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José Manuel Coelho conquista 39% dos votos na Madeira

24 Jan
Por Liliana Borges |

José Manuel Coelho conquistou 39% dos votos na Madeira, chegando mesmo aos 47% no seu melhor resultado. O deputado do PND agradeceu, por isso, aos madeirenses e todos os seus apoiantes. Quando questionado sobre o seu futuro responde “o meu futuro político é um bocado como a madeira democrática. O meu objectivo é ajudar os madeirenses a derrubar a ditadura de Jardim.” Alerta para o facto de os votos não estarem ainda todos apurados e haver a possibilidade de uma segunda volta. Culpa ainda os problemas resultantes das dificuldades de obtenção do número de eleitor, justificando que grande parte dos seus apoiantes pertence à camada mais jovem da população portuguesa, a que, segundo José Manuel Coelho, foi a mais afectada por esta incapacidade de resposta.

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Os candidatos derrotados

24 Jan

Manuel Alegre

“Em política o que é preciso é coragem para travar os combates.”

“Quem perdeu este combate fui eu e não o Partido Socialista.”

“Isto não tinha graça nenhuma se estivéssemos todos de acordo.”

“O meu combate político será o mesmo de sempre.”

“Em democracia não é vergonha perder, vergonha é fugir ao combate. As minhas preocupações continuam e vou continuar a lutar pelos meus valores, pela esquerda, pela República e por Portugal.”

Fernando Nobre

“Acabo de telefonar ao Professor  Cavaco Silva para lhe dar os meus parabéns desejando-lhe que tenha um segundo mandato que seja próspero para o país.”

“Se houve um ganhador nestas eleições foi a candidatura da cidadania.”

“Saio destas eleições como sempre o afirmei, de cabeça erguida, com a mesma dignidade com que entrei.”

“Esta foi a candidatura que não teve nenhum apoio partidário e que teve que vencer.”

“Não tenho a mínima dúvida em afirmar aqui e agora que prestámos um grande serviço a Portugal, aos portugueses e à nação. A cidadania demonstrou que tem futuro em Portugal.”

“Esta candidatura nao merecia ser tratada desta forma pela comunicação soacial e empresas de sondagens.”

Defensor Moura

“Saio naturalmente, tal como todos os que se oponham a Cavaco Silva, derrotado.”

“Não felicito quem ganhou.”

“Quebrei o verniz do ex-imaculado candidato Cavaco Silva.”

“Não posso deixar de destacar a votação de José Manuel Coelho que explorou a veia satírica da campanha, e criticou o que é de facto bastante ridículo na nossa sociedade”

Francisco Lopes

“Esta foi a candidatura dos trabalhadores.”

“Saúdo todos aqueles que votaram na minha candidatura a PR  e assim a fizeram sua, dando com o seu voto um sinal claro de exigência. Cada um dos votos dado a esta candidatura pesa e pesará na ação para abrir um novo caminho para Portugal.”

José Manuel Coelho

“Fui banido dos debates e a minha mensagem não chegou aos madeirenses.”

“Agradeço muito a minha votação no continente, especialmente porque fui marginalizado nos debates políticos.”

“É o sinal de que as pessoas estão fartas do capitalismo selvagem.”

“Gostava de discutir com o prof. Cavaco a situação na Madeira, onde existe um défice democrático.”

Opinião: As Presidenciais

24 Jan
por Pedro Miguel Coelho, Editor de Portugal |

A política é feita de surpresas, de reviravoltas, de inesperados. Hoje, não o foi. A vitória há muito anunciada de Cavaco Silva foi confirmada massivamente pelos portugueses que votaram durante este domingo.

Os problemas técnicos arranjaram uma desculpa para a abstenção elevadíssima que, acho eu, continuaria a acontecer caso eles não tivessem ocorrido. Com ou sem problemas técnicos, Cavaco Silva ganha as eleições, mas com o menor número de votos já alcançado por um Presidente. Não que isso belisque o mérito da sua vitória, mas é um dado importante da falta de identificação que a população teve em relação aos candidatos.

Serei acusado de radicalismo pela minha opinião, mas penso que aqueles que não o reconhecem são pouco mais que hipócritas: Manuel Alegre, Fernando Nobre, Francisco Lopes e Defensor Moura perderam as eleições. Numa cruzada anti-Cavaco que fizeram ao longo de toda a campanha, preterindo a apresentação das ideias para optar pelo ataque pessoal e pelo constante questionamento ao Presidente da República, não conseguiram derrotá-lo e ainda ajudaram à agudização do seu comportamento de mártir, “pessoa íntegra que é atacada pelos ‘maus’”.

E eu sou da opinião que Cavaco Silva deveria ter esclarecido os portugueses em todas as suas ‘ligações perigosas’, mas também sou daqueles conservadores que consideram que as campanhas eleitorais devem surgir para apresentação de ideias e linhas de ação. E a falha disso levou a que os portugueses não pensassem sequer em trocar de Presidente, visto que a ‘concorrência’ não foi alternativa.

Mas o ex-primeiro-ministro sai reforçado destas eleições, com uma vitória expressiva e com a imagem praticamente intocável, como ele bem gosta, acima de todas as discussões e até da vida democrática. Esperemos que a magistratura ativa se manifeste com serenidade e que o mandato seja marcado por uma presença mais notável, mas também mais ponderada e ciente do seu papel. Sei que isso é exigir demais ou sonhar alto, mas para não ter que estar aqui a exceder o número de linhas, aproveito o momento para ocupar as mãos com um croquete ou uma fatia de Bolo Rei.

Manuel Alegre sofre hoje com a sua própria teimosia e leva consigo o Partido Socialista, profundamente fraturado na questão presidencial, vítima dos amuos do poeta e de todos aqueles que o iludiram com a possibilidade de um dia ele ‘chegar lá’. Por outro lado, Sócrates consegue livrar-se do gigantesco ego do ex-deputado, que não é tão cedo que volta a candidatar-se, a solo, a lugares de destaque. Como herança positiva, fica a possibilidade das esquerdas se juntarem e trabalharem em conjunto – o que poderia antever, caso os radicalismos não estragassem sempre tudo, uma alternativa diferente em relação ao que tem sido feito em Portugal, em que verdadeiras políticas de esquerda raramente têm sido adotadas, principalmente por falta de flexibilidade das oposições, demasiado ligadas à ortodoxia marxista e pouco próximas da realidade vivida pelos cidadãos nacionais.

Fernando Nobre sai desta candidatura com saldo positivo, mas apenas porque não foi um flop tão grande a nível de resultados como a sua campanha foi a nível de coerência, combatividade e oportunidade. Surge como o grande herdeiro do voto soarista de há 5 anos atrás, mas deve voltar à sua ação cívica em prol da AMI e nunca mais pensar em desafios políticos. Não que a política seja unicamente para os políticos, mas é com certeza para quem tem preparação para assumir cargos políticos, algo que não foi muito demonstrado pelo independente, que não raras vezes beirou a desconexão ou o excesso.

Francisco Lopes cumpriu a missão para que foi designado, mas não foi além disso. É certo que teve de partir do zero para uma campanha em que ninguém o conhecia, e registar 7% nestas condições ainda é digno de registo, mas Lopes apenas segurou o eleitorado fiel da CDU e nada mais. A agenda foi a mesma das outras campanhas do partido, as frases já as conhecemos todas, as baterias apontadas ao governo socialista também. Ponto positivo por ter conseguido surpreender e, com esta percentagem de votos, surgir mesmo como alternativa viável à sucessão de Jerónimo de Sousa.

José Manuel Coelho consegue entrar para a lista dos vencedores, não por ter sido o candidato ideal destas eleições, esteve longe de o ser, mas pelo saldo positivo que registou. Ninguém o conhecia para além dos casos do relógio e da bandeira nazi, mas de forma satírica e bem-humorada fez uma campanha inovadora, que pôs o dedo na ferida, levantou questões e capitalizou com os descontentes relativamente aos candidatos do costume. Na Madeira já promete ser adversário à altura do gigante Jardim, com o resultado de 39% desta noite a deixá-lo bem posicionado para conquistar mais espaço na Assembleia Regional. A nível nacional os seus 4,5% são a grande derrota das sondagens e a prova de que há gente a procurar novos rumos para a política nacional.

Defensor Moura foi, em votos, o mesmo que na sua campanha, pouco expressivo, pouco abrangente. Um candidato fortemente regional não conseguiu sequer subir acima dos 11% em Viana do Castelo, a sua terra natal, e nem deixou perceber quais os seus objetivos na campanha. A proteção dos animais, a regionalização, o combate desenfreado a todos os defeitos de Cavaco e…?

Mas não só os candidatos saem derrotados. Sai a política nacional, que se mostra amorfa, com falta de propostas de valor e com uma campanha que atingiu resultados nulos a nível ideológico ou valor político. Acredito que quase todos os portugueses que não votaram e grande parte dos que votaram sentiram que embora expressassem um determinado sentido de voto, nenhum destes candidatos, incluindo o re-eleito Cavaco Silva, ‘enche as medidas’.

Que em 2016 o PS volte a apresentar um candidato e que o PSD não precise de nascer duas vezes para encontrar alguém melhor que Cavaco Silva. O país merece mais.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Cavaco Silva saúda os portugueses que foram votar

24 Jan
por João M. Vargas *|

Cavaco Silva falou aos portugueses a partir do Centro Cultural de Belém, onde se reuniram os seus apoiantes. O Presidente da República destacou o sentido de responsabilidade dos portugueses, considerando que votar é um dever elementar numa República: “Quero saudar todos os portugueses que foram votar”.

O candidato vencedor congratulou-se por ver vencido em todos os distritos e nas Regiões Autónomas: “Os portugueses falaram e disseram com clareza quem queriam para Presidente da República.” Agradeceu ainda a “todos os que, no terreno, concretizaram a minha candidatura”.

Cavaco Silva garantiu, sob os aplausos dos seus apoiantes, que será “um Presidente por inteiro, sem excepções. Cumprirei aquilo que prometi.”

Aos eleitores que tiveram dificuldades em votar, Cavaco Silva deixou uma palavra de apreço: “A qualidade da nossa democracia também se constrói na criação de condições para exercer o direito de voto.”

Maria Cavaco Silva, a família, os mandatários da campanha e os partidos que apoiaram a sua “candidatura supra-partidária” também não foram esquecidos. Antes de terminar, o Presidente reeleito realça que “os portugueses souberam ver onde estava a verdade. Em democracia combatem-se projectos, ideias, linhas de acção. A minha campanha nunca recorreu a ataques e insultos pessoais.”

Para o vencedor da noite, “esta é a noite da vitória da dignidade”. “Venceram os que acreditam em Portugal, os que estão na vida pública de forma construtiva e que fizeram uma caminhada com ideias. Perderam aqueles que fizeram uma campanha com calúnias e ataques pessoais.”

Os jovens mereceram também uma palavra. Cavaco dedicou-lhes a vitória e adiantou que tudo fará “para que os jovens do meu país voltem a acreditar em Portugal. Lutem pelo vosso futuro e terão em mim um aliado.”

O Presidente da República finalizou o seu discurso de vitória defendendo que foi “a vitória da esperança.”

* com Ricardo Soares, Sara Recharte, Liliana Borges e Joana Margarida Bento

As Presidenciais lá fora

23 Jan
por Sara Recharte |

Os resultados das eleições para a Presidência da República de 2011 não foram indiferentes à imprensa internacional. A começar pelos vizinhos espanhóis: «As sondagens dão ao conservador Cavaco a vitória nas presidenciais de Portugal». O jornal de referência El País acrescenta ainda na sua versão online que a «abstenção atinge recorde histórico». Refere-se a Cavaco Silva como «o político que sempre mantém a distância» e a Manuel Alegre como «o poeta, o rebelde, o pai da Consituição».

Já em França o Le Monde adiantou a notícia «Cavaco Silva eleito presidente de Portugal à primeira volta». Os franceses atribuíram importância ao facto de os portugueses estarem «preocupados com a progressão do desemprego e da pobreza» e de manifestarem pouco interesse por uma «campanha sem suspense».

Em língua inglesa, o canal noticioso americano CNBC faz uma análise pós-eleitoral da situação em Portugal com o título «Os políticos portugueses depois da eleição presidencial». O diário britânico Daily Express avança com o título «Líder português vê os rivais de fora», acompanhado de uma imagem do vencedor destas Presidenciais. Em português do Brasil, O Globo referiu-se ao resultado destas eleições com a manchete «Presidente de Portugal Cavaco Silva é reeleito, segundo média e boca de urna».

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Dificuldades em votar ajudam a explicar uma abstenção de 53,37%

23 Jan
por Liliana Borges |

Junto às urnas as filas eram longas, mas não para votar. Com o cartão do cidadão na mão, muitos eleitores esperavam para ter acesso ao novo número de recenseamento e ao local de voto, alguns sem saber sequer que o seu número tinha mudado.

Nuno Godinho de Matos, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), em declarações à SIC Notícias explicou os problemas com o acesso ao número de eleitor. “A partir das 15 horas deu-se um afluxo muito grande de solicitação à base de dados e acabou por não conseguir e bloqueou.”

Algumas mesas tiveram computadores com acesso à Internet, noutras os eleitores foram encaminhados para a junta de freguesia. Mas em muitos locais instalou-se a confusão e as pessoas desistiram de votar.

Confrontado com o aumento da abstenção, concordou que o aumento terá sido causado por estas dificuldades, mas relembra que não é possível distinguir uma abstenção “involuntária” com a de eleitores que se recusaram a prestar o seu direito e dever cívico.

Fundamentou ainda a abstenção, que chegou aos 53,37%, com o facto de o número de eleitores ter aumentado em 821 237 desde as últimas eleições.

Uma das soluções reivindicadas por alguns eleitores foi a hipótese de prolongar o tempo de voto. O porta-voz da CNE esclareceu que tal não seria possível: “Seria irresponsável. A lei diz que o acto eleitoral encerra às 19 horas. Ninguém pode, por decisão administrativa, prolongar o acto eleitoral. Iria existir uma auto-regulação. Criar-se-ia uma anarquia total.”

José Manuel Coelho acusa estes problemas de influenciarem negativamente os seus resultados, justificando que grande parte dos seus apoiantes pertence à camada mais jovem da população portuguesa, a que, segundo José Manuel Coelho, foi uma das mais afectadas.

Contrariando estas declarações surge Miguel Portas, deputado do Bloco de Esquerda, que considera que estes problemas técnicos não inflacionaram a abstenção em mais de 1%. Também Fernando Medina, deputado do PS, considera que foi um erro a lamentar, mas sublinha que se trataram de “situações pontuais”.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Artigo Ortográfico.+++

Resultados já apurados

23 Jan

Cavaco Silva – 52,91%
Manuel Alegre – 19,75%
Fernando Nobre – 14,12%
Francisco Lopes – 7,15%
José Manuel Coelho – 4,50%
Defensor Moura – 1,57%

Votos brancos – 4,26%
Votos nulos – 1,93%

Abstenção – 53,38%