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Tragédias em férias

11 Feb
por Jorge Sousa |

O milagre de 10 de junho de 2007, em pleno Grande Prémio do Canadá, voltou a acontecer no passado dia 6 de fevereiro. Mais uma vez, antecipando-se o pior, Robert Kubica – o primeiro Polaco a guiar na Fórmula 1 – milagrosamente saiu com vida de um acidente de elevada dureza. Poucos dias após ter finalizado os testes em Valência do novo monolugar da Renault, pior não poderia ter sido este último período de férias do piloto antes do início da competição.

O certo é que milagres nem sempre ocorrem. Colin McRae, o mais jovem campeão mundial de Rally de sempre, perdeu a vida quando a 15 de setembro de 2007 levou um grupo de familiares e amigos da família num passeio no seu avião privado. Este despenhou-se provocando a morte de mais três pessoas, uma delas o filho de cinco anos do condutor.

Outra história trágica é a de “João do Pulo”, forma como era conhecido o antigo recordista mundial do triplo salto João Carlos de Oliveira. Desta feita, num acidente automóvel, em 1981, um ano após ter participado nos Jogos Olímpicos (venceu a medalha de bronze numa prova bastante polémica), teve de ter a sua perna amputada. Todavia, o pior ainda estaria para acontecer, quando em 1999, sozinho e com dívidas financeiras, faleceu devido a uma cirrose hepática.

No futebol, milagres como o de Kubica também parecem não acontecer, sendo vários os casos trágicos que foram marcando os períodos de férias, ou de final de época dos jogadores. Darío Silva, internacional uruguaio viu a sua carreira acabar, quando numa visita ao seu país em setembro de 2006, sofreu igualmente um acidente automóvel que fez com que a sua perna tivesse de ser igualmente retirada do joelho para baixo. Andrés Escobar é outro caso trágico, desta feita ainda mais dramático. Em 1994, após ter marcado um auto-golo no Campeonato do Mundo afastando assim a sua seleção da fase seguinte da prova, foi morto no seu país natal, a Colômbia, num ato que muitos acreditam ter sido de vingança. O povo colombiano chorou a sua morte, com a presença de 120.000 pessoas no seu funeral. Com 27 anos de idade, o jogador preparava-se para jogar no futebol europeu, mais propriamente no AC Milan

Em Portugal, Bruno Baião foi o segundo atleta do Benfica a sucumbir em 2004, num ano negro para o clube. No entanto, ao contrário de Miklós Fehér que faleceu em campo, o jovem capitão dos Juniores dos encarnados acabaria por cair inanimado num café após um treino de final de época, falecendo quatro dias mais tarde. No ano seguinte, o drama voltaria a instalar-se no Futebol Nacional, desta feita com a morte de Hugo Cunha, atleta da União de Leiria e com passagem no Vitória de Guimarães. Num jogo de amigos no final de junho, o atleta sentiu-se mal, falecendo no local. Por fim, Rui Filipe. Em agosto de 1994 o jogador do Futebol Clube do Porto perdeu a vida num desastre automóvel quando contava com 26 anos. Um mês antes de falecer acabaria por alcançar um último momento de glória conquistando a Supertaça Nacional.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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