Um ano depois: o que mudou?

20 Feb
por Marta Spínola Aguiar |

Um ano depois e a Madeira está ainda a ser reconstruída. Um ano depois e o dia do temporal está bem presente na memória de todos os madeirenses. Um ano depois e o «Funchal está mais vulnerável mas as pessoas estão mais conscientes dessa vulnerabilidade». São estas as palavras de Miguel Albuquerque, Presidente da Câmara do Funchal, que salienta as consequências da catástrofe natural e realça a importância de «aprender com os erros» e, citando o jornal Público na sua edição online de 20 de fevereiro de 2010, «adotar os procedimentos corretos». Contudo, Hélder Spínola, antigo dirigente do movimento ambientalista Quercus, aponta alguns erros na reconstrução da ilha da Madeira como por exemplo a «ocupação dos leitos de cheia das ribeiras». Assim, «os leitos estão novamente a ser estrangulados».

Numa das zonas mais atingidas pela tempestade, na Ribeira Brava, ainda hoje se consegue ver as marcas da catástrofe. Segundo o jornal i, na sua edição online de 18 de fevereiro de 2010, «parece que o tempo parou.».

Roberto Almada, coordenador regional do Bloco de Esquerda, afirmou esta manhã ao Diário de Notícias da Madeira que «os governantes desta Região e também deste concelho [Ribeira Brava] não aprenderam com as lições que o temporal de 20 de fevereiro veio trazer.» Declara que os depósitos de terra são um dos exemplos das situações que colocam em perigo a segurança da população, uma vez que esses depósitos situam-se junto às linhas de água.

Uma das estradas que permite a ligação com a zona norte da Ilha, a estrada da Meia Légua à Serra de Água, viu, faz hoje um ano, as inúmeras casas que lá existiam a serem consumidas pela água da ribeira, desalojando dezenas de famílias e provocando estragos na estrada, dificultando a circulação dos meios de socorro. Peter Câmara, em declarações ao jornal i afirma que, no dia da catástrofe, «não estava em casa. Quando cheguei deparei-me com este cenário. E aqui continuam as rochas e a lama.».

Tal como Peter está Nuno Gouveia de Jesus, também morador na Serra de Água e que ainda não recebeu qualquer apoio. «A câmara não tem dinheiro, coitados!» e o Instituto da Habitação da Madeira (IHM) não aconselha a reconstrução da sua casa na mesma localização visto que «é perigoso». Mas Nuno de Jesus lamenta que «não tenho mesmo mais nada», e, por isso, não coloca qualquer objeção em ficar no mesmo lugar.

Peter e Nuno esperam pelo novo apartamento, prometido pelo IHM que, até agora só realojou 168 famílias. Apartamento que nunca mais chega e nada podem fazer quanto a isso. «Nada a não ser minimizar a dor uns dos outros com palavras».

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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One Response to “Um ano depois: o que mudou?”

  1. LFAguiar February 21, 2011 at 5:41 pm #

    Estamos a fazer progressos na reconstrução. Há que dar tempo ao tempo, sendo certo que “quem espera, desespera!”, lá diz o ditado.
    No entanto, foram estabelecidas prioridades, pelo que haveá sempre quem tenha que aguardar mais tempo do que outros.
    Gostei do conteúdo e da forma incisiva como abordaste os temas.

    Obrigado

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