Dificuldades em votar ajudam a explicar uma abstenção de 53,37%

23 Jan
por Liliana Borges |

Junto às urnas as filas eram longas, mas não para votar. Com o cartão do cidadão na mão, muitos eleitores esperavam para ter acesso ao novo número de recenseamento e ao local de voto, alguns sem saber sequer que o seu número tinha mudado.

Nuno Godinho de Matos, porta-voz da Comissão Nacional de Eleições (CNE), em declarações à SIC Notícias explicou os problemas com o acesso ao número de eleitor. “A partir das 15 horas deu-se um afluxo muito grande de solicitação à base de dados e acabou por não conseguir e bloqueou.”

Algumas mesas tiveram computadores com acesso à Internet, noutras os eleitores foram encaminhados para a junta de freguesia. Mas em muitos locais instalou-se a confusão e as pessoas desistiram de votar.

Confrontado com o aumento da abstenção, concordou que o aumento terá sido causado por estas dificuldades, mas relembra que não é possível distinguir uma abstenção “involuntária” com a de eleitores que se recusaram a prestar o seu direito e dever cívico.

Fundamentou ainda a abstenção, que chegou aos 53,37%, com o facto de o número de eleitores ter aumentado em 821 237 desde as últimas eleições.

Uma das soluções reivindicadas por alguns eleitores foi a hipótese de prolongar o tempo de voto. O porta-voz da CNE esclareceu que tal não seria possível: “Seria irresponsável. A lei diz que o acto eleitoral encerra às 19 horas. Ninguém pode, por decisão administrativa, prolongar o acto eleitoral. Iria existir uma auto-regulação. Criar-se-ia uma anarquia total.”

José Manuel Coelho acusa estes problemas de influenciarem negativamente os seus resultados, justificando que grande parte dos seus apoiantes pertence à camada mais jovem da população portuguesa, a que, segundo José Manuel Coelho, foi uma das mais afectadas.

Contrariando estas declarações surge Miguel Portas, deputado do Bloco de Esquerda, que considera que estes problemas técnicos não inflacionaram a abstenção em mais de 1%. Também Fernando Medina, deputado do PS, considera que foi um erro a lamentar, mas sublinha que se trataram de “situações pontuais”.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Artigo Ortográfico.+++

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