Archive | January, 2011

Sumário do Mês – janeiro de 2011

31 Jan
por Liliana Borges, Carolina Moreira e Cátia Carmo |

O mundo, à distância de um Clique.

1 de janeiro
  • Início do Rali Dakar, na Argentina.
  • Início do ano europeu do voluntariado
  • Inundações na Austrália, principalmente no estado de Queensland, causam dezenas de mortes, afetam mais de 200 000 pessoas e colocam em perigo a Grande Barreira de Coral.
  • África do Sul, Alemanha, Colômbia, Índia e Portugal iniciam mandato de dois anos como membros não permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
  • Estónia altera sua moeda em circulação para o euro, pondo fim ao uso da coroa estoniana.
2 de janeiro
  • José Mourinho é eleito o “Melhor do Mundo” pela Federação Internacional de História e Estatística do Futebol.
4 de janeiro
  • O ciclista Pedro Lopes é suspenso por 15 anos pela Federação Portuguesa de Ciclismo por ter falhado vários controlos e ser reincidente em casos de doping ao longo da sua carreira.
  • Salmaan Taseer, governador da província paquistanesa de Panjabe, é assassinado em Islamabade.
5 de janeiro
  • Morre Malangatana, o mais conhecido pintor de Moçambique.
6 de janeiro
  • Paulo Gonçalves, em BMW, vence a 5ª Etapa do Rali Dakar nas motos, depois de 423 quilómetros da especial.
8 de janeiro
  • Carlos Castro, cronista social de 65 anos, é encontrado brutalmente assassinado, no quarto onde estava hospedado, no Hotel Intercontinental de Nova Iorque.
9 de janeiro
  • Final da Supertaça de Seniores Femininos de Andebol. Madeira Sad vence, por 31-23, a equipa Gil Eanes.
  • Tiroteio no Arizona deixa seis mortos e fere gravemente Gabrielle Giffords.
  • Tem início o referendo sobre a independência do Sudão do Sul.
10 de janeiro
  • FIFA elege José Mourinho e Silvia Neid como melhores treinadores, e Marta e Lionel Messi como melhores futebolistas de 2010.
11 de janeiro
  • O trompetista português Pedro Silva e o violinista brasileiro Vasken Fermanian, que estuda em Castelo Branco, são selecionados entre cerca de 10.000 candidatos para a Orquestra Sinfónica do YouTube.
12 de janeiro
  • A Federação Internacional da História e Estatísticas do Futebol, que aponta o Inter de Milão como a equipa do ano de 2010, considera o FC Porto como o melhor do mundo em dezembro.
14 de janeiro
  • Protestos na Tunísia derrubam Zine El Abidine Ben Ali, presidente do país desde 1987.
15 de janeiro
  • Derrota do Sporting frente ao Paços de Ferreira, em Alvalade, por 2-3, leva à demissão de José Eduardo Bettencourt.
16 de janeiro
  • Final do Rali Dakar 2011: Hélder Rodrigues torna-se o primeiro português a subir ao pódio final da prova, ao terminar em terceiro.
  • 68ª Edição dos Globos de Ouro: O filme “A rede social”, de David Fincher recebe o prémio para Melhor Filme (Drama), Melhor Realizador, Melhor Banda Sonora e Melhor Argumento.
17 de janeiro
  • Num encontro de mais de quatro horas, Frederico Gil, tenista português, qualifica-se e avança para a segunda ronda do Open Austrália.
18 de janeiro
  • Morreu aos 95 anos Robert Sargent Shriver, o primeiro líder e fundador do Peace Corps.
19 de janeiro
  • Ao perder com o francês Gael Monfils por três sets a um, Frederico Gil sai do Open da Austrália.
23 de janeiro
  • Cavaco Silva é re-eleito Presidente da República
24 de janeiro
  • Pelo menos 35 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas em um ataque suicida no Aeroporto Internacional Domodedovo, em Moscovo, Rússia.
  • A Sogrape recebe o prémio de melhor Produtor Europeu do Ano 2010 nos EUA, atribuído pela revista “Wine Enthusiast”, na primeira vez que é distinguida uma empresa portuguesa.
25 de janeiro
  • Início da revolta no Egipto, contra o regime do Presidente Mubarak.
28 de janeiro
  • Cientistas da Universidade de Coimbra conseguiram verificar a regeneração parcial de feridas em ratinhos com diabetes, utilizando as suas células. O estudo foi publicado na revista científica
  • Public Library of Science One (PLoS One).
29 de janeiro
  • Kim Cljisters vence Na Li e sagra-se campeã do Open da Austrália pela primeira vez.
  • O museu Calouste Gulbenkian é considerado um dos melhores pequenos museus do mundo pelo site do guia de viagens “The Savvy Explorer”.
30 de janeiro
  • França sagra-se campeã do mundo de Andebol pela quarta vez, ao derrotar a Dinamarca por 35-37.
  • Novak Djokovic conquista, pela segunda vez, o Open da Austrália, ao derrotar, na final, Andy Murray.
31 de janeiro
  • O Governo anuncia o arranque de novas intervenções em mais 90 estabelecimentos de ensino: cada obra deverá demorar cerca de 18 meses e custará, em média, 15 milhões de euros.
  • A União Europeia decide sancionar a Bielorrússia, considerada por muitos a última ditadura da Europa, impondo um congelamento dos bens e a proibição de vistos ao presidente Alexandre Lukachenko e a 157 pessoas do seu círculo próximo.
  • No Japão, o vulcão Shinmoedake entra em erupção e cerca de mil pessoas são evacuadas.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Pare, escute, olhe

30 Jan
por Pedro Miguel Coelho |

O caso mais emblemático do fim dos caminhos-de-ferro em Portugal é Linha do Tua, com um fecho compulsivo iniciado em 1991, no troço Carvalhais-Bragança e que depois se estendeu aos troços Mirandela – Macedo de Cavaleiros e Mirandela – Bragança. Na história ficam as imagens de revolta das populações perante a ação da CP, que de forma quase clandestina e durante a noite, retirou todo o material circulante estacionado nas estações da região, protegida por um forte dispositivo policial que quis evitar não só a aproximação das populações, que acorreram aos locais onde decorria a operação, mas também a captação de imagens. Estes acontecimentos são hoje recordados como A Noite do Roubo.

Dos quase 134 quilómetros que originalmente constituíam a Linha do Tua, sobram hoje em funcionamento apenas 16, entre Cachão e Carvalhais. Parte desta via foi ainda aproveitada para o Metro de Mirandela, que liga esta cidade à estação do Tua.

As populações reivindicam o regresso ao funcionamento desta linha. Daniel Conde, do Movimento Cívico da Linha do Tua, em declarações ao Jornal Público do dia 18 de janeiro, considera que “há muita coisa a fazer a partir da linha do Tua para o desenvolvimento da região, mas muito pouco se tem feito”. Em defesa deste movimento, que pede a reativação da linha até Bragança, afirma as potencialidades do troço pelo “seu valor paisagístico, arquitetónico e social”, sublinhando que o que importa é “trazer de novo o desenvolvimento ao distrito de Bragança”. Recentemente o premiado realizador Jorge Pelicano, com o documentário ‘Pare, Escute, Olhe’ voltou a chamar a atenção sobre o caso, que legislatura após legislatura, tem merecido pouco mais que a indiferença por parte dos sucessivos governos.

O cenário do regresso é cada vez mais distante, com parte da linha a ser ameaçada pelo projeto da Barragem do Tua, que quando em funcionamento submergirá as linhas férreas, quer em quota mínima quer em quota máxima.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

O fim da linha

30 Jan
por Pedro Miguel Coelho |
fotos de Pedro Afonso Afflalo |

Estação de Cachão, na Linha do Tua

Ligar um Portugal cheio de assimetrias e distâncias, na vida e na cultura nacional, foi o objetivo primário da criação dos caminhos de ferro no séc. XIX, com vários reforços durante o Estado Novo e já na III República. Recentemente, face aos prejuízos da exploração ferroviária, várias linhas, estações e carreiras têm fechado.

Em 1883, Fontes Pereira de Melo dizia ser tão “entusiasta pelos caminhos de ferro que, se fosse possível, obrigaria todo o país a viajar de comboio durante seis meses”. Hoje, as entidades governamentais, parecem ter opinião contrária.

E se recentemente as atenções se viraram para a suspensão do projeto MetroMondego, no ramal da Lousã, vários têm sido os casos em que a ação governamental tem reduzido o acesso dos passageiros aos comboios.

O caminho mais fácil tem sido o encerramento face aos custos de exploração difíceis de garantir, mas a culpa também é do Estado, pelas falhas na modernização e articulação deste tipo de transporte com outras modalidades de transporte, o que explica o seu insucesso em algumas partes do país.

1. Pare, escute, olhe

2. Quilómetros desligados

3. Os problemas estruturais

4. Estação sem destino

5. Obras a metro

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

A boa filha a casa torna

29 Jan
por Óscar Morgado |

Ticha Penicheiro vai jogar no campeonato português de basquetebol pelos próximos 4 meses. A melhor basquetebolista nacional de todos os tempos assinou no final de 2010 pelo Sport Algés e Dafundo.

O seu ritmo profissional, ao dividir-se por duas equipas durante um ano, não lhe tem permitido acompanhar de perto a realidade portuguesa. “Já existe toda uma nova geração de quem nem sequer sei os nomes. Compreendo que talvez olhem para mim como uma estrela, embora não me sinta como tal”, afirmou a atleta em entrevista à Visão. Penicheiro já deu bastantes vitórias desde que chegou ao MCell-Algés, sendo uma estrela de qualidade pouco comum entre as atletas a jogar no país.

Devido ao facto de a WNBA, o lado feminino da melhor liga de basquetebol do mundo, apenas se realizar no verão, muitas atletas jogam noutras competições durante o resto do ano. Ticha não é exceção. Natural da Figueira da Foz, já jogou em França, Polónia, Lituânia, Itália e Rússia. Na WNBA, joga atualmente nas Los Angeles Sparks, emparelhando com a sensacional Candace Parker. Ambas pisam o mesmo solo que Kobe Bryant, estrela da equipa masculina dos Lakers e um dos melhores de sempre.

Contudo, Ticha já é uma atleta veterana. Aos 36 anos, dos quais os 12 últimos foram passados na WNBA, soma um invejável palmarés. Na Universidade de Old Dominion, onde de 1994 a 1997 jogou e estudou Comunicação Social e alinhou com a portuguesa Mery Andrade. Ambas ajudaram a cimentar a “Portuguese Connection”, alcunha pela qual era conhecida a equipa norte-americana nos anos 90. O número 21 de Ticha foi até retirado da equipa, em homenagem à portuguesa.

Campeã pelas Sacramento Monarchs em 2005, Penicheiro foi ainda eleita para o 5 ideal da WNBA em 1999 e 2000, bem como para o segundo 5 ideal em 2001. Fez parte da equipa All-Star em 4 ocasiões. Na Europa, foi campeã polaca em 2000 e 2001, ganhou a Taça de Itália em 2002 e a Eurocup em 2006, já ao serviço do Spartak de Moscovo.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

O Fecho dos Caixões

29 Jan
por Gonçalo André Simões, João M. Vargas, Marina Alves e Ricardo Soares |

Reportagem sobre a redução dos apoios do Estado ao ensino cooperativo em Portugal. Saiba o que é, afinal, uma escola com contrato de associação e o que implicam os cortes que o Governo decidiu.

Concerto da semana

29 Jan

Deolinda

por Liliana Borges

Coloquem Deolinda e a apresentação do albúm “Dois Selos e Um Carimbo” no Coliseus de Lisboa e Porto e o resultado será a lotação esgotada. Assim promete o dia de hoje. Depois do concerto de ontem (data extra), os Deolinda (en)cantam no Coliseu dos Recreios às 21h30. Com preços tabelados entre os 15 e os 30 euros, poderá assistir a uma banda que junta fado e pop num registo único e bem português.
Lançado a 23 de abril de o álbum “Dois Selos e Um Carimbo” entrou diretamente para nº 1 do top de vendas português e recebeu o prémio de platina em novembro de 2010. Para além de ser considerado um dos 10 melhores álbuns de World Music, pelo jornal Sunday Times também foi reconhecido pelo Miami Herald, que o selecionou como uma das 10 melhores compras da música latina. Venceram ainda o prémio “Best Newcomer”, atribuído pela revista inglesa Songlines, em abril de 2010.
O segredo do seu sucesso talvez a espontaneidade com que este talento se uniu. Foi em 2006 que Pedro da Silva Martins e Luís José Martins convidaram a sua prima, Ana Bacalhau e o seu marido, José Pedro Leitão, para cantar algumas das músicas de um outro projeto que integravam na data. Pedro e Luís desde pequenos estudaram música enquanto Ana teve aulas de canto. Já José Pedro, que escrevia para a televisão, utiliza o seu olho crítico para compor e escrever as letras das canções que nos conquistam com a sua complexa simplicidade. É a partir dele que surge o nome Deolinda. Deolinda nasce assim como um alter-ego da banda e representa uma mulher forte e de garra, uma mulher suburbana, que vive de amores e desamores, espreitando à janela.
Apesar do seu disco de estreia ter sido lançado a 28 de abril de 2008 com o álbum Canção ao Lado, já o tema “Contado Ninguém Acredita” tinha sido integrado compilação Novos Talentos de 2007, lançado pelas lojas FNAC
Quando começaram a gravar as primeiras maquetes, com o som da porta do prédio a bater, ou um carro a buzinar como som de fundo, estes quatro músicos jamais imaginaram que uma das suas músicas (“Movimento Perpétuo Associativo”) liderasse uma petição para a substituição do hino nacional “A Portuguesa”. Mas o seu crescimento foi rápido: em outubro já se haviam tornado disco de ouro, dois meses depois atingiram a platina e durante o ano de 2009 tornaram-se dupla platina, ano em que chegaram ao mercado europeu. O mês de abril revelou-se uma sequência de conquistas. Para além de entrarem diretamente para o 8º lugar na tabela de vendas discográficas World Music Charts Europe, deram inicio à sua digressão europeia e o seu álbum ficou em 10º lugar (numa lista de 100) numa votação realizada pela Antena 3. Já em maio estavam nomeados para “Melhor Grupo” e “Melhor Revelação do Ano” nos Globos de Ouro a incidir nos talentos de 2008, trazendo para casa o Globo de Ouro de “Melhor Revelação do Ano”.
É caso para dizer “Sai de casa e vem comigo para a rua (…)/ Anda, mostra o que vales/ (…)é a tua que,mais perde se não vens” e não perca a oportunidade (re)comprovar o talento desta “mulher” lisboeta.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Australia Open: a história

29 Jan
por Steve Grácio |

O Australia Open é o primeiro dos quatro Grand Slam do ano. Nas suas primeiras edições, porém, era realizada em dezembro, o que fazia com que não fosse a primeira do ano mas sim a última. No entanto, a partir de 1987 passou a realizar-se em janeiro, para evitar as alturas de elevada temperada que acontecem em dezembro, na Austrália.

Este torneio realiza-se em Melbourne desde 1972. Porém, até 1972 realizou-se em seis cidades diferentes. Possui uma superfície dura, rápida e um teto móvel essencialmente para evitar o calor.

O primeiro vencedor do Australia Open foi o australiano Rodney Heath, ao passo que o primeiro estrangeiro a vencer a competição foi Fred Alexander em 1908, na quarta edição. Nas primeiras edições havia poucas nacionalidades presentes. Talvez por isso seja um australiano (Roy Emerson) quem arrecadou um maior número de títulos, 6. Com quatro Australia Open conquistados encontram-se também dois australianos, Jack Crawford e Ken Rosewall, bem como dois dos melhores tenistas da história, o americano André Agassi e o suíço Roger Federer.

Em 1922, a competição é aberta às mulheres. A detentora de mais títulos neste torneio é também de nacionalidade australiana e o seu nome é Margaret Smith Court, com onze edições conquistadas, um recorde. Segue-se também uma australiana, com seis torneios ganhos (Wynne-Bolton) e a americana Serena Williams, que este ano não disputou o torneio, com cinco Grand Slam australianos.

A edição deste ano foi das mais competitivas dos últimos anos, desde logo porque os dois favoritos à vitória final claudicaram. O campeão em título, Roger Federer, segundo cabeça-de-série, jogador com mais Grand Slam da história do ténis e terceiro com mais Australia Open, perdeu a meia-final com o sérvio Djokovic, num dos melhores encontros do torneio, sempre bastante equilibrado. Quanto ao número 1 mundial, Rafael Nadal, foi eliminado nos quartos-de-final perante o compatriota David Ferrer. Deste modo, o vencedor será inesperado, o que revela a magia deste grande torneio.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Explosão nas chegadas

29 Jan
por Sara Recharte |

Na segunda-feira, 24 de janeiro, era intensa a afluência de pessoas à zona de chegadas do aeroporto Domodedovo, o mais movimentado de Moscovo. Um bombista suicida faz-se explodir e o pânico instala-se neste aeroporto da região sudeste da capital russa. Mais de 35 pessoas morreram e 168 ficaram feridas. Já em março de 2010, uma tragédia deste género sucedeu em duas estações metropolitanas de Moscovo: em hora de ponta, duas mulheres bombistas provocaram mais de 50 vítimas mortais.

Embora as suspeitas tenham imediatamente recaído sobre grupos tchetchenos, o primeiro-ministro Vladimir Putin já veio desviar essa possibilidade. «O atentado não está ligado à Tchetchénia», refere. Os exames periciais apontam o Norte do Cáucaso como região de origem do bombista e o principal suspeito de uma lista de dez é Razdobudko, membro do grupo separatista islâmico Nogai Jamaat.

Por agora, as autoridades procuram rever o sistema de segurança em Domodedovo: na zona de chegadas do aeroporto não existe qualquer dispositivo detetor de materiais ilícitos, situação que pode levar a que grupos rebeldes elejam as chegadas como alvo fácil a atingir. Este foi mais um dos muitos ataques que provêm de regiões de conflito, como o Norte do Cáucaso e que têm ameaçado a Rússia do presidente Medvedev.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Ainda as escolas com contrato de associação

29 Jan
por João M. Vargas, Director de Conteúdos |

Na quarta-feira, o Clique publicou uma reportagem sobre os protestos das escolas com contrato de associação contra as medidas do Governo quanto ao seu financiamento. Segundo o decreto-lei e a portaria publicados nos últimos dias de dezembro, estas escolas veem os valores conseguidos pelo Estado para o exercício das suas atividades bastante reduzidos.

Esta sexta-feira, no final de uma semana de protestos e reivindicações, o Clique volta a dar destaque ao tema. E parece-nos importante voltar a fazer uma referência a este assunto, não para repetir o que está a acontecer, mas para destacar as consequências das medidas que estão a ser tomadas.

O Ministério da Educação avança que os cortes são fundamentais para reduzir a despesa e aplicar as medidas de austeridade. Está certo o ministério quando diz que o Estado vai poupar dinheiro: quanto a isso, os números não mentem, já que pagará menos cerca de 30% a cada escola com contrato de associação.

As escolas dizem que não podem sobreviver com tão pouco dinheiro e que, por isso, terão que fechar portas. Leigos na matéria interrogam-se: como é que as escolas “púbicas” conseguem sobreviver com um financiamento de cerca de 80000€ por ano, por turma, e uma escola com contrato de associação não consegue? A resposta é simples: muitas destas escolas têm infraestruturas muito recentes e modernas. Por outro lado, são as escolas mais bem cotadas nos rankings nacionais. Estes dois fatores ajudam a explicar o motivo das dificuldades financeiras: boas instalações e bons resultados custam dinheiro. Além disso, o investimento na construção de raiz de muitas das escolas tem que ser pago.

Mas o que choca mais em todo este caso é a forma como o Estado tratou estas escolas. Grande parte destas escolas foram construídas para satisfazer as necessidades da rede pública. Ou seja, quando foram necessárias escolas públicas e o Estado não tinha dinheiro para as construir, recorreu a parcerias com privados para suprir as necessidades. Isto é, empresas privadas investiram dinheiro em infraestruturas que o Estado precisava mas não podia pagar. Hoje, que precisa de cortar nos gastos, o Estado rompe os contratos que haviam sido feitos a longo prazo, deixando as empresas privadas com edifícios vazios e, em muitos casos, por pagar.

Alguns leigos, outros nem tanto, têm vindo dizer à comunicação social que estas escolas se aproveitaram do Estado para enriquecer. Não se negará que as escolas com contrato de associação têm um subsídio maior e que as empresas privadas têm lucro. Mas é fundamental que ter em mente um aspeto: as empresas privadas têm em vista o lucro e não apenas o mecenato.

Os cortes agora impostos terão, ainda, outras consequências importantes a médio prazo. Por um lado, as escolas perderão turmas (muitas delas já não abrirão ciclos – 5º, 7º e 10º anos – em setembro). Não abrindo ciclos, entrarão numa morte lenta. Obviamente que estas empresas não manterão uma escola que dê prejuízo. A solução será, então, o fecho imediato já em setembro, para evitar maiores prejuízos. Assim, ficam os alunos impedidos de concluir o seu ciclo na mesma escola (algo que o Presidente da República definiu como fundamental). E se as escolas fecharem já em setembro (o que se prevê que aconteça caso comecem a perder turmas) a escolas “públicas” ver-se-ão, de repente, a braços com um número muito elevado de alunos.

Estes exemplos ajudam a demonstrar que as consequências das medidas tomadas pelo governo terão mais consequências do que possa parecer à primeira vista. Pior que isso, serão desaproveitadas instalações de ensino excelente (apesar de não terem equitação, campos de golfe ou piscinas). Além dos professores e funcionários que ficarão sem emprego, o ensino perderá, inegavelmente, muita qualidade, em virtude do excesso de alunos por turma. E perder-se-ão todos os investimentos que foram feitos nos últimos anos, por privados, para prestar um serviço público que o Estado não assegurava.

Sai mal, desta história, a Ministra da Educação, que revelou profundo desconhecimento da realidade da rede escolar. Sai mal Mário Nogueira, da FENPROF, que fez uma distinção entre professores, relegando para segundo plano aqueles que lecionam nestas escolas. E sai mal a opinião pública, que por ignorar como de facto funcionam estas escolas as equiparam a particulares e, por isso, não dá o devido crédito aos protestos que têm decorrido.

Seja qual for o final desta história, é fácil prever quem sairá por cima. A Ministra já se mostrou inflexível e parece que de facto não cederá. Mais uma vez fica patente a falta de planeamento e informação do Governo, que se prepara para dispensar escolas que, no ano passado, eram indispensáveis.

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++

Na quarta-feira, o Clique publicou uma reportagem sobre os protestos das escolas com contrato de associação contra as medidas do Governo quanto ao seu financiamento. Segundo o decreto-lei e a portaria publicados nos últimos dias de Dezembro, estas escolas vêem os valores conseguidos pelo Estado para o exercício das suas actividades bastante reduzidos.

Esta sexta-feira, no final de uma semana de protestos e reivindicações, o Clique volta a dar destaque ao tema. E parece-nos importante voltar a fazer uma referência a este assunto, não para repetir o que está a acontecer, mas para destacar as consequências das medidas que estão a ser tomadas.

O Ministério da Educação avança que os cortes são fundamentais para reduzir a despesa e aplicar as medidas de austeridade. Está certo o ministério quando diz que o Estado vai poupar dinheiro: quanto a isso, os números não mentem, já que pagará menos cerca de 30% a cada escola com contrato de associação.

As escolas dizem que não podem sobreviver com tão pouco dinheiro e que, por isso, terão que fechar portas. Leigos na matéria interrogam-se: como é que as escolas “púbicas” conseguem sobreviver com um financiamento de cerca de 80000€ por ano, por turma, e uma escola com contrato de associação não consegue? A resposta é simples: muitas destas escolas têm infra-estruturas muito recentes e modernas. Por outro lado, são as escolas mais bem cotadas nos rankings nacionais. Estes dois factores ajudam a explicar o motivo das dificuldades financeiras: boas instalações e bons resultados custam dinheiro. Além disso, o investimento na construção de raiz de muitas das escolas tem que ser pago.

Mas o que choca mais em todo este caso é a forma como o Estado tratou estas escolas. Grande parte destas escolas foram construídas para satisfazer as necessidades da rede pública. Ou seja, quando foram necessárias escolas públicas e o Estado não tinha dinheiro para as construir, recorreu a parcerias com privados para suprir as necessidades. Isto é, empresas privadas investiram dinheiro em infra-estruturas que o Estado precisava mas não podia pagar. Hoje, que precisa de cortar nos gastos, o Estado rompe os contratos que haviam sido feitos a longo prazo, deixando as empresas privadas com edifícios vazios e, em muitos casos, por pagar.

Alguns leigos, outros nem tanto, têm vindo dizer à comunicação social que estas escolas se aproveitaram do Estado para enriquecer. Não se negará que as escolas com contrato de associação têm um subsídio maior e que as empresas privadas têm lucro. Mas é fundamental que ter em mente um aspecto: as empresas privadas têm em vista o lucro e não apenas o mecenato.

Os cortes agora impostos terão, ainda, outras consequências importantes a médio prazo. Por um lado, as escolas perderão turmas (muitas delas já não abrirão ciclos – 5º, 7º e 10º anos – em setembro). Não abrindo ciclos, entrarão numa morte lenta. Obviamente que estas empresas não manterão uma escola que dê prejuízo. A solução será, então, o fecho imediato já em setembro, para evitar maiores prejuízos. Assim, ficam os alunos impedidos de concluir o seu ciclo na mesma escola (algo que o Presidente da República definiu como fundamental). E se as escolas fecharem já em Setembro (o que se prevê que aconteça caso comecem a perder turmas) a escolas “públicas” ver-se-ão, de repente, a braços com um número muito elevado de alunos.

Estes exemplos ajudam a demonstrar que as consequências das medidas tomadas pelo governo terão mais consequências do que possa parecer à primeira vista. Pior que isso, serão desaproveitadas instalações de ensino excelente (apesar de não terem equitação, campos de golfe ou piscinas). Além dos professores e funcionários que ficarão sem emprego, o ensino perderá, inegavelmente, muita qualidade, em virtude do excesso de alunos por turma. E perder-se-ão todos os investimentos que foram feitos nos últimos anos, por privados, para prestar um serviço público que o Estado não assegurava.

Sai mal, desta história, a Ministra da Educação, que revelou profundo desconhecimento da realidade da rede escolar. Sai mal Mário Nogueira, da FENPROF, que fez uma distinção entre professores, relegando para segundo plano aqueles que leccionam nestas escolas. E sai mal a opinião pública, que por ignorar como de facto funcionam estas escolas as equiparam a particulares e, por isso, não dá o devido crédito aos protestos que têm decorrido.

Seja qual for o final desta história, é fácil prever quem sairá por cima. A Ministra já se mostrou inflexível e parece que de facto não cederá. Mais uma vez fica patente a falta de planeamento e informação do Governo, que se prepara para dispensar escolas que, no ano passado, era indispensáveisl.

Rangel volta ao ataque

29 Jan
por João M. Vargas |

Emídio Rangel está de volta ao ataque. Depois de alguns anos longes das direções de canais de televisão (SIC e RTP), Rangel prepara-se agora o lançamento do seu próprio projeto “a solo”. Para isso, este veterano da televisão portuguesa contará com a colaboração de Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT, que liderará um grupo de investidores ainda desconhecido, onde se pretenda que haja capital espanhol.

O projeto de Emídio Rangel e Rui Pedro Soares consiste na criação de um grupo de media que abranja vários meios de comunicação. Assim, está previsto já para abril deste ano o lançamento de um jornal semanal, para concorrer com o Expresso e o Sol. A acontecer, será o primeiro jornal semanal com proximidade ao PS a surgir nos últimos anos. Outra evidência desta proximidade é o parceiro espanhol com quem Rangel tem trabalhado: a Media Pro.

A Media Pro, empresa catalã de comunicação, está bastante ligada ao PSOE de Zapatero e foi quem, para já, fechou negócio com o projeto português. Porém, o certo é que, neste momento, a Media Pro é gerida pelos tribunais, em virtude das suas dificuldades financeiras. Assim sendo, a empresa fica impossibilitada de investir no novo grupo de media português. Mas a verdade é que foi à Media Pro que Rangel e Soares compraram os direitos televisivos da liga espanhola, por nove milhões de euros (o triplo do que paga atualmente a Controlinveste).

Os direitos televisivos da liga espanhola serão, aliás, outra das armas fortes de Rangel. É que, além do semanário a criar em abril, o antigo diretor da SIC quer também criar um canal de televisão. Pouco se sabe sobre os moldes deste novo canal, mas a aquisição dos direitos do futebol espanhol (a partir de 2012-2013) e a tentativa de aquisição dos direitos de transmissão dos jogos do Benfica fazem antever um possível concorrente à Sporttv.

Tem-se também falado na aquisição do Porto Canal e da Rádio Europa Lisboa. No caso da estação de televisão ainda não há certezas e a direção do canal diz desconhecer o assunto. Mas o certo é que a aquisição do canal poderia ser o ponto de partida para a criação do projeto televisivo de Rangel. Já no caso da rádio, a compra acabou mesmo por se concretizar, por intermédio da Dream Radios, empresa de que Rangel é acionista. Esta aquisição deverá prender-se com a terceira vertente deste novo projeto: a criação de uma rádio, provavelmente para concorrer com a TSF (que Rangel ajudou a fundar).

+++Este artigo foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.+++