Hosni Mubarak: a governar desde 1981

4 Feb
por Joana Margarida Bento |

Repressão, isolamento, desigualdade, pobreza e desemprego. São estes os cinco vértices da pirâmide de Mubarak e as cinco pedras do seu sarcófago, segundo os especialistas. No poder desde 1981, o líder egípcio é apontado como o grande responsável pela situação desfavorável do país que, sendo o maior do Médio Oriente (82 milhões de habitantes), está longe de ocupar uma posição hegemónica.

A economia, fortemente dominada pelo Estado, assenta na exploração de petróleo e gás natural, no turismo e na agricultura, atividades que não asseguram a equilibrada distribuição da riqueza. Sabe-se que um em cada dois egípcios vive com cerca de dois dólares por dia (1.46€) e nem as lendárias “pensões” dos Estados Unidos são suficientes para melhorar as condições de vida da população. Nos últimos anos, as reformas de Mubarak parecem ter sido orientadas para a atração de capital estrangeiro e para o desenvolvimento do país, contudo, Adel Iskandar, professor na Universidade de Georgetown (EUA) afirma que são apenas estratégias para iludir as massas. “Mubarak é um chefe bastante diplomático, com aparência de benevolente, que diz uma coisa e faz outra: fala em apoiar os pobres, mas isenta os ricos de impostos, enquanto recusa aumentar o salário mínimo”.

Na política, dizer-se que é presidente há 29 anos é quase suficiente para descrever este “supermandato”. Concentrando em si todos os poderes, Mubarak mantém o país sob lei marcial desde que assumiu funções, alegando que esta é a única forma de o proteger das forças estrangeiras. Recusando as acusações de elitismo de tentativa de silenciamento da oposição, o líder egípcio diz-se um presidente de todos e a “única salvação para o caos” que se vive no país, facto que tem despertado a atenção da comunidade internacional, com especial destaque para os Estado Unidos e Israel.

Contudo, as declarações de união e a aparente reconciliação com a Democracia não evitaram as violentas manifestações nas ruas do Cairo. Os jovens, na sua maioria desempregados, exigem um futuro e um pouco por todo o país as palavras de ordem convergem na saída do Rais do poder e do Egito. Depois de sobreviver a seis tentativas de assassínio, conseguirá Mubarak sobreviver à sua anunciada morte política?

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

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