Archive | April, 2011

Concerto da semana: Aloe Blacc

28 Apr

Aloe Blacc estreia-se nos palcos portugueses na próxima quarta-feira, dia 4 de maio, na Aula Magna, com um concerto de apresentação do seu último álbum, Good Things.

I Need a Dollar, que já anda nos ouvidos do portugueses há alguns meses, foi o primeiro single deste álbum e o hit que catapultou o músico norte-americano para o sucesso. Mas Aloe Blacc já não é novo no mundo da música. Nasceu na Califórnia em 1979 e, juntamente com o rapper, dj e produtor Exile, formou o duo de hip-hop Emanon em 1995. Em 2003 iniciou a sua carreira a solo e em 2006 lançou Shine Through.

O primeiro álbum passou despercebido, mas é então que, quatro anos depois, Good Things chega às lojas e  Aloe conquista a Europa “a pedir um dólar”. Rapidamente chegou ao top 10 em cinco países europeus e o top 40 em três outros, conquistando o disco de platina na Suíça e o disco de ouro na Alemanha. Loving You is Killing Me é o seu novo single e já passa nas rádios nacionais, dando continuidade ao sucesso de I Need a Dollar, que colocou Aloe Blacc entres os grandes nomes do soul mundial da atualidade.

«My purpose for music is positive social change» («o meu propósito com a música é provocar uma mudança social positiva»), afirma Aloe, acrescentando que «Mesmo que a música em si não expresse explicitamente algo que signifique mudança social positiva, o seu resultado fá-lo-á». Talvez seja este o segredo do seu sucesso. Num mundo que se divide em crises políticas, económicas e ambientais, música que apele ao positivismo e à mudança resulta como uma lufada de ar fresco para o público.

Tudo isto e muito mais se espera deste concerto que terá casa cheia (os bilhetes esgotaram esta semana), com a primeira parte a cargo da rapper australiana Maya Jupiter.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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Madeleine Peyroux e Charles Bradley no Cool Jazz Fest

28 Apr

Madeleine Peyroux e Charles Bradley são os mais recentes nomes confirmados para o festival de verão Cool Jazz Fest realizado, anualmente, em Cascais. A cantora atuará no dia 6 de Julho e o cantor a 17.

A artista jazz nascida na Geórgia lançou o seu disco de estreia em 1996. Dreamland ganhou logo a atenção da crítica pois, para além dos originais Always a Use, Dreamland e Hey Sweet Man, Madeleine arriscou-se nos covers de Billy Holiday , que lhe valeu o título de ‘’Billy Holiday do século XXI’’ e de outros artistas do jazz e do blues.

A autora de sucessos como Don’t Wait Too Long e I’m Alright, vem a terras lusas apresentar o seu mais recente álbum, Standin’ On The Rooftop. Atuando no Parque Marechal Carmona, em Cascais, as honras de abertura do espetáculo serão entregues a Pierre Aderne.

Quanto a Charles Bradley, o cantor que combina funk com soul, apresentará, juntamente com a sua banda, The Budos Band, o disco de estreia No Time For Dreaming, no mesmo local que Peyroux.

Para este festival estão também confirmados Sharon Jones & The Dap Kings, Mayer Hawthorne, Céu, Diego El Cigala, Maria Schneider & Orquestra de Jazz de Matosinhos, Seal e Jamie Cullum.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

Máscaras Ibéricas no Rossio

28 Apr

«Uma feliz combinação de cultura, artesanato, animação e gastronomia», é assim que é caracterizado o Festival Internacional da Máscara IbéricaFIMI – que se apresenta ao público português entre os próximos dias 28 de abril e 1 de maio no Rossio, em Lisboa.

Organizado pela Progestur (Associação para a promoção, gestão e desenvolvimento do turismo cultural português) em parceria com a Egeac (Empresa de gestão de equipamentos e animação cultural de Lisboa) e com o apoio da ATL (Associação de Turismo de Lisboa) e da Câmara Municipal de Lisboa, a sexta edição do FIMI englobará actividades variadas, entre as quais workshops, provas gastronómicas de produtos regionais, espetáculos de palco com música tradicional e moderna, arruadas, jogos tradicionais e um concurso de fotografia.

Durante quatro dias, as máscaras ibéricas irão colorir e fazer da animação a palavra de ordem na praça D. Pedro V.

Para dia 30 de abril, sábado, está marcado o ponto alto do certame ibérico, com o Grande Desfile da Máscara Ibérica, prevendo-se a participação de grupos de múltiplas regiões europeias, num total de 450 participantes.

No programa está ainda evidenciado o caráter além-fronteiras do evento, havendo dois dias temáticos dedicados às máscaras e à cultura de duas localidades espanholas: Zamora (dia 29) e Cantábria (dia 30), estando destacadas jornadas gastronómicas no Hotel Tivoli. A confeção dos menus estará a cargo dos chefs Mónica Fernández e Joseba Guijarro enquanto Nacho Manzano, distinguido com duas estrelas Michelin, estará encarregue da degustação de produtos do Principado das Astúrias.

O Festival das Máscaras Ibéricas estará patente um pouco por toda a cidade lisboeta, com animação musical constante, exposições com artesãos a trabalharem ao vivo. Paralelamente, nos Armazéns do Chiado decorrerá uma Mostra da Província de Cáceres, apresentada pelo Patronato de Turismo, Artesanía y Cultura Tradicional.

Ganhando o estatuto de festival em 2010, o FIMI acontece pela primeira vez fora da programação das Festas de Lisboa, mostrando assim a independência e êxito da iniciativa que é já considerada a maior atividade dedicada à apresentação das tradições pagãs das máscaras de origem ibérica.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Coimbra apresenta exposição surrealista

27 Apr

O artista plástico conimbricense, Santiago Ribeiro, e a artista vietnamita, Vu Huyen Thuong, inauguram na próxima quinta-feira uma exposição conjunta intitulada Surrealismo Português e Surrealismo Vietnamita que ficará patente na Galeria do Recordatório da Rainha Santa Isabel, na Rua António Augusto Gonçalves, em Santa Clara, Coimbra, até 30 de maio.

Esta exposição irá apresentar duas dezenas de trabalhos dos dois artistas plásticos. Os quadros do pintor integram também a exposição itinerante Pinturas Surrealistas.

Santiago Ribeiro já havia selecionado Vu Huyen Thuong, em 2010, para a Internacional Surrealismo Now, classificando a sua obra como “diferente”, integrando traços da cultura asiática e do seu país, o Vietname.

Vu Huyen Thuong tem apenas 28 anos e já realizou várias exposições fora das fronteiras vietnamitas, nomeadamente na Coreia do Sul e em Portugal.

A exposição, que será inaugurada às 16 horas, conta com a presença dos artistas responsáveis pela mesma e de inúmeros convidados. Este evento possibilita o confronto entre dois pintores com estéticas marcadamente distintas.

A apresentação destas pinturas surrealistas marca a abertura do Recordatório da Rainha Santa Isabel, aguardando a visita de entendidos, apreciadores da arte surrealista ou somente meros curiosos.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Slash no Meco

27 Apr

Slash é a mais recente confirmação para o festival Super Bock Super Rock. O guitarrista atua no Meco no dia 16 julho.

O antigo guitarrista dos Guns N’ Roses regressa assim a Portugal depois de ter passado pelos Coliseus do Porto e Lisboa em junho do ano passado. Recorde-se que Slash tem agora uma carreira a solo. Após ter saído da banda americana em meados dos anos noventa e ter passado por vários projectos, lançou o seu primeiro álbum a solo em 2010.

O artista britânico, naturalizado americano, sobe ao palco principal do Super Bock Super Rock no mesmo dia Brandon Flowers, Elbow e The Strokes. O festival decorre entre os dias 14 e 16 julho na Herdade do Cabeço da Flauta e os bilhetes variam entre os 45€ e os 80€. Mais informações podem ser encontradas aqui.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Honoris Causa a José Veiga Simão

25 Apr

O principal defensor da democratização do ensino durante o período do Estado Novo, José Veiga Simão, será distinguido com o doutoramento Honoris Causa em cerimónia solene no Grande Auditório do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, no próximo dia 27 de abril.

A condecoração, a ser atribuída pelo Reitor, Luís Antero Reto, tem como objetivo reconhecer o papel primordial que Veiga Simão desempenhou na reforma do Ensino Superior nos anos 70. 

Entre as suas ações mais marcantes está a criação da Universidade de Aveiro em 1973, fundada num contexto de expansão e renovação do ensino superior português.

Professor universitário e atualmente Reitor da Universidade de Lourenço Marques (presentemente denominada Universidade de Eduardo Mondlane), José Veiga Simão já recebeu vários reconhecimentos públicos e títulos honoríficos, entre os quais o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade de Joanesburgo e a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Com um papel indubitavelmente importante durante os longos anos de Estado Novo, o ex-ministro tem mostrado o seu desagrado com algumas medidas tomadas por Mariano Gago, defendendo a revitalização e uma estratégia diferente para as universidades portuguesas.

A condecoração, a acontecer no próximo dia 27 pelas 17h30, irá decorrer em simultâneo com a distinção de André Jordan, empresário das áreas do turismo, imobiliário e media.

Maria de Lurdes Rodrigues, ex-ministra da Educação e docente no ISCTE-IUL, será a madrinha de doutoramento Honoris Causa a José Veiga Simão e, tal como o homenageado, irá fazer uma breve intervenção.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

Impressões sobre a Revolução de Abril

25 Apr

«Há precisamente 36 anos, Portugal ia hoje a votos para a Assembleia Constituinte. Há precisamente 35 anos, Portugal ia a votos para as primeiros eleições legislativas livres em muitos anos. Hoje, Portugal está sem Governo e, pelo menos por agora, ingovernável.

A Revolução de abril foi um marco na História de Portugal. Foi um momento de mudança, tanto quanto o é o fim de uma ditadura. Com o 25 de abril, acabaram as perseguições, acabaram os presos políticos, acabou a guerra, acabaram os racionamentos de alimentos, acabou a censura. Acabaram mais de quarenta anos em que o Estado, que mais não era que um só homem, controlava e determinava o dia-a-dia de cada português.

Com o 25 de abril, Portugal abriu-se ao mundo e esperavam-se mudanças radicais. Entrámos na CEE, modernizá-mo-nos com os dinheiros europeus, criámos sistemas de saúde, de segurança social, de educação, de cultura, para todos. Portugal tornou-se um país aberto e em competição com os gigantes europeus na busca por um papel relevante num mundo global.

Mas hoje, 37 anos depois do último dia que originou um feriado nacional, concluímos que Portugal não cumpriu o que se esperava dele. Olhando para o nosso caso, ocorre a comparação com um jogador da bola, uma daquelas promessas que se podia tornar num dos melhores do mundo; teve a fama, mas nunca chegou a ter o proveito. Com Portugal, a história foi idêntica: tinha tudo para ter um grande desenvolvimento mas, no fim, os vícios e o “fácil” (tal como com os jogadores da bola) acabaram por levá-lo às ruas da amargura.

Portugal é hoje um país economicamente do avesso. Após a revolução, os portugueses nunca conseguiram perceber o significado de palavras como “democracia”, “liberdade” ou “igualdade”. Exigiu-se o fim de um ditador que controlava a vida de cada um, para se tentar impôr um Estado que controlasse a vida de todos. Quis-se liberdade para pensar, dizer,  fazer, atentar, criticar tudo e todos, a começar pelo Estado, mas quando as dificuldades surgem, é ao Estado que se volta.

O Portugal de hoje é um adolescente mal-comportado que vê no Estado um pai que não respeita. Quando precisa de dinheiro, o “pai” lá tem que estar para o cobrir, mas quando chega a hora de retribuir, os impostos são para os “outros” pagarem. Portugal é uma criança que ansiava por poder falar, mas assim que aprendeu só consegue dizer palavrões.  Portugal é um jovem irresponsável e arruaceiro, que se porta mal perante o seu “pai-Estado”, numa relação amor-ódio em que diz que não o quer mas não consegue viver sem ele. É um adolescente que, em casa, se porta mal mas que, quando sai à noite com os seus amigos e vizinhos, vai sempre bem apresentado, como se a sua fosse a mais normal das famílias. É, até, um adolescente que faz festas em casa para os amigos, autênticos sucessos sociais, que tentam fazê-lo esquecer a morte lenta do seu “pai”.

Com Salazar e Caetano morreu uma grande parte negra da História portuguesa. Mas a ânsia de nos livrarmos do “mal” não nos permitiu ver que tínhamos algo a aprender com as quatro décadas de ditadura e não nos deixou manter o que havia de bom. Perdeu-se o sentimento de nacionalismo que faz falta a uma nação, perderam-se a ordem e o respeito pelos outros e pelas instituições, perdeu-se grande parte da liberdade por troca com uma libertinagem bacoca, perdeu-se o sentido de responsabilidade. Ganhámos um país livre. Agora, 37 anos depois, está na hora de aprendermos o que significa verdadeiramente “liberdade”. Dia 5 de junho, é a data do exame.»

João Vargas, diretor de Conteúdos

«25 de Abril. Se eu tivesse competência para o fazer, elegeria este como o dia mais emblemático da história portuguesa. O dia em que a coragem se sobrepôs ao calculismo, o dia em que fomos, como sempre, pacíficos mas vitoriosos.

Portugal é hoje um país manietado, vítima de uma transição de regime pouco eficaz e até mesmo de uma má integração europeia. O pioneirismo e espírito de conquista que anteriormente fizeram o nosso país a mais importante potência mundial, foram-se perdendo, também muito por culpa da ditadura, que convenceu as pessoas de que deviam estar quietas, ser tementes a Deus e esperar pelos desígnios d’Ele neste cantinho de humildade, paz e sol dourado.

Na verdade, 37 anos depois do final da ditadura, muito continua por fazer, porque a revolução cultural continua por concretizar, porque continuamos, como eu dizia há uns dias, com brandos costumes e com a tacanhez que o salazarismo semeou em nós. E ele continua por aí. A cada esquina, escondido em cada resquício de pequenez, de conservadorismo bacoco, do medo de arriscar. As más línguas, o comentário de café, à boca fechada, em surdina, no conforto da mesa e à distância do televisor, mais não são do que uma má herança desse tempo, em que não nos era dada a hipótese de agir.

Mas essa falta de vontade de agir é mesmo o que move aqueles que pedem o regresso de Salazar ou que dizem cobras e lagartos da democracia que temos sem propor qualquer alternativa, e se pedem uma ditadura para “pôr tudo no sítio” é basicamente porque não têm coragem de agir, são comodistas e não são capazes de tomar para si a responsabilidade da mudança.

Há 37 anos, eles não tiveram medo do que podia acontecer e puseram a sua liberdade e vida em risco para que os portugueses pudessem tê-las. Liberdade, com toda a responsabilidade que ela traz e vida, a sério, por completo, sem ser orientada por uma mão invisível, sem ser vigiada a cada passo ou censurada em cada linha.

A revolução nova que se pede não se fará com militares na rua, não se fará com manifestações, embora estas também façam parte da revolução em marcha, faz-se com a força do voto, que é a arma mais forte que temos, e com a participação política, nas associações, nos clubes, nas juntas de freguesia, representando o interesse de uma população, de um conjunto de trabalhadores ou mesmo de um grupo de pessoas movidas pela mesma paixão. É aí que se constrói e se revitaliza a democracia, é na responsabilização e na luta feita por cada um de nós que se faz amadurecer um país com uma revolução jovem, mas com uma história cheia de momentos de progresso e de conquistas importantes na história do mundo.

Sou português, com orgulho, e não alinho com saudosismos e nostalgias relativamente a um Estado de coisas que nunca trouxe nada de Novo. Hoje, dia da Liberdade, grito a plenos pulmões: 25 de Abril Sempre – Fascismo Nunca Mais!»

Pedro Coelho, editor de Portugal

«E ver-te descer a avenida. O andar ardente, o cabelo na brisa das manhãs da Estiva. Sete da manhã. Airoso… com o ar de quem acabara de sair da banheira mesmo vestido – chovia imenso.

Adivinhava, ao longe, o cheiro do véu de névoa que te cobria e que era nenhum. Estancaste a algum meio metro do sítio onde estava. Assustei-me. Então sorriste e correste para mim. E tocar-te e sentir-te e beijar-te e tocar-te outra e outra vez. Sentir que, afinal, após tanto tempo continuamos os mesmos, no mesmo lugar. “Acabou”, dizias. E cada lágrima que na cara me escorria nesse momento compensava a tristeza de uma eternidade escondida.
Queria mostrar-te tudo, mas já não sabia nada. E então o tempo passava e eu beijava-te (e podia fazê-lo!) e tocava-te e amava-te. Ao fim de tantos anos… Liberdade.»

Sara Recharte, editora de Internacional

«Se esta foi a verdadeira, ou melhor, a maior revolução da história portuguesa, tenho pena de não a ter presenciado. Apesar de muita gente jovem da época a caracterizar como um «anseio para a mudança» e afirmar que viviam numa «ilusão tão grande que nem sabíamos bem o que estávamos a fazer», eu consigo percepcionar as coisas de uma forma muito diferente.

Por muito que os jovens militares se limitassem a seguir ordens e desejassem algo que eles não conheciam… é óbvio que ninguém conhecia o que viria a seguir. Contudo, devem orgulhar-se das mudanças que provocaram; dos direitos que conquistaram; da opressão que derrubaram. Melhor do que isso, devem orgulhar-se da Revolução ter sido feita de Cravos e não de Sangue.

E é esse o ponto que, para mim, deve ser tido como exemplo. E, também, é aí que eu digo que gostaria de fazer parte dos milhares que saíram à rua no dia 25 de Abril de 74. A liberdade de expressão e de imprensa são direitos que, para mim, são invioláveis. E cada passo dado em função disso só nos deve encher a alma. O melhor de tudo é que o povo português conseguiu recuperá-los, após tantos anos de «boca fechada». E o mais bonito de se ver (e digo-o em função do que me contam e de filmes que vejo) foi a união que se sentiu nas ruas do país. Foi a força e o orgulho de ver o triunfo daqueles heróis, com cravos na ponta da espingarda e o sentimento de quem conquistou o mundo.

Hoje fala-se desse tempo com nostalgia. Hoje pede-se ao Otelo Saraiva de Carvalho, o estratega da Revolução, para fazer outro 25 de abril. E porquê? Precisamente porque todos ansiamos outra mudança, «mesmo que não saibamos como o vamos fazer». E todos precisamos dessa união que conseguiu, de facto, mudar mentalidades e mudar vidas. Para mim, o 25 de abril é isso mesmo: esperança.»

Marta Spínola Aguiar, editora de Atualidades

«Acreditar é a nossa essência. Quando a perdemos, o sentimento de impotência é incapacitante. O 25 de abril, foi, para mim, um dos conjuntos de momentos em que a atitude da crença inundou as multidões, em prol de dias em que se poderia viver sem restrições às liberdades primárias do ser humano e mais justos.

Caminhando por Lisboa, sentiremos ainda a energia e a emoção das pessoas que ali moldaram o nosso futuro? Ao descer as escadas finas em direção ao Rossio, teremos noção da força humana que pisou aqueles degraus? Sentiremos a eletricidade no ar, os ideais que moveram a turba?

Mais do que uma revolução, o 25 de abril foi um ato de crença. Acreditar em valores, objetivos, leis, capacidades; todos nós personificamos esta palavra. E naquele dia, as ruas encheram-se por ela e reformaram as velhas ideias e os atos condenáveis por elas trazidos.

Sobre o pós-25 de abril, as interpretações divergem e complexificam-se. E a palavra de que falo preza a sua simplicidade. Hoje, 37 anos depois, acredito que a democracia é justa e que acreditar ainda é possível. As pessoas são imperfeitas e o poder é ardiloso; e esperávamos mais e a revolta perante situações presentes é palpável.

Enquanto cidadãos, não podemos demitir-nos das nossas crenças, nem esquecer que não estamos sozinhos. A essência é-nos comum a todos. A meu ver, foi isso que nos uniu há 37 anos e que hoje também nos pode ajudar a continuar e a caminhar, por Lisboa ou por onde quisermos.

Nem sempre o pudemos fazer.»

Leonor Riso, redatora