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A campanha da crise

24 Apr

A pré-campanha já está a acontecer e misturada com os primeiros momentos de negociação com a Troika.

As acusações incessantes de José Sócrates contra a oposição acompanham o estranho crescendo na resignação dos portugueses, que parece que assistem passivamente a uma marcha lenta no caminho para uma irreversível perda de soberania. Impávida e serenamente continuam os brandos costumes, a conformação, a acomodação.

Defender Portugal é o slogan da máquina socialista, que desde o Congresso parece apostada em ganhar de novo o ímpeto triunfante conferido pela banda sonora do Gladiador.

E a trilha parece já quase tão gasta como as bobines onde roda a música do PCTP-MRRP, mas esta é a imagem de marca de Sócrates. O líder da ‘esquerda moderna’, do Estado Social e mais recentemente, baluarte da humildade democrática, continua exatamente no mesmo sítio – o do chefe guerreiro, com postura belicosa perante as investidas da Direita e dos seus aliados “irresponsáveis”, a “esquerda radical”.

Disparar para todos os lados e apostar no tópico da estabilidade, aproveitando-se das fragilidades do PSD, que começa novamente a denunciar a sua instabilidade interna e falta de rodagem governativa, é a estratégia do secretário-geral do PS, agora também conhecido como Querido Líder.

Os ataques de Pacheco Pereira, que denuncia a apresentação prévia do PEC IV a Passos Coelho e a sua tendência inicial de aprovação, com o famoso SMS, para além do caso Fernando Nobre, são os últimos tiros no pé dos laranjas.

Fernando Nobre, a ansiada estrela das listas sociais-democratas, e que podia ter sido uma importante carta mediática para afastar as televisões do congresso socialista e uma medida de aproximação de eleitores independentes, acabou por resultar inversamente, tal a inexperiência e imprudência do candidato, agora assombrado pela égide da traição de princípios e acusado de oportunismo, arrogância e inexperiência por toda a esquerda.

Enquanto isso, um tímido desmentido do PSD sobre as suas ambições na Presidência da Assembleia da República e uma entrevista incómoda de Nobre na RTP. O silêncio do único partido que pode viabilizar este desejo, o CDS-PP, tornou-se inquietante. E o clima de vitória na direita arrefeceu, com a fragilidade de uma coligação entre democratas-cristãos e centristas a ser cada vez mais notada.

O Bloco de Esquerda, que pode ser muito penalizado pelo voto útil nas Legislativas de junho, aposta a carta da responsabilidade e até da governabilidade, num ensaio de coligação com a CDU, que deixa a porta aberta para futuros entendimentos e a convergência da extrema-esquerda. Segundo números divulgados na semana passada, caso tivessem concorrido em coligação nas eleições de 2009, teria conquistado mais 8 deputados, num total de 39, mas a habitual luta ideológica que divide a esquerda impede de pensar numa bem sucedida junção, mesmo perante a ameaça de rutura interna no Bloco.

Unidos com o BE contra o FMI, os comunistas usam o slogan da ‘política patriótica e de esquerda’. A Geração à Rasca, não só dos jovens, mas também dos trabalhadores e dos reformados, sacrificados “pelas políticas de direita”, invade o discurso de Jerónimo e Louçã, que culpam PS e PSD, na eterna rotatividade governativa, pelo “colapso sistémico” do Estado e os acusam de “sabotagem orçamental”, como atirava Louçã no domingo passado.

O discurso destes partidos continua baseado em palavras de ordem e faz da campanha uma espécie de manifestação contínua. No entanto, continua perdido algures no meio de um Período Revolucionário em Curso, com as bandeiras da estatização da economia e da soberania nacional anti-europeísta a flutuarem sem grande aparato acima de propostas populistas de revoluções de algibeira para um eleitorado com falta de esperança e desiludido, como é normal, com um sistema de vira o disco e toca o mesmo que tem provado, da pior maneira, as suas fragilidades.

A crise, realmente sistémica, de acumulação de dívida e de falta de planeamento estratégico, dá fôlego a quem propõe política diferente e alimenta o desespero dos descrentes, cujo Sebastião teima em não aparecer e não parece estar escondido nos programas eleitorais de PS e PSD, que, dizem as apostas, vão ser exercícios nulos de propostas inexequíveis, porque o único programa a votos nestas eleições devia ser o do FMI, chamado em conjunto pela situação de ingovernabilidade a que os dois maiores partidos se deixaram conduzir, pondo teimosia, caprichos e orgulhos vaidosos à frente do interesse nacional.

Longe do desejado entendimento com Passos, o CDS-PP de Paulo Portas tenta apostar na outra face do descontentamento, culpando as políticas do governo socialista pelo desemprego e pelo endividamento, apontando o dedo ao despesismo das obras públicas e tentando apanhar os votos que escapam ao PSD e obrigá-lo a uma coligação pós-eleitoral, colocando os populares no arco governativo, como tanto gosta e deseja. Portas é o líder partidário com mais anos de serviço. Isso nota-se, na estratégia, na calma, no aproveitar dos momentos certos. Calculista? Sim. Demagógico? Quase sempre. Eficaz? Igualmente.

Os dados estão lançados, a campanha ainda não começou e a pré-campanha é apenas um conjunto de discursos vazios, aqui e ali, com uma preocupante ausência de ideias para o país. Que independentemente de cálculos ‘coligativos’ entre esquerda e direita, já iniciados, haja mais do que slogans e circo mediático, haja iniciativa e confiança para lidar, o melhor possível, com um tempo de sacrifício e privação que, embora muitos tenham aclamado como a salvação de Portugal, pode estar bem longe de o ser.

*** Texto ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

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Líderes partidários em confronto

18 Apr

A calendarização dos debates televisivos para as Eleições Legislativas de dia 5 de junho já foi disponibilizada. Os confrontos políticos ocorrerão nos três canais generalistas portugueses e serão, à partida, respetivamente dirigidos por Vítor Gonçalves (RTP), Clara de Sousa (SIC) e Judite de Sousa (TVI). O candidato a quem será feita a primeira pergunta será sorteado em cada um dos encontros.

Ao todo, são dez debates que ocorrerão durante três semanas. Em confronto estarão dois candidatos a Primeiro-Ministro, de cada um dos partidos com assento parlamentar, tal como ocorreu nas Eleições Legislativas de 2009.

A RTP foi a estação de televisão eleita para abrir e encerrar este ciclo de debates. Cada um terá inicio entre as 20 horas e 45 minutos e as 21 horas. O primeiro debate, no próximo dia 6 de maio, colocará em confronto Paulo Portas e Jerónimo de Sousa.

A duração dos debates é de 45 minutos, à exceção do debate entre o líder do PS, José Sócrates e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que usufruirá mais 15 minutos de perguntas e respostas.

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+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Legislativas 2011

17 Apr

Foram este fim de semana conhecidos os cabeças de listas dos principais partidos para as eleições de 5 de junho. Aqui apresentamos a lista detalhada dos nomes que estarão na linha da frente da corrida a um lugar na Assembleia da República.

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