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Clássico é clássico

2 Feb
por Jorge Sousa |

Clássico é clássico, não há volta a dar. É um ambiente diferente, os adeptos sentem-no, os jogadores também. Pela 247ª vez Porto e Benfica preparam-se para novo confronto. E, analisando os dados, o Benfica historicamente parte em vantagem, com 109 vitórias, contra 103 portistas (de resto, contam-se 59 empates entre ambas as equipas). Num duelo jogado a duas mãos, não se trata de um jogo decisivo, mas o mesmo pode, a nível psicológico, assumir um papel fundamental para o resto da temporada.

A importância desta eliminatória ganha contudo contornos interessantes, considerando-se que pode levar a uma viragem histórica no futebol nacional. Futebol Clube do Porto corre atrás da equipa lisboeta, numa maratona iniciada a 17 de abril de 1982, com a eleição de Jorge Nuno Pinto da Costa. O grande objetivo desta corrida que dura há quase três décadas? Tornar os azuis e brancos o clube mais titulado a nível de futebol no país.

Atualmente, os encarnados no escalão sénior continuam na frente com 69 conquistas (este ano, ainda pode vencer Taça de Portugal e a da Liga, tal como a Liga Europa, onde os Dragões também estão). Todavia, a margem de manobra do clube está reduzida ao mínimo, uma vez que o clube nortenho acumula no seu palmarés 68 títulos. E, assumindo que a conquista do campeonato pela equipa de André Villas-Boas é cada vez mais uma realidade, esta edição da Taça de Portugal ganha contornos escaldantes no desenrolar desta rivalidade, que se tem vindo a acentuar nos últimos anos.

Na primeira mão no Estádio do Dragão, tal como aconteceu na última vez que se defrontaram, quem manda é a equipa da casa. Nos encontros já realizados no reduto dos portistas, Futebol Clube do Porto conta com 62 vitórias, contra 12 do Sport Lisboa e Benfica (em empate resultaram 25 partidas). No entanto, após a derrota histórica de 5-0, que ocorreu no passado mês de novembro, os pupilos de Jorge Jesus, quererão juntar forças para contrariar a história e vingar esse resultado, ainda para mais, tendo em conta que o troféu em disputa foi um dos poucos que faltou à equipa encarnada na época passada.

No terceiro confronto entre rivais realizados neste ano desportivo, o treinador encarnado procura ainda a primeira vitória, após, no início da época ter sido também derrotado na Supertaça. A verdade é que, desta feita, o Benfica apresenta-se no Dragão à procura da 13ª vitória consecutiva em competições nacionais, um fator que certamente servirá para moralizar o seu plantel. Villas-Boas terá tido isso em conta na preparação da equipa e portanto quererá desde cedo resolver a partida, não permitindo assim um crescimento do rival ao longo da mesma.

Este jogo também será o primeiro pós-David Luiz, que poderá não ser a única baixa desta quarta-feira. Radamel Falcão, uma das principais figuras do Dragão, encontra-se em dúvida e só mais próximo da hora do jogo se saberá se atua ou não. O certo é que mesmo não podendo contar com estes atletas, ambos os clubes avançam destemidamente para mais um embate, que promete ser um espetáculo que fará parar o país de norte a sul.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++