A faceta espiritual do Manifesto (parte I)

19 Mar

A manifestação de 12 de Março contou com uma grande influência musical que coordenou e motivou as multidões em Lisboa. Dentro dos grandes nomes da intervenção portuguesa como Fernando Tordo e os mais recentes Homens da Luta, encontravam-se os Blasted Mechanism. Valdjiu e os respectivos membros espalham a sua mensagem há mais de quinze anos e não conseguiram recusar presença na maior manifestação dos últimos anos.

O Clique publica hoje a primeira parte de uma entrevista com o líder da banda, onde se tenta perceber uma perspectiva nunca antes abordada em tempos de crise.

A vossa participação na manifestação deu-se por convite ou por iniciativa própria?

Não fomos convidados se não por nós próprios. Manifestar é dar à luz uma voz. No entanto, mais do que querermos perpetuar com o desgaste enorme que está a acontecer a nível social, espiritual, material e natural, queremos semear e colher o fruto que seja mais humano e que seja mais apetecível para as próximas gerações.

Qual foi a importância da manifestação que ocorreu no dia 12 de Março?

A manifestação continua activa. Neste momento temos a Natureza a revoltar-se contra o Homem. Temos centrais nucleares a explodir. Isto não é só um problema português nem um problema de uma só geração. É um problema de uma população mundial. Começa há muito tempo atrás. Penso que temos os dias contados porque a economia que tem de fazer mexer o mundo não é uma economia financeira. É a economia de recursos que tem maior influência neste planeta. Se nós estivéssemos no meio de um deserto e se eu tiver água e tu tiveres uma banana, o que é que valerá mais imediatamente? E se tu tiveres 500 euros e eu tiver água? Eu não venderia a minha água por 500 euros. As hipóteses seriam eu partilhar a minha água ou tu morreres de sede. Portanto, os recursos acabam por ter muito mais importância do que o valor monetário.

Houve um lado espiritual dentro da manifestação?

Houve, completamente! Todos os homens são seres espirituais por terem uma experiência dentro de um corpo. Estando 280 mil pessoas presentes, havia uma componente espiritual muito rica nesse sentido. O que move as pessoas cada vez mais é a energia da partilha e do coração e a energia da unidade comum. A energia do surfar a grande onda primordial numa grande nave espacial chamada Terra. Diga-se de passagem que vamos a uma grande velocidade. Vamos a girar sobre nós próprios. Estamos convencidos de que aquilo que nós temos tem que ser protegido. Logo, nós temos de nos entregar e nos dar ao presente. Olho à minha volta e só vejo lixo e pessoas determinadas a proteger qualquer coisa. E isso não é amor, é medo.

A música tem um grande papel dentro da revolução?

Eu costumo separar o “re” e a “evolução”. Eu tenho visto muito a evolução. Ou seja, por onde é que nós vamos. A música é matéria em movimento que consegue penetrar as células e fazê-las entrar em festa. A seguir, as células começam a negociar com a alma e quando dás por ela estás a conseguir descer uma consciência nova à terra. E a música é esse canal. A música desperta, activa e catalisa.

Quais foram as demandas dos Blasted Mechanism na Manifestação?

O país está a ir para baixo mas os Blasted andam há quinze anos a gritar revolução. Mas é uma revolução espiritual e social. Uma revolução que apela ao amor. Mas não é através da tecla que está desafinada que se atinge os nossos objectivos. É através de puxar para cima e elevar a consciência do país. As nossas demandas eram direccionadas para o povo. Encorajar e instruir. Levámos o fruto daquele vórtice de energia e recebemos um mote de muita pujança que intitulámos de “puxa para cima a tua energia”. Já fomos para o estúdio logo na mesma noite. Senti mais do que potencial. Senti uma homenagem ao povo português.

Os Blasted Mechanism possuem uma ideologia política forte?

Nunca houve uma ligação política directa entre os Blasted Mechanism e outros partidos. Mais do que político, a minha ideologia é “pró-abundância” e “pró-criação”. Um sentido de unificação universal. Uni-verso.

Os Blasted Mechanism são música mas também são uma mensagem. O que vem primeiro, a música ou a mensagem?

A música é o motor. O som é o grande gerador ao qual a mensagem desce. O som faz com que a intenção desça e se espalhe. A música está em primeiro lugar porque faz descer a mensagem.

Neste momento, encontram-se numa fase «Light in Sound» ou «Sound in Light»?

Neste momento, falamos numa fase de saber o que é que queremos. Nós temos de saber o que queremos porque quando vais para um sítio gritar e queres mudar alguma coisa tens de tentar perceber o que queres mudar. Se queres mudar e descobrir alguma coisa nova no mundo, tens de pesquisar e fazer por isso. Enquanto nós estivermos a transitar dentro de nós, convictos de que um dia vamos ter que destruir as muralhas do nosso castelo e tirar os jacarés do foço, nós não vamos conseguir transitar para lado nenhum. Vamos perpetuar uma escravatura disfarçada de democracia. Vamos perpetuar os nossos avós e pais que vão começar a morrer todos de cancro porque há uma indústria agro-alimentar altamente baseada em pesticidas e produtos químicos. Vamos continuar a alimentar o problema gravíssimo que está a acontecer com a água no planeta. A água, a guardiã da maior energia que há no mundo – que é o amor – está completamente poluída e isso é um espelho muito grande do que nos vai na consciência.

Aqui fica o vídeo da mais recente música dos Blasted Mechanism, gravado no dia da manifestação da Geração à Rasca.

A faceta espiritual do Manifesto (parte II).

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