A queda do faraó

12 Feb
por Liliana Borges |

Depois de ter passado parte do poder ao recém-nomeado vice-presidente, Omar Suleiman, Hosni Mubarak demitiu-se ontem do seu cargo e entregou todos os seus poderes aos militares. Depois de trinta anos a liderar um regime autoritário, bastou um comunicado de trinta segundos para anunciar que Mubarak pereceu às contestações da população, num dos episódios mais marcantes da história e política do Egito.

O anúncio foi feito na oração da noite de sexta-feira, uma das mais sagradas e importantes orações da semana, no dia em que o Irão festeja o 32º ano sobre a revolução islâmica. As palavras chegaram até aos egípcios e ao resto do mundo através do novo vice-presidente Suleiman que explica que “tendo em consideração as circunstâncias difíceis que o país atravessa, o presidente Mohammed Hosni Mubarak decidiu deixar o seu cargo de presidente e entregou ao Conselho Supremo das Forças Armadas a administração dos assuntos de Estado”.

“És um egípcio, levanta a cabeça!”

A notícia foi recebida com um grande entusiasmo e felicidade pelos manifestantes que se consideram finalmente livres. Entidades de todo o mundo demonstram e declaram a sua solidariedade com o povo egípcio que ainda não terminou a sua luta, uma vez que irá enfrentar o processo de transição para a democracia, mas que será, segundo o Também o presidente do Parlamento Europeu, Jerzy Buzek, duradoura. Barack Obama, presidente dos EUA, sublinha que no entanto que agora que “O povo do Egito falou (…) o Egito nunca mais será o mesmo”. Mahmud Ahmadinejad, presidente do Irão, destaca que este novo Médio Oriente se conseguiu pela inexistência de interferências americanas.

Deu-se assim início à retirada de tanques de exército que bloqueavam o acesso à praça de Tahir e começou a ser feita a limpeza dos vestígios dos confrontos pró e anti-Mubarak da manifestação. Já fora do Cairo, em Sharm el-Sheik, Mubarak deixa agora 80 milhões de pessoas nas mãos dos militares. Cabe agora às Forças Armadas, com pouca experiência recente no governo direto do país, acalmar as manifestações e greve que paralisaram a economia e forças de segurança do Egito e implantar reformas constitucionais, tal como já tinham declarado num comunicado anterior à demissão de Mubarak. Sobre os manifestantes, os militares garantem que, como combatentes da corrupção, terão imunidade judicial.

O Nobel da Paz, El Baradei disse ter vivido o dia mais feliz da sua vida e apela à união do exército e do povo egípcio, invocando eleições livres e justas no espaço de um ano: “temos muito que fazer, há que construir o país do zero”. Ainda não se sabe qual será o seu futuro político mas El Baradei garante que irá apoiar o processo de transição do sistema político e que estará depois disponível para o povo egípcio.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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