conturbados tempos do pós-25 de abril. Os fantasmas do PREC desapareciam e Portugal pretendia iniciar a sua rota de desenvolvimento rumo à convergência europeia. O fim do mandato presidencial do General Ramalho Eanes coincidia com a tomada de posse do primeiro governo (minoritário) do PSD, chefiado por Cavaco Silva.

Nesta conjuntura, as eleições presidenciais de janeiro de 1986 adquiriram especial interesse. O lugar de Presidente da República seria um género de prémio e distinção das figuras que marcaram a política nacional após o 25 de abril. Dos chamados «4 ases», Mário Soares e Freitas do Amaral apresentaram-se ao eleitorado. O primeiro contava com o apoio do Partido Socialista, quanto ao segundo recebeu o apoio do CDS e do PSD. Álvaro Cunhal optou por não comparecer à chamada e Sá Carneiro havia falecido na tragédia de Camarate.

Na primeira volta, surgiram ainda outros candidatos, como Salgado Zenha, histórico socialista que abandonou o seu partido e que viria a contar com o apoio do PCP (após a desistência de António Veloso) e do PRD de Eanes, e a antiga primeira-ministra e única mulher a candidatar-se à presidência da República, Maria de Lourdes Pintassilgo. As eleições disputaram-se 26 de janeiro de 1986 e Freitas do Amaral vence com 46% dos votos, resultado que não chegou para evitar uma segunda volta frente a Mário Soares, que havia conseguido cerca de 25% na primeira votação.

Na segunda volta, ocorreu a clássica bipolarização entre esquerda e direita. Por um lado, Freitas do Amaral reclamava-se como o legítimo herdeiro do legado da AD e, desta forma, pretendia concentrar em si os votos daqueles que outrora haviam confiado na emblemática Aliança de Sá Carneiro. Mário Soares apresentava-se como o «pai da Democracia» e o grande responsável da adesão de Portugal à Europa. Conseguiu contar com o apoio dos outros candidatos de esquerda, eliminados na primeira volta.

O país viveu intensamente esta disputa eleitoral, facto que se comprova pela elevada participação eleitoral (por volta dos 75%), tanto na primeira como na segunda volta. Os slogans de ambos os candidatos ficariam célebres: “Soares é Fixe” e “Prá Frente Portugal, com Freitas do Amaral!”. Nos liceus e nas faculdades, manifestações de apoio aos candidatos acabavam, por norma, em cenas de pancadaria entre os jovens apoiantes. Portugal politizava-se e as conversas acabavam, invariavelmente, na dicotomia Freitas – Soares. A tensão subia com o aproximar do dia do juízo final.

A volta decisiva viria a disputar-se no dia 16 de fevereiro e Mário Soares acabaria por vencer as eleições com mais 140 mil votos do que Freitas do Amaral. Liderando aquilo que António Barreto qualificou como o povo de esquerda, Mário Soares, conseguiu 51,18%, contra os 48,82% de Freitas do Amaral. Assim se escreve a história das eleições presidenciais mais disputadas da democracia portuguesa, as únicas em que foi necessário recorrer a uma segunda volta para eleger o mais alto cargo da nação. Um embate histórico.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++