Archive | February, 2011

Optimus Alive tem Everything Everything

28 Feb
Por Maria José Vilas Boas |

Depois de Avi Buffalo e Fleet Foxes, foi hoje confirmada mais uma estreia ao vivo em Portugal no festival Optimus Alive 2011. Os britânicos Everything Everything subirão ao palco Super Bock no dia 7 de julho.

Os Everything Everything juntaram-se em 2006 e lançaram o primeiro single, “Suffragette, Suffragette”, em dezembro de 2008. Seguiu-se “Photoshoped Handsome” em maio de 2009, mas foi só em agosto de 2010 que o primeiro álbum, intitulado Man Alive, saiu para as lojas, alcançando rapidamente o 17º posto no top do Reino Unido.

Com um som muito próprio, o género musical da banda é difícil de definir, sendo considerado R&B por uns, british alternative-rock por outros, ou até mesmo indie-rock, rótulo que, contudo, não agrada particularmente ao quarteto inglês.

Nomeados para vários prémios musicais britânicos, os Everything Everything são uma banda em ascensão e atuarão pela primeira vez no nosso país ao lado de nomes como Primal Scream e Crocodiles, no mesmo dia em que Foo Fighters sobem ao Palco Optimus.


+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico+++

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Made in China

28 Feb
por Sara Recharte |

Estudos recentes demonstram a possibilidade de a China se tornar, até 2020, a maior economia do Mundo. Desde há 30 anos, o crescimento do PIB chinês foi de 2700%. Em 2010, o PIB cresceu 10,3% e deu à República Popular da China a oportunidade de ultrapassar o Japão como segunda potência económica mundial.

O investimento e o comércio internacional são os pontos-chave  desta economia que, apesar de tudo, se encontra muito dependente dos investimentos estatais e das exportações.  Os baixos custos dos seus produtos finais são o maior impulsionador deste país que detém uma sétima parte da população mundial.

A Região Administrativa Especial chinesa de Macau já adquiriu parte da dívida soberana portuguesa. Na China, porém, nem tudo são rosas: na sua jornada até 2020, os chineses terão de se confrontar com as consequências das políticas antinatalistas (envelhecimento da população e falta de população ativa), com a inflação e com as dívidas.

A alternativa prevista para a dependência do Estado, do exterior e de trabalhadores será o incentivo ao consumo privado, que já começa a fazer-se sentir: uma paixão consumista invade a classe média de 200 milhões de pessoas e que se prevê que cresça quatro vezes mais até 2025.

Como seria de esperar, a República do presidente Hu Jintao não ficou indiferente à onda de revoltas  e revoluções do mundo árabe. Em Xangai e Pequim reuniram-se pequenos protestos e as autoridades calaram-nos imediatamente. Um regime democrático é uma realidade distante da China e os apelos contra a corrupção e o abuso policial são diversos. E fugazes.

Em declarações ao inglês The Guardian, a jovem Tian afirma que «os ricos são muito ricos e os pobres muito pobres». Os elevados preços da alimentação e das casas são um dos motivos contra a chegada da China à meta da maior economia mundial. Até lá, os economistas esperam que a inflação desça.

E espera-se que a liberdade deixe de ser um bem escasso no país. Porque os chineses têm, também, o seu vendedor Xu Mingao que, apesar dos 800 euros anuais que recebe, diz estar muito feliz com a vida que tem. Por agora.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

O Golfo, 20 anos depois

28 Feb
por João M. Vargas |

Vinte anos passados sobre o final da Guerra do Golfo, as relações entre o Ocidente e o mundo árabe pouco parecem ter mudado. Muitas revoltas, muitas mortes, algumas vinganças e outra Guerra do Golfo depois, o mundo não está efetivamente mais seguro. Mas, vinte anos depois, o que se mantém igual e o que mudou?

A Guerra do Golfo, a primeira, começou em 1990, depois das tropas iraquianas invadirem o Kuwait. Na altura, Saddam Hussein era líder do Iraque e vinha de uma dura batalha com o Irão (1980-88). À frente dos EUA estava George H. Bush coadjuvado por um Secretário da Defesa de nome Dick Cheney e auxiliado militarmente, entre outros, por um comandante das forças armadas chamado Colin Powell.

Apesar do lugar na História que a Guerra do Golfo passou a ocupar, não foi, de longe, uma luta longa e sangrenta. Na verdade, os combates entre as tropas da coligação liderada pelos EUA e o exército iraquiano duraram apenas cerca de um mês e meio. Desde a invasão do Kuwait, que despoletou a ação americana, até à chegada a um acordo de paz passaram apenas seis meses. O Iraque invadiu o Kuwait a 2 de agosto de 1990 e a 28 de fevereiro do ano seguinte o presidente Bush decretava o cessar-fogo que permitiria os acordos de paz com Saddam Hussein.

Doze anos depois do fim da ofensiva americana, os confrontos voltaram ao Iraque. Novamente Saddam era o líder árabe, mas no lado americano já estava outro Bush (George W.). Dick Cheney era agora vice-presidente e Colin Powell tinha a pasta de Secretário de Estado. Ao contrário do primeiro confronto, desta vez a coligação não tinha o apoio da ONU e carecia de um motivo convincente para a invasão. E desta vez a guerra demorou mais tempo. É até ainda prematuro dizer que já terminou, uma vez que a paz ainda não chegou ao Iraque.

No final da primeira Guerra, Saddam continuou no poder, após um acordo de paz com as forças da coligação. Na altura, algumas vozes criticaram o George H. Bush por não ter capturado o líder iraquiano. Dick Cheney defendeu, na altura, o seu presidente, dizendo que “fez o que estava certo, quer quando o decidimos expulsar do Kuwait, mas também quando o presidente achou que já tínhamos atingido os nossos objetivos e que por isso não íamos meter-nos em problemas tentando derrubá-lo”. O que é certo é que, em 2003, o filho do presidente e o próprio Cheney voltaram ao Iraque para derrubar Saddam.

Vinte anos depois, pouco mudou nas relações entre o Ocidente e o mundo árabe. Quis a História que esta efeméride se comemore em plena crise política nos países árabes. A Tunísia viu cair Ben Ali e o Egito perdeu Hosni Mubarak. Em muitos outros países os protestos sobem de tom e na Líbia os EUA poderão estar prestes a intervir, perante a resistência de Muammar Kadafi a abandonar o poder.

Por outro lado, outra das peças-chave da primeira Guerra do Golfo continua a ser, e talvez cada vez mais, uma importante presença no nosso dia a dia: o petróleo. Duas guerras depois, chegamos a uma importante conclusão: o Ocidente tem maior poder militar, mas os países do Médio Oriente têm um poder muito mais subliminar, para controlar o quotidiano dos ocidentais.

Mas vinte anos depois, Saddam já não é o Presidente do Iraque. A dinastia Bush está, para já, afastada do governo americano, entregue agora a um muito mais diplomata Barack Obama. Porém, nem por isso podemos dizer que o mundo está mais seguro. Olhando em retrospetiva para o século XX e para a primeira década do século XXI, assistimos a países amigos que se tornam inimigos e, depois, novamente amigos. Assistimos a revoluções em prol de um bem maior que originam, na verdade, males ainda maiores. E assistimos a um mundo cada vez mais fragmentado diplomaticamente.

No meio de tantas guerras e revoluções, Portugal tem-se mantido quase à margem. Apesar do apoio quase constante às posições americanas, nunca chegamos a ter sequer um papel secundário. Mas, nalguns casos, pode ser realmente positivo não passar de figurantes.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Dia de festa na Luz

28 Feb
por Steve Grácio |

Nesta segunda-feira, o Benfica completa 107 anos de História. A 28 de fevereiro de 1904, um grupo de ex-alunos da Real Casa Pia de Lisboa fundou o Sport Lisboa, com uma única modalidade, o futebol. Com os primeiros anos de grande dificuldade económica e relegados para segundo plano em detrimento do Sporting, surge a fusão do clube com o Grupo Sport Benfica, de ciclismo, que dá origem ao Sport Lisboa e Benfica.

No entanto, a afirmação do clube não foi um caminho fácil. O Sporting continuou a ser o principal clube do país até meados dos anos 20, altura em que o Benfica adquiriu estabilidade com a criação do seu primeiro estádio que perdurou até a construção do atual em 2003.

Com o surgimento do Estado Novo, o Benfica atravessou certos períodos controversos. A cor vermelha do seu equipamento era a mesma da figadal inimiga do regime, a União Soviética. Por esse motivo, a comunicação social viu-se forçada a utilizar a palavra “encarnados” para não conjugar “vermelhos” com “vencedores” (o Benfica assumia uma crescente preponderância em termos desportivos).

Porém, as dificuldades não acabaram. O primeiro hino do clube, denominado “Avante Benfica”, foi silenciado pelo regime por conter conotações comunistas. Para além do hino, o facto de o Benfica eleger os seus presidentes democraticamente também foi muitas vezes recriminado pelo Estado, talvez também porque a maioria deles eram ilustres oposicionistas ao regime de Salazar, o que levou mesmo um dos presidentes, Júlio Ribeiro da Costa, a ter de se demitir por ter ligações políticas com a oposição.

A definitiva afirmação do clube coincidiu com a chegada do maior símbolo de sempre do desporto português, Eusébio da Silva Ferreira. No entanto, a contratação de Eusébio não foi fácil. O Sporting lutou até à última oportunidade pelo jogador. Numa primeira fase, só o pretendiam para experiência, o que deu ao Benfica a possibilidade de contratar o então jovem jogador, pagando à sua mãe 250 contos. Para o esconder do rival, colocou o jogador num avião com um nome falso. Mesmo assim, o Sporting não desistiu e duplicou a oferta do Benfica, que até se viu obrigado a esconder o jogador numa unidade hoteleira face à persistência leonina.

Só hoje a hegemonia encarnada é ameaçada. Até à última década, o domínio do Benfica era avassalador. Nas restantes modalidades, a maioria delas é dominada pelo rival da 2ª circular em termos de palmarés, sobretudo no atletismo. Mas o investimento do Benfica nas modalidades de pavilhão tem vindo a dar frutos.

Considerado pela IFFHS como o nono melhor clube do século XX, o Benfica é um dos clubes com mais prestígio no mundo face aos resultados outrora alcançados. Em 2006, o Benfica entrou para o Guinness como o clube com mais sócios no mundo. Em dia de aniversário, o Benfica parece estar tão jovem como dantes.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Óscares: os vencedores

28 Feb

Estão finalmente desfeitas as dúvidas quanto aos melhores filmes do ano. A Academia decidiu e aqui ficam os grandes vencedores da noite dos Óscares.

Melhor filme:
127 Hours (127 Horas)
Black Swan (Cisne Negro)
The Fighter (The Fighter – Último Round)
Inception (A Origem)
The Kids Are All Right (Os Miúdos Estão Bem)
The King’s Speech (O Discurso do Rei)
The Social Network (A Rede Social)
Toy Story 3
True Grit (Indomável)
Winter’s Bone (Despojos de Inverno)

Melhor Realizador:
Darren Aronofsky – Black Swan (Cisne Negro)
Ethan Coen, Joel Coen – True Grit (Indomável)
David Fincher – The Social Network (A Rede Social)
Tom Hooper – The King’s Speech (O Discurso do Rei)
David O. Russell – The Fighter (The Fighter – Último Round)

Melhor Ator:
Javier Bardem – Biutiful
Jeff Bridges – True Grit (Indomável)
Jesse Eisenberg – The Social Network (A Rede Social)
Colin Firth – The King’s Speech (O Discurso do Rei)
James Franco – 127 Hours (127 Horas)

Melhor Atriz:
Annette Bening –  The Kids Are All Right (Os Miúdos Estão Bem)
Nicole Kidman – Rabbit Hole (Reencontrando a Felicidade)
Jennifer Lawrence – Winter’s Bone (Despojos de Inverno)
Natalie Portman – Black Swan (Cisne Negro)
Michelle Williams – Blue Valentine (Só Tu e Eu)

Melhor Ator Secundário:
Christian Bale – The Fighter (The Fighter – Último Round)
John Hawkes – Winter’s Bone (Despojos de Inverno)
Jeremy Renner – The Town (A Cidade)
Mark Ruffalo – The Kids Are All Right (Os Miúdos Estão Bem)
Geoffrey Rush –  The King’s Speech (O Discurso do Rei)

Melhor Atriz Secundária:
Amy Adams – The Fighter (The Fighter – Último Round)
Helena Bonham Carter – The King’s Speech (O Discurso do Rei)
Jacki Weaver – Animal Kingdom (Reino Animal)
Melissa Leo – The Fighter (The Fighter – Último Round)
Hailee Steinfeld – True Grit (Indomável)

Melhor Argumento Original:
Mike Leigh – Another Year (Um Ano Mais)
Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson – The Fighter (The Fighter -Último Round)
Christopher Nolan – Inception (A Origem)
Lisa Cholodenko, Stuart Blumberg – The Kids Are All Right (Os Miúdos Estão Bem)
David Seidler – The King’s Speech (O Discurso do Rei)

Melhor Argumento Adaptado:
Danny Boyle, Simon Beaufoy – 127 Hours (127 Horas)
Michael Arndt, John Lasseter, Andrew Stanton, Lee Unkrich – Toy Story 3
Joel Coen, Ethan Coen – True Grit (Indomável)
Debra Granik, Anne Rosellini – Winter’s Bone (Despojos de Inverno)
Aaron Sorkin – The Social Network (A Rede Social)

Melhor Filme de Animação:
How to Train Your Dragon (Como Treinares o Teu Dragão)
The Illusionist (O Mágico)
Toy Story 3

Melhor Filme Estrangeiro:
Biutiful
Dogtooth
In a Better World
Incendies
Outside the Law

Melhor Direção Artística:
Alice in Wonderlan (Alice no País das Maravilhas)
Harry Potter and the Dealthy Hallows Part 1 (Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1)
Inception (A Origem)
The King’s Speech (O Discurso do Rei)
True Grit (Indomável)

Melhor Fotografia:
Black Swan (Cisne Negro)
The Inception (A Origem)
The King’s Speech (O Discurso do Rei)
The Social Network (A Rede Social)
True Grit (Indomável)

Melhor Documentário (Longa-Metragem):
Exit Through the Gift Shop
GasLand
Inside Job
Restrepo
Waste Land

Melhor Documentário (Curta-Metragem):
Killing in the Name
Poster Girl
Strangers No More
Sun Come Up
The Warriors of Qiugang

Melhor Curta-Metragem de Animação:
Day & Night (Dia & Noite)
The Gruffalo
Let’s Pollute
The Lost Thing
Madagascar, carnet de voyage – Madagascar, a journey day

Melhor Curta-Metragem:
The Confession (A Confissão)
The Crush
God of Love
Na Wewe
Wish 143

Melhores Efeitos Visuais:
Alice in Wonderlan (Alice no País das Maravilhas)
Harry Potter and the Dealthy Hallows Part 1 (Harry Potter e os Talismãs da Morte: Parte 1)
Hereafter (Outra Vida)
Inception (A Origem)
Iron Man 2 (Homem de Ferro 2)

Melhor Guarda-Roupa:
Alice in Wonderland (Alice no País das Maravilhas)
I Am Love (Eu Sou o Amor)
The King’s Speech (O Discurso do Rei)
The Tempest (A Tempestade)
True Grit (Indomável)

Melhor Caraterização:
Barney’s Version
The Way Back (Caminho da Liberdade)
The Wolfman (O Lobisomem)

Melhor Montagem:
127 Hours (127 Horas)
Black Swan (Cisne Negro)
The Fighter  (Último Round)
The King’s Speech (O Discurso do Rei)
The Social Network (A Rede Social)

Melhor Mistura Sonora:
Inception (A Origem) – Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo and Ed Novick
The King’s Speech (O Discurso do Rei) – Paul Hamblin, Martin Jensen and John Midgley
Salt – Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan and William Sarokin
The Social Network (A Rede Social) – Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick and Mark Weingarten
True Grit (Indomável) – Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff and Peter F. Kurland

Melhor Montagem Sonora:
Inception (A Origem) – Richard King
Toy Story 3 – Tom Myers and Michael Silvers
Tron:Legacy (Tron: O Legado) – Gwendolyn Yates Whittle and Addison Teague
True Grit (Indomável) – Skip Lievsay and Craig Berkey
Unstoppable (Imparável) – Mark P. Stoeckinger

Melhor Banda Sonora Original:
127 Hours (127 Horas) – A.R Rahman
How to Train Your Dragon (Como Treinares o Teu Dragão) – John Powell
Inception (A Origem) – Hans Zimmer
The King’s Speech (O Discurso do Rei) – Alexandre Desplat
The Social Network (A Rede Social) – Trent Reznor and Atticus Ross

Melhor Canção Original:
“Coming Home” – Country Strong
“I See the Light” – Tangled (Entrelaçados)
“If I Rise” – 127 Hours (127 Horas)
“We Belong Together” – Toy Story 3

As tendências da estação

27 Feb
Por Inês Garcia |

Públicos ou privados, os canais generalistas pretendem não só manter o espectador informado e criar um laço de confiança, como também conseguir um determinado número de audiências que sejam o espelho da qualidade da informação dada. É aí que entra o Diretor de Informação. Um cargo envolto, por vezes, em alguma controvérsia, na medida em que é ele o responsável pelos conteúdos apresentados e pela gestão dos mesmos.

Nos últimos anos, as mudanças ao nível das direções de informação foram várias. Estas alterações, que influenciam indubitavelmente os lugares cimeiros do top de audiências, são diferentes de estação para estação e o seu impacto é igualmente diverso. A instabilidade diretiva pode ser grave para o canal, mas o mediatismo que decorre das mesmas, nomeadamente através da imprensa, que por vezes alimenta as polémicas, nem sempre é negativo.

José Rodrigues dos Santos, um dos principais nomes do panorama jornalístico, foi Diretor de Informação da RTP em dois momentos distintos e consolidou a sua posição como um dos profissionais portugueses mais mediáticos. Em novembro de 2004, pediu a demissão da Direção de Informação juntamente com a restante equipa na sequência de uma alegada interferência da administração do canal público em critérios editoriais, designadamente na nomeação de Rosa Veloso como correspondente especial em Madrid. Foi já sob a direção de Luís Marinho, o seu substituto, que este caso voltou às luzes da ribalta, tendo a RTP aberto um inquérito ao antigo Diretor com vista a esclarecer a situação que levou o jornalista a abandonar a direção.

Depois de Luís Marinho, surgiu José Alberto Carvalho, ascendendo de Subdiretor a Diretor de Informação da RTP. Juntamente com Judite de Sousa, criaram uma equipa que conseguiu manter o Telejornal como o preferido dos portugueses, sendo muitas vezes eleito como o mais credível e rigoroso no seio da população.

Atualmente a estação pública encontra-se sem um Diretor de Informação fixo, tendo os subdiretores José Manuel Portugal, Luís Costa, Miguel Barroso e Paulo Sérgio assumido a direção de forma interina. A saída, aparentemente repentina, de José Alberto Carvalho e Judite de Sousa para a TVI deixou os colaboradores da estação surpresos e a RTP numa situação delicada. Fala-se agora de uma reestruturação nos cargos diretivos e o regresso de Rodrigues dos Santos ou de Nuno Santos, antigo Diretor de Programas da RTP atualmente na SIC, são algumas das hipóteses apontadas nos últimos dias.

José Alberto Carvalho chega então à TVI colmatando o vazio deixado por Júlio Magalhães na Direção. Ocupando o cargo desde setembro de 2009, Júlio Magalhães devolveu à TVI a estabilidade depois da saída de João Maia Abreu. O então Diretor de Informação, juntamente com o restante elenco diretivo, demitiram-se na sequência da decisão dos quadros diretivos da estação em retirar do ar o Jornal Nacional de 6.ºFeira, fruto da polémica que o envolveu, chegando o Primeiro-ministro, José Sócrates, a apelidar o jornal de “travestido” e acusar a informação da TVI de o perseguir.

Aquando da sua saída da Direção, não obstante a continuação no topo das audiências, a estação sofreu momentos de grande agitação que culminaram com o afastamento de Manuela Moura Guedes do ecrã, e mais tarde com a rescisão do contrato que ligava ambas as partes. A jornalista foi para a SIC.

A indefinição resolveu-se com Júlio Magalhães que agora, passados 18 meses, apresenta a sua demissão evocando motivos pessoais, continuando, no entanto, nos quadros da empresa como Diretor da redação do Porto.

Aparentemente longe das polémicas e confusões causadas por estas trocas, encontra-se a SIC. Emídio Rangel foi o primeiro Diretor de Informação, em 1992, a convite de Francisco Pinto Balsemão. Manteve esse cargo, juntamente com o de Diretor de Programas, acompanhando o lançamento dos canais temáticos SIC Notícias, SIC Gold e SIC Radical, até 2001, ano em que foi convidado para ser Diretor de Informação da RTP. O canal público voltou então a ser alvo de uma mudança de direção, mas por pouco tempo. Apenas um ano depois, José Rodrigues dos Santos voltou para o cargo que havia ocupado anteriormente.

Para substituir Rangel surgiu Alcides Vieira, jornalista pertencente aos quadros do canal desde a sua formação. Apesar de se falar da eventual promoção de Rodrigo Guedes de Carvalho a diretor, Vieira encontra-se seguro na Direção de Informação da SIC há 10 anos, constituindo um exemplo da estabilidade.

Resta agora ao espectador esperar para analisar o impacto que as mais recentes trocas vão ter na informação e nos canais portugueses, confiando que a qualidade, a coerência e o rigor noticioso estarão sempre presentes.

+++Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortografico.+++

Fail No More: Oposição destrona maior partido irlandês

27 Feb
por Pedro Miguel Coelho |
O resultado das eleições antecipadas realizadas sexta-feira já são conhecidos.

Brian Cowen, o líder do governo cessante, é culpado pelo eleitorado pela falha de todo o projeto económico nacional, em 2008 e apesar de só ter governado durante dois anos, são lhe apontadas todas as falhas do Fianna Fail, no governo desde 1997.

O ato eleitoral, previsto para 11 de março, acabou por ser antecipado para sexta-feira devido à pressão da oposição, embora as metas orçamentais acordadas com as autoridades internacionais tenham sido cumpridas.

Várias medidas impopulares e os pedidos de ajuda ao Fundo Europeu de Estabilização Financeira e ao FMI acabaram por precipitar a queda do governo Fianna Fail, que já tinha perdido a coligação feita com os Verdes e enfrentado a demissão de seis ministros.

Contas Finais

Os resultados confirmaram as sondagens realizadas à boca das urnas e a vitória foi para o centrista Fine Gael, com 36,1% dos votos e 70 dos 165 lugares no Parlamento, seguido pelo Labour com 19,4% dos votos e 19 deputados.

Estes dois partidos devem constituir uma coligação para formar governo, embora também seja apontado como cenário possível o recurso do Fine Gael a deputados independentes para consolidar a maioria que lhe escapou por 13 mandatos.

O Fianna Fail, força política com maior influência desde a independência irlandesa, teve um já esperado desaire eleitoral, com um resultado de 17,4% e apenas dezasseis deputados eleitos. Um castigo pesado e que valeu o pior resultado de sempre ao partido, numa queda avassaladora de quase 25 pontos percentuais face às Legislativas de 2007 e uma perda de 57 representantes no hemiciclo. Recordamos que este movimento nunca alcançou, em Legislativas anteriores, uma percentagem inferior a 39%.

Em destaque fica ainda o partido nacionalista Sinn Féin, que subiu aos 9,9% de votos e alcança 12 lugares no Dail. Os deputados independentes capitalizaram o descontentamento e chegam a históricos 12,6%.

O red card imposto pelos eleitores ao partido do Governo ganha ainda mais força se tivermos em conta que a participação nestas eleições foi superior a 70%, um valor histórico.

Fine Gael com melhor resultado em 29 anos

Os resultados hoje divulgados apontam para o melhor resultado dos centristas desde 1982.

O partido deverá apresentar um programa de governo bastante liberal na economia e Michael Noonan, apontado como o próximo ministro das Finanças, assumiu, em entrevista ao Diário Económico, que “o acordo de resgate de 85 milhões de euros não foi um bom negócio” para a Irlanda e que está disposto a rever os termos do “acordo com o FMI e com a UE”, de maneira a melhorar as condições para o país.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++