As tendências da estação

27 Feb
Por Inês Garcia |

Públicos ou privados, os canais generalistas pretendem não só manter o espectador informado e criar um laço de confiança, como também conseguir um determinado número de audiências que sejam o espelho da qualidade da informação dada. É aí que entra o Diretor de Informação. Um cargo envolto, por vezes, em alguma controvérsia, na medida em que é ele o responsável pelos conteúdos apresentados e pela gestão dos mesmos.

Nos últimos anos, as mudanças ao nível das direções de informação foram várias. Estas alterações, que influenciam indubitavelmente os lugares cimeiros do top de audiências, são diferentes de estação para estação e o seu impacto é igualmente diverso. A instabilidade diretiva pode ser grave para o canal, mas o mediatismo que decorre das mesmas, nomeadamente através da imprensa, que por vezes alimenta as polémicas, nem sempre é negativo.

José Rodrigues dos Santos, um dos principais nomes do panorama jornalístico, foi Diretor de Informação da RTP em dois momentos distintos e consolidou a sua posição como um dos profissionais portugueses mais mediáticos. Em novembro de 2004, pediu a demissão da Direção de Informação juntamente com a restante equipa na sequência de uma alegada interferência da administração do canal público em critérios editoriais, designadamente na nomeação de Rosa Veloso como correspondente especial em Madrid. Foi já sob a direção de Luís Marinho, o seu substituto, que este caso voltou às luzes da ribalta, tendo a RTP aberto um inquérito ao antigo Diretor com vista a esclarecer a situação que levou o jornalista a abandonar a direção.

Depois de Luís Marinho, surgiu José Alberto Carvalho, ascendendo de Subdiretor a Diretor de Informação da RTP. Juntamente com Judite de Sousa, criaram uma equipa que conseguiu manter o Telejornal como o preferido dos portugueses, sendo muitas vezes eleito como o mais credível e rigoroso no seio da população.

Atualmente a estação pública encontra-se sem um Diretor de Informação fixo, tendo os subdiretores José Manuel Portugal, Luís Costa, Miguel Barroso e Paulo Sérgio assumido a direção de forma interina. A saída, aparentemente repentina, de José Alberto Carvalho e Judite de Sousa para a TVI deixou os colaboradores da estação surpresos e a RTP numa situação delicada. Fala-se agora de uma reestruturação nos cargos diretivos e o regresso de Rodrigues dos Santos ou de Nuno Santos, antigo Diretor de Programas da RTP atualmente na SIC, são algumas das hipóteses apontadas nos últimos dias.

José Alberto Carvalho chega então à TVI colmatando o vazio deixado por Júlio Magalhães na Direção. Ocupando o cargo desde setembro de 2009, Júlio Magalhães devolveu à TVI a estabilidade depois da saída de João Maia Abreu. O então Diretor de Informação, juntamente com o restante elenco diretivo, demitiram-se na sequência da decisão dos quadros diretivos da estação em retirar do ar o Jornal Nacional de 6.ºFeira, fruto da polémica que o envolveu, chegando o Primeiro-ministro, José Sócrates, a apelidar o jornal de “travestido” e acusar a informação da TVI de o perseguir.

Aquando da sua saída da Direção, não obstante a continuação no topo das audiências, a estação sofreu momentos de grande agitação que culminaram com o afastamento de Manuela Moura Guedes do ecrã, e mais tarde com a rescisão do contrato que ligava ambas as partes. A jornalista foi para a SIC.

A indefinição resolveu-se com Júlio Magalhães que agora, passados 18 meses, apresenta a sua demissão evocando motivos pessoais, continuando, no entanto, nos quadros da empresa como Diretor da redação do Porto.

Aparentemente longe das polémicas e confusões causadas por estas trocas, encontra-se a SIC. Emídio Rangel foi o primeiro Diretor de Informação, em 1992, a convite de Francisco Pinto Balsemão. Manteve esse cargo, juntamente com o de Diretor de Programas, acompanhando o lançamento dos canais temáticos SIC Notícias, SIC Gold e SIC Radical, até 2001, ano em que foi convidado para ser Diretor de Informação da RTP. O canal público voltou então a ser alvo de uma mudança de direção, mas por pouco tempo. Apenas um ano depois, José Rodrigues dos Santos voltou para o cargo que havia ocupado anteriormente.

Para substituir Rangel surgiu Alcides Vieira, jornalista pertencente aos quadros do canal desde a sua formação. Apesar de se falar da eventual promoção de Rodrigo Guedes de Carvalho a diretor, Vieira encontra-se seguro na Direção de Informação da SIC há 10 anos, constituindo um exemplo da estabilidade.

Resta agora ao espectador esperar para analisar o impacto que as mais recentes trocas vão ter na informação e nos canais portugueses, confiando que a qualidade, a coerência e o rigor noticioso estarão sempre presentes.

+++Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortografico.+++

One Response to “As tendências da estação”

  1. Andreia February 27, 2011 at 9:27 pm #

    Muito bem escrito.
    Os meus parabéns, Inês 😉

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