Uma Geração para desenrascar

11 Mar

Desde sempre o Homem teve uma necessidade imperiosa de nominar tudo o que o rodeia. Primeiro foram os próprios homens, dando nomes a cada um, depois os objetos e por aí fora. Na sociedade contemporânea, onde tudo o que se conhece tem nome, surgiu a necessidade de rotular cada geração que passa pela História com um epíteto.

Vicente Jorge Silva, diretor do jornal Público, utilizou, em 1994 num editorial, a expressão Geração Rasca para designar uma geração que protestava contra tudo e contra todos. Antes, num fenómeno iniciado nos EUA e que depois migrou para o resto do Ocidente, em especial para a França, que resultaria no Maio de 68, era a Geração X, a primeira sem a influência da religião na sua formação. A era digital, através do Facebook, deu-nos a conhecer uma iniciativa de quatro jovens: Alexandre de Sousa Carvalho, António Paixão, Paula Gil e João Labrincha. Protesto da Geração à Rasca foi o nome escolhido para tal iniciativa, e a verdade é que pegou moda.

Mais do que dar nome a uma geração que dizem ser a dos «desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal», este movimento apartidário, laico e pacífico pretende “acordar” a sociedade civil para os problemas que esta atravessa e que devem ser combatidos por todos, reforçando assim a «democracia participativa no país».

O conceito Geração à Rasca foi criado por João Labrincha, que em declarações ao jornal Público afirmou que este movimento teve como inspiração a música Parva que Sou dos Deolinda, e surgiu devido às condições de trabalho precárias que este jovem sempre viveu até que ficou desempregado. Ao aperceber-se da realidade que o envolvia juntou-se a mais três colegas com quem tinha estudado na Universidade de Coimbra e decidiram avançar com um projeto que «reforçar a democracia e não derrubar governos» segundo João Labrincha, ao que acrescentou a vontade de fazer «ouvir a nossa voz [a da sociedade] e apresentar soluções». Este conceito engloba a geração dos 20, 30 e 40 anos, conforme as declarações do licenciado em Relações Internacionais.

O protesto que já conta com mais de 56.000 confirmações no Facebook, surge fruto de uma conjuntura económico-social de crise. O desemprego atinge níveis históricos, ultrapassando os 11%, sendo que cerca de metade desse valor é constituído por pessoas com menos de 35 anos, a precariedade no trabalhe é uma realidade avassaladora, isto apesar desta geração ser a mais qualificada de sempre em Portugal.

Sábado, dia 12 de março, aqueles que saírem à rua irão reivindicar por: «direito ao emprego e à educação, melhoria das condições de trabalho e fim da precariedade, o reconhecimento das qualificações, competências e experiência, espelhados em salários e contratos dignos», segundo o Manifesto e Carta Aberta à Sociedade presentes no blogue do movimento.

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