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Joana Vasconcelos

3 Mar

É parisiense e nasceu em 1971. As ruas apaixonantes da Cidade Luz de certo gravaram a sua essência no sangue e fizeram com que a artista plástica, Joana Vasconcelos, desenvolvesse uma capacidade artística fora do comum e com um toque especial de cor, brilho e originalidade. A sua primeira casa foi o Centro de Arte e Comunicação Visual em Lisboa, (AR.CO) onde se formou entre 1989 e 1996.

Até agora, Joana tem construído uma carreira sólida e com bases na arte contemporânea. Como tal, os diversos prémios que tem recebido são, nada mais, nada menos que a valorização do seu brilhante trabalho. Em 2000, a artista foi contemplada com o prémio EDP Novos Artistas, prémio que promove os expoentes máximos da arte contemporânea. Distingue, assim, artistas que estão a dar os primeiros passos na construção da sua carreira e que apresentam um leque variado de ideias originais e criativas, desde que inseridas no contexto nacional e internacional. Já o prémio Fundo Tabaqueira Arte Pública foi atribuído em 2003, devido ao projeto realizado no Largo da Academia das Belas Artes, em Lisboa.

Mas, o prémio que mais fez com que Joana Vasconcelos se demarcasse dos outros artistas e ganhasse mais projeção na sociedade portuguesa foi o The Winner Takes It All, em 2006, pela obra Néctar que se encontra exposta na entrada no Museu Coleção Bernardo, no Centro Cultural de Belém. Para a artista, e segundo uma entrevista de Agustín Pérez Rubio na altura em que o projeto ainda estava a ser desenvolvido, «o projeto do CCB é um projeto que vai ter uma repercussão maior no contexto português.». E teve. E a razão prende-se, não só pelo excepcional trabalho de Joana Vasconcelos, como pela grandeza que é ter um trabalho exposto no Museu Berardo. «Não existe um palco melhor em Portugal (…), o melhor palco para a arte contemporânea na cidade onde vivo, que é Lisboa, é sem dúvida o CCB».


Quanto à arte pública, Joana Vasconcelos tem contribuído para dar mais cor às ruas portuguesas. Prova disso é a obra Sr. Vinho, de 2010, que tem cinco metros de altura, avaliada em 300 mil euros, foi adquirida pela Câmara Municipal de Torres Vedras. No mesmo ano, o Terreiro do Paço foi o lugar eleito para a exposição da mais recente obra da artista: uma piscina que tem a forma de Portugal Continental. O lugar foi escolhido a dedo pois era importante existir uma ligação com a água e o país. Apesar da escultura já ter sido idealizada há algum tempo, foi devido às comemorações do centenário da República que fez sentido mostrá-la ao público para, assim, se «questionar o presente para se perspetivar o futuro», afirmou Joana numa entrevista ao jornal Público em no dia 22 de outubro de 2010.

Com obras espalhadas em coleções privadas europeias, Joana Vasconcelos tem provado que a criatividade é a principal arma para quem quer ter sucesso no mundo das artes contemporâneas, um campo cada vez mais competitivo e dominado por novos e grandes talentos.

Oito de março, oito mulheres

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Aurea

2 Mar
Já não é novidade que Portugal é um país recheado de talentos musicais, apesar das dificuldades com que se deparam aqueles que sonham fazer da música a sua vida. Um dos mais recentes exemplos desse talento nacional é Aurea, uma jovem cantora de 23 anos cujo álbum de estreia, lançado apenas em setembro de 2010, está no primeiro lugar do top de vendas nacionais há já três semanas consecutivas.

Se os mais distraídos quanto ao atual panorama musical português ouvissem o single Busy (For Me) passar casualmente na rádio, facilmente cairiam no erro de pensar que se tratava do novo hit da norte-americana Duffy ou de uma nova estrela do soul estrangeira. Mas de estrangeiro só mesmo o primeiro nome, que, ainda assim, foi escolha dos pais, ambos alentejanos. Também natural do Alentejo, Aurea Santos nasceu em Santiago do Cacém, mudou-se aos oito anos para a vila algarvia de Silves e vive atualmente em Lisboa.

Apesar de ter crescido rodeada por pessoas apaixonadas pela música e de ela própria ser uma dessas pessoas, ignorando a sua aptidão vocal, Aurea ingressou no curso de Teatro da Universidade de Évora, convicta de que queria ser atriz para o resto da vida e nunca pensando na música como uma possível carreira. Aí acabou por encontrar Rui Ribeiro, um estudante de música que, ao ouvi-la cantar ocasionalmente entre amigos, não pôde ficar indiferente à sua voz poderosa e envolvente. Mas só após vários convites para uma gravação é que a jovem alentejana consentiu e começou então a encarar a música como um projeto na sua vida.

Aurea possui já no seu currículo um dueto virtual com Elvis Presley da canção “Love Me Tender”, que faz parte da coletânea de covers Viva Elvis – The Album (2010), tendo obtido a aprovação da família do falecido rei do rock. O seu primeiro álbum, homónimo, conta com a participação de Rui como compositor e já alcançou o disco de platina, com mais de 20.000 cópias vendidas em apenas cinco meses.

Talentosa, bonita e carismática, a “menina de Ouro”, que é já considerada uma das revelações do ano, tem tudo para continuar a afirmar-se no mundo das artes em Portugal e além-fronteiras, contrariando a tendência da desvalorização dos artistas nacionais face os internacionais.

Oito de março, oito mulheres

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Elvira Fortunato

1 Mar
por Liliana Borges |

Docente do Departamento de Engenharia dos Materiais e coordenadora do CENIMAT (Centro de Investigação de Materiais) da Faculdade de Ciências, Elvira Fortunato é considerada uma das cinco melhores investigadoras de electrónica transparente a nível mundial. Só nos últimos dez anos, a cientista portuguesa coordenou e participou em mais de 20 projectos de investigação científica, tendo submetido ainda em autoria e co-autoria cerca de duas dezenas de patentes. Com 47 anos, a investigadora licenciada em Engenharia Física e dos Materiais, e doutorada em Microelectrónica e Optoelectrónica tem trazido um indubitável prestígio à investigação científica portuguesa.

Com centenas de artigos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais e vencedora de numerosos prémios das mais diversas entidades, a pioneira a nível europeu recebeu em 2009 um voto de congratulação pela Assembleia da República. Ainda no mesmo ano recebeu o “Prémio Especial de Reconhecimento Científico na Área da Electrónica Transparente e Paper-epela Union Women Inventors & Innovators Network e foi distinguida com o Grau de Doutoramento Honoris Causa pela Universidade romena Dunarea de Jos de Galati.

A 23 de julho de 2008 tornou-se vencedora do maior prémio internacional até hoje atribuído a um investigador português, o Advanced Grants. O European Research Council, que é tido como uma espécie de Nobel Europeu, conferiu pelo projecto “Invisible” uma bolsa de 2,5 milhões de euros que a cientista aplicou em investimento em material e despesas de pessoal do CENIMAT.

O resultado deste investimento mostrou ontem frutos, na inauguração do primeiro laboratório de nano fabricação do país, a funcionar na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL). Este projecto irá permitir avanços enormes nas nanotecnologias e colocar o país numa competição em que o mundo inteiro está a investir. Este laboratório funciona como qualquer outro, mas numa nano escala, uma escala atómica que o olho humano não consegue ver.

Dando provas de que merece o reconhecimento da comunidade científica mundial, Elvira Fortunato mostra que a perseverança, criatividade e iniciativa, quando aliadas, dão óptimos resultados, mesmo que sem sempre se vejam à escala do olho humano.

Oito de março, oito mulheres

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