As reações dos líderes

20 Feb
por Marta Spínola Aguiar |

Alberto João Jardim:

O medo assolava Alberto João Jardim, que, relembrou o Marquês de Pombal aquando do terramoto de 1775, afirmando que «é preciso sepultar os mortos e cuidar dos vivos». O Presidente do Governo Regional da Madeira temeu que o número de desaparecidos rapidamente fizesse aumentar o instável número de mortes, apesar de considerar bastante plausível existirem cadáveres nos parques de estacionamento dos centros comerciais Dolce Vita e Anadia Shopping, os mais atingidos pelo temporal.

Contudo, mantinha a esperança sempre viva, insistindo que «eu vou reconstruir isto. Vou reconstruir isto» e elogiou o trabalho desempenhado pela Igreja: «vocês têm sido incansáveis», declarou ao D. António Carrilho, bispo do Funchal. Todo o apoio dado por Portugal Continental e por restantes países, foi também reconhecido pelo presidente do Governo Regional que pôs de parte as lutas partidárias e acolheu de bom grado a solidariedade dos portugueses.

«Seria uma calamidade decretar o estado de calamidade». O líder do PSD-Madeira, afirmou que é importante manter um mercado que garante a sobrevivência da ilha e tal não aconteceria se declarasse o estado de calamidade pois, «iria afetar as pessoas da Madeira», visto que a sua economia estaria comprometida.

Várias foram as vezes em que o Presidente do Governo Regional afirmou que «com a vida das pessoas não se brinca» e, apesar da quantia monetária necessária para reconstruir a ilha superar os mil milhões de euros, o seu principal objetivo era «pôr tudo bonitinho», vencer «uma grande batalha (…) demore o tempo que tiver que demorar».

Mário Soares:

O ex-presidente da República, Mário Soares, admirou toda a solidariedade dos portugueses perante a catástrofe natural, afirmando que «não houve “cubanos”, como antigamente alguns, chegaram a rotular os seus irmãos continentais». Apontou, ainda, que muito provavelmente a causa desta tempestade que abalou a ilha da Madeira deve-se aos «desequilíbrios que têm vindo a manifestar-se, em todos os Continentes»

Mário Soares salientou, assim, a importância de todos os apoios para a Madeira e elogiou todo o trabalho desempenhado pelo Governo português: «o Presidente da República manifestou a sua preocupação. O primeiro-ministro e o ministro da Administração Interna, voaram para a Madeira, (…) e prometeram pôr à disposição das autoridades da Região, militares, bombeiros, médicos, enfermeiros e técnicos diversos do Continente. (…) Cumpriram em tempo recorde – e bem – o que deles se esperava.»

Ainda na sua declaração de 25 de fevereiro de 2010, Soares relembra que as críticas feitas às construções legais ou ilegais são supérfluas e toda a reconstrução das zonas mais afetadas «vai levar tempo». A tarefa que se tinha pela frente não era fácil e «na altura própria devemos, então sim, aprender com os erros urbanísticos, se é que os houve, e não os cometer agora. Mas sem recriminações quanto ao passado». A sua mensagem para todos os portugueses centrou-se na união de todas as pessoas porque «somos todos e tão só Portugal, na riqueza da nossa diversidade e na reciprocidade do nosso afeto.»

Cavaco Silva:

«Ninguém se pode abater», afirmou convictamente o Presidente da República, Cavaco Silva, na sua mensagem de esperança à Madeira, no dia 20 de fevereiro. Foi esta a sua primeira reação: incentivar todos os madeirenses a lutarem pela sua ilha e fazerem com que ela voltasse a ser o que era. Um projeto complicado de idealizar e, sobretudo de concretizar, uma vez que, emocionado, descreveu o cenário como «é impressionante o que estamos a ver», quando, no dia 24 de fevereiro, quarta-feira, chegou à Madeira com o objetivo de se inteirar dos danos provocados pela tempestade. Durante a sua visita, o Presidente da República esteve sempre acompanhado pelo Presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, e elogiou o trabalho desempenhado quer pelas autoridades como por toda a população, e atestou que numa altura tão difícil «não faltará solidariedade».

Ainda na sua mensagem de esperança aos madeirenses, expressou as suas condolências às famílias que mais ficaram lesadas pelo temporal e «aos que perderam os seus bens, uma palavra de esperança.»

Durão Barroso, José Luis Zapatero e Nicolas Sarkozy:

Em declarações à agência Lusa, o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, quis «expressar a (…) máxima solidariedade para com os habitantes da Madeira, com as famílias que perderam filhos e reitero o nosso compromisso de apoio que já oferecemos ao Governo do primeiro-ministro Sócrates.».

Zapatero corroborou, a 23 de fevereiro de 2010 que a catástrofe natural na ilha da Madeira, seria um dos assuntos debatidos na reunião que o governo espanhol teria com a Comissão Europeia, nesse mesmo dia. Às suas palavras, aliavam-se as de Durão Barroso que afirmou que «a Comissão Europeia, através do fundo de solidariedade, (…), pode apoiar a reconstrução se as autoridades portuguesas fizerem um pedido fundamentado, num prazo de dez semanas». Assim, seria possível re-erguer a ilha que foi «tão terrivelmente afetada por uma tragédia desta dimensão.».

Também a França quis mostrar solidariedade com o povo madeirense. Um dia após a tragédia, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, enviou as suas condolências ao Presidente da República português, Cavaco Silva: «nesta hora de luto, sofrimento e perda, pela Madeira e por Portugal, envio-lhe as minhas condolências e expresso a solidariedade do povo francês para com o povo português.»

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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