Archive | Oito de março oito mulheres RSS feed for this section

Sofia Carvalho

8 Mar

Sofia Carvalho nasceu, curiosamente, no dia da mulher, a oito de março de 1970. Sempre sonhou fazer Marketing, mas a sua mãe achava que com esse curso ela só iria «vender tecidos de porta em porta». Para agradar aos pais fez três anos de Relações Internacionais, abandonando o curso para entrar em Marketing, onde fez outros três anos. Apesar de não ter finalizado nenhum dos cursos, considera a experiência gratificante, pois ambos tratavam matérias interessantes «e se o saber não ocupa lugar, why not?», disse a directora, em entrevista ao 5 para a meia-noite, no dia dois de fevereiro deste ano.

Aos 17 anos de idade, um amigo inscreve-a numa agência publicitária, onde acabou por ser contratada para alguns trabalhos. Mais tarde, outro amigo falou-lhe dum casting para locução de continuidade na TVI. Sem saber muito bem ao que ia, arriscou e acabou por ser selecionada, ficando a trabalhar na estação televisiva privada.

Um dia, Artur Albarran falou-lhe de uma reunião sobre um projeto da TVI na área do jornalismo. Daqui surge o Novo Jornal, onde Artur Albarran, Sofia Carvalho e Bárbara Guimarães se juntavam para apresentar as notícias. A determinada altura, recebe uma proposta para fazer um anúncio televisivo, aproveitando esta oportunidade para sair da TVI.

Anos mais tarde, quando já julgava estar esquecida, surge o convite para ser diretora do canal temático SIC Mulher, lançado a oito de março de 2003, «dedicado à mulher determinada, conhecedora, sensível, atraente (…) a construção de algo apelativo para estas mulheres, que existem e merecem um espaço.» Querido Mudei a Casa, o programa que é agora co-apresentado por Gustavo Santos, foi apresentado assim que surgiu o canal. Na altura, a escassez de recursos produtivos não permitiram encontrar uma apresentadora para o programa poder ser realizado, o que levou Sofia a adoptar este novo desafio e concretizar mais um projeto, tornando-se ela própria a imagem do programa.

Afirmando-se dona de um sexto sentido tipicamente feminino, acredita que a sua regra de vida é viver um dia de cada vez, tirando sempre o lado positivo das coisas «não acreditar é não viver». Sofia Carvalho acreditou e hoje, no dia em que completa 41 anos, é uma das fortes marcas do empreendorismo português.

Oito de março, oito mulheres

+++Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Oito de março, oito mulheres

8 Mar

Dia 8 de março comemora-se mais um dia da mulher. O Clique não poderia ficar indiferente e, por isso, até tal data iremos destacar, diariamente, um mulher que se tenha destacado nas mais diversas áreas. Um dossier sobre mulheres, escrito por mulheres.

Ciência – Elvira Fortunato

Jornalismo – Cândida Pinto

Artes Plásticas – Joana Vasconcelos

Música – Aurea

Teatro – Beatriz Batarda

Desporto – Telma Monteiro

Dança – Olga Roriz

Empreendedorismo – Sofia Carvalho

"A única pressão que sinto é a minha"

8 Mar

Telma Monteiro foi a personalidade do mundo do desporto que o Clique decidiu distinguir. Hoje, dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, destacamos o seu testemunho.

Numa breve entrevista ao Clique, Telma fala-nos um pouco de tudo. Das convicções e emoções que lhe advêm da sua carreira desportiva, do que lhe representa este dia e dos obstáculos que ainda tem para deitar ao tapete no presente ano.

O que a levou a escolher o Judo como desporto de eleição?

A primeira vez que experimentei fazer judo tinha 12 anos, mas na altura estava mais interessada em jogar futebol. Mais tarde por incentivo da minha irmã que entretanto também praticava, decidi voltar e já não quis sair.

Quais os momentos que mais a marcaram enquanto judoca?

Felizmente foram vários. Tenho ganho muitas medalhas em Europeus e Mundiais e todas são importantes, porque todas juntas representam o meu percurso do qual me orgulho muito.

Que significado tem para si participar em eventos, como o I Encontro Mulher e o Judo, que promovem o desporto que pratica e que valorizam a importância da, cada vez maior, afirmação das mulheres nesse mesmo desporto?

É importante incentivar as mulheres a praticar desporto, normalmente as mulheres são de uma forma geral quem “cuida da família”. Eventos como esse servem, não só para incentivar as mulheres a fazer desporto, mas este em particular serve sobretudo para divulgar o judo feminino e trazer mais mulheres para esta modalidade.

Como figura pública e referência nacional, tem consciência que é considerada um exemplo para muitas mulheres portuguesas?

Tenho consciência que isso pode acontecer, penso que com a minha atitude e maneira de estar transmitida através do desporto posso ser uma referência para muitas mulheres.

Sempre que participa numa competição sente uma pressão e responsabilidade acrescidas por ser a atual  número 2 no Ranking Mundial da sua categoria (-57kg)?

Não, a única pressão que sinto é a minha, a de querer ser melhor, de querer ser a melhor, sempre fui assim, independentemente da minha posição do ranking. Penso que é essa maneira de estar que me ajuda a estar no topo.

Para o presente ano, quais são as principais metas que pretende atingir?

Este ano tenho o Campeonato da Europa em abril , em Istambul, gostava de ser Campeã da Europa, depois tenho ainda dois Grand Slam, um em Moscovo e outro no Rio de Janeiro. Em agosto  tenho o Campeonato do Mundo, o meu objetivo  é sempre ganhar as provas em que entro, nem sempre é possível, mas são as minhas metas a atingir este ano.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Telma Monteiro

7 Mar

Em Portugal, Telma Monteiro é uma das atletas femininas que mais se destaca no mundo do desporto. Fazer do judo profissão era, até há bem pouco tempo, um direito exclusivo dos homens. No entanto, Telma conseguiu afirmar-se e hoje em dia é uma das melhores atletas a nível nacional e mundial. Iniciou a sua prática de judo há já onze anos. Em 2011 começou a acumular medalhas. Um ano depois de deixar de lado as suas experiências no futebol e atletismo e investir no judo foi Vice-Campeã Nacional de Esperanças. Indício de que teria um futuro prometedor pela frente. Aos 16 anos alcançou os títulos de Campeã Nacional de Juniores, venceu o 9º Campeonato da Europa de Juniores e o 2º Torneio Nível A de Juniores em Portugal.

No ano de 2003 angariou a Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Juniores, o 1º Torneio Nível A de Juniores na Suécia, Hungria e Portugal e o 3º Torneio Nível A de Juniores na República Checa. Venceu, na categoria de 52kg, a Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Seniores, o 9º lugar nos Jogos Olímpicos de Atenas, o Campeonato da Europa de Juniores, a Medalha de Bronze no Campeonato do Mundo de Juniores, a 1º Taça do Mundo de Seniores na Áustria e Itália e a 3ª Taça do Mundo de Seniores na Polónia e na Estónia.

Os duelos continuaram. A Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Seniores, o Campeonato do Mundo da mesma categoria e a Medalha de Prata no Campeonato da Europa de Sub-23 foram também conquistados por Telma em 2005. A nossa campeã, em 2006, continuou a arrasar adversários em tapetes por todo o mundo. Foi considerada Número 1 do Ranking Mundial (52kg). A este título juntou o Campeonato da Europa e Seniores e o de Sub-23, o 1º Torneio Super A em Moscovo e a 1ª Taça do Mundo em Lisboa.

Mostrando-se um exemplo a seguir no desporto e na vida, em 2007, com 21 anos, após ingressar na faculdade, continua a série de vitórias consagrando-se Campeã da Europa de Seniores, Vice-Campeã do Mundo de Seniores e venceu a 1º Taça do Mundo em Lisboa e Dinamarca e o 2º Torneio Super A em Paris e Moscovo. No ano seguinte, a Medalha de Bronze no Super A em Paris e o 9º Lugar nos Jogos Olímpicos acentuaram a tendência para contrariar adversários e a facilidade em executar as melhores estratégias para a vitória. No ano seguinte, foi Campeã da Europa de Seniores. Com uma preparação física invejável, o ano passado, tornou-se Medalha de Bronze no Campeonato da Europa de Seniores e Vice-Campeã do Mundo. Aglomerou a 1º Taça do Mundo em Sófia, 2º Grand Slam em Dusseldolf e Rio de Janeiro e o 3º Grand Slam em Moscovo.

No presente ano, saiu vitoriosa no 1º Masters em Baku e no 3º Grand Slam em Paris. Telma Monteiro defende que a sua receita para o sucesso advém do apoio incondicional da família. Revelando-se uma autêntica super mulher, a actual número 2 do Ranking Mundial concilia o Judo com os estudos na Universidade Lusófona de Humanidades. Tendo a palavra “acreditar” como lema de vida, a jovem pretende concluir a sua licenciatura em Educação Física e ser treinadora de Judo.

Leia aqui a entrevista que a judoca deu ao Clique.

Oito de março, oito mulheres

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Olga Roriz

6 Mar
Perfecionista e apaixonada pela dança desde sempre. É assim Olga Roriz, a bailarina e coreógrafa que encanta com as suas obras onde o grande destaque é o corpo como fonte de emoção.

Nasceu em 1955 em Viana do Castelo mas cedo rumou à capital, onde iniciou a sua formação artística e profissional na Escola do Teatro Nacional de S. Carlos. Durante dez anos aprendeu, com Anna Ivanova, a disciplina e o rigor necessários a uma bailarina e, apesar de não ter a silhueta tradicional de uma bailarina clássica, isso nunca a impediu de lutar pelo sonho de criança. O Ballet Gulbenkian, dirigido por Jorge Salavisa, foi a sua casa durante 16 anos, onde alcançou a visibilidade merecida. Encenou para o Teatro Nacional de S. Carlos, a ópera Perséphone de Igor Stravinsky, recebendo inúmeros elogios e afirmando-se como uma verdadeira criadora de espetáculos.

Hoje é uma das mais respeitadas senhoras do mundo da dança e o seu sucesso é reconhecido internacionalmente pela crítica e pelo público. A breve experiência como Directora Artística da Companhia de Dança de Lisboa entre 1992 e 1994 levou-a à criação, em 1995, da Companhia Olga Roriz, que inaugurou o seu novo espaço de trabalho em plena Baixa Lisboeta, em outubro de 2010. Um projeto sólido e com um grande currículo que aposta na formação de profissionais e jovens estudantes com o objetivo de dinamizar a àrea e criar uma relação mais aberta com artistas através de constantes workshops, conferências, exposições, concertos e seminários.

O seu último trabalho, Electra, fez parte das Comemorações do Centenário da República e surgiu da sua constante necessidade de fazer solos, considerando-os momentos muito especiais e de um intimismo inexplicável. Ao longo da sua carreira, Olga foi distinguida com vários prémios e menções honrosas de diversos países e, pela sua carreira e enriquecimento da cultura portuguesa, foi condecorada, em 2004, com a insígnia da Ordem do Infante D. Henrique/Grande Oficial da República.

Com um talento imensurável e trabalhando sempre intensivamente, Olga Roriz chegou a dar aulas na Escola de Dança do Conservatório Nacional e atualmente dedica-se também à fotografia, algo que sempre a fascinou. É a imagem da criatividade, esforço, paixão e sucesso. Os palcos portugueses estarão sempre à sua disposição.

Oito de março, oito mulheres

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Cândida Pinto

5 Mar

Rádio, imprensa, televisão. Cândida Pinto passou por vários meios de comunicação mas foi no pequeno ecrã que se consagrou como uma das mais conceituadas e premiadas jornalistas portuguesas. Licenciada em Comunicação Social pelo Instituto de Ciências Sociais e Políticas, cedo mostrou o seu interesse pelo jornalismo. Começou na Antena 1, ainda como estagiária, e passou pela TSF antes de chegar à RTP, onde se iniciou no jornalismo televisivo e o assumiu como prioridade na sua carreira.

Dedicada quase exclusivamente à produção de reportagens, Cândida Pinto acompanha o nascimento do primeiro canal privado da televisão portuguesa e junta-se à SIC em 1992, estação onde se notabilizou. A reportagem de guerra foi o segundo grande pilar do seu percurso e fê-la passar por cenários como Angola (1994), Guiné (1998), Kosovo (1999), Timor e Afeganistão (2001).

A sua rápida ascensão na Sociedade Independente de Comunicação valeu-lhe o cargo de Diretora da SIC Notícias, em 2001, proposta que representou uma viragem na sua carreira e que foi encarada como um grande desafio. Fiel à sua paixão, colaborou ainda com a BBC rádio e deixa a televisão em 2005 para se tornar subdiretora do Expresso, onde voltou a fazer valer a aposta do grupo Impresa no seu rigor e objetividade.

De regresso aos estúdios, assume, em 2008, o comando da Grande Reportagem (SIC), funções que ainda ocupa atualmente e que lhe asseguraram o reconhecimento dos seus pares. Entre outros prémios e menções, o relato do dia a dia dos jovens órfãos de Moçambique na reportagem Eu e os meus irmãos foi distinguida com o prémio AMI – jornalismo contra a indiferença, marcando o registo que sempre seguiu no acompanhamento de realidades complexas e desconhecidas do grande público.

Mulher dos sete ofícios e cidadã do mundo, Cândida Pinto não recusa o acompanhamento da cena internacional. A prova disso é que está neste momento na Líbia a acompanhar todos os conflitos e a assistir aos massacres que tantas vezes marcaram os seus trabalhos. “É um privilégio ser testemunha direta do que muda no mundo”, afirma.

Questionada pelo Clique acerca do futuro do jornalismo em Portugal, Cândida Pinto confessa que espera mais rigor e investigação. Numa altura em que tanto se fala de uma crise de valores e do próprio sistema mediático, fica o apelo e o desejo de uma das mais notabilizadas jornalistas portuguesas.

Oito de março, oito mulheres

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Beatriz Batarda

4 Mar

«Ser atriz foi uma coisa que aconteceu»: é assim que Beatriz Batarda descreve como chegou à sua profissão. Porém, o caminho que a levou ao cinema e aos palcos foi começando a ser traçado bem cedo. Aos 12 anos, trabalhou com João Botelho. Quatro anos depois, com Manoel de Oliveira. Felizes acasos.

O seu percurso foi variando: em criança, queria ser trapezista. Mais tarde, depois de passar pelo Colégio Francês, quis enveredar pelo Design, no IADE. Foi em 1997 que decidiu apostar na formação de atriz – e levou as malas para Londres, para a Guildhall School of Drama, de onde saiu com distinção.

Dedicou-se por inteiro à sua arte: o grande ecrã já presenciou as suas colaborações com João Canijo (Noite Escura), Marco Martins (Alice), Margarida Cardoso (A Costa dos Murmúrios); porém, não só o cinema português beneficia do seu talento. Assim sendo, já foi reconhecida com uma nomeação para os prémios Shooting Stars, do European Film Promotion. Nos palcos, Luís Miguel Cintra, João Perry e Diogo Dória são alguns dos nomes com que já trabalhou.

Os picos do seu caminho são simbolizados por prémios como o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Cinema em 2003, e muito recentemente foi galardoada com o Prémio Autores da SPA e da RTP. Desde 2010, é Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.

Beatriz da Silveira Moreno Batarda diz que, no início da carreira, a levaram «mais a sério que ela própria e a coisa foi crescendo». Atualmente, encena a peça Azul Longe nas Colinas, de Dennis Porter, no Teatro Nacional D. Maria II. Seja acaso ou destino, é certo que Beatriz Batarda pertence às artes: e por isso, agradecemos.

Oito de março, oito mulheres

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++